Mesmo com a tendência de queda dos juros apontada pelo Banco Central, as taxas cobradas pelos bancos permanecem em alta. Segundo levantamento feito pelo próprio BC, o custo de tomar um empréstimo bancário passou de 49,1% ao ano para 49,5% entre agosto e setembro -nível mais elevado desde 2003.
Foi no mês passado que o BC começou a reduzir a taxa Selic, em alta desde o final de 2004. Ainda assim, os juros cobrados pelas instituições financeiras subiram. Nos créditos a pessoas físicas, a taxa passou de 64,4% ao ano para 64,9%. Para as empresas, os juros permaneceram praticamente estáveis, variando de 33,2% ao ano para 33,3%.
Segundo o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, a alta dos juros bancários é conseqüência do aumento da margem de lucro das instituições financeiras. “Do ponto de vista do risco, não há mudança, pois a inadimplência continua estável”, diz Lopes, referindo-se a um dos motivos normalmente citados para justificar as elevadas taxas cobradas nos empréstimos.
No mês passado, a inadimplência (atraso de pelo menos 15 dias nos pagamentos) atingia 7,9% dos financiamentos concedidos pelos bancos, mesma proporção observada em agosto.
O aumento da margem de lucro das instituições financeiras pode ser medido pelo “spread”, que é a diferença entre os juros pagos pelos bancos para captar recursos no mercado e a taxa cobrada nos empréstimos aos clientes. Entre agosto e setembro, esse “spread” passou de 30,2 pontos percentuais para 30,9 pontos.
Isso significa que o “spread” representava, no mês passado, 30,9 pontos percentuais dos 46,9% de juros anuais que os bancos cobravam para emprestar dinheiro. Esse “ganho” serve para que os bancos cubram suas despesas com funcionários, manutenção de agências, impostos, entre outros itens. Também ajudam a compor os lucros do setor.
Lopes afirma que o “spread” subiu devido a uma “defasagem” entre um corte na Selic e a redução no custo dos empréstimos, mas diz que “seguramente” os juros bancários irão apresentar queda neste mês.
A alta dos juros no mês passado foi puxada pelo crediário: a taxa cobrada dos consumidores (excluindo os financiamentos de automóveis) subiu de 53,7% ao ano para 59,9%.
Lopes atribui esse movimento a um fator estatístico. Segundo ele, em setembro houve uma menor procura por financiamentos oferecidos diretamente por grandes redes de varejo, que, em geral, têm juros mais baixos do que os créditos concedidos por bancos. Com a menor demanda por empréstimos mais baratos, a média dos juros cobrados como um todo teria subido.
Além desse possível efeito estatístico, porém, outros instrumentos de crédito apresentaram taxas mais elevadas em setembro. Foi o caso do cheque especial e de praticamente todas as modalidades de crédito disponíveis para pessoas jurídicas.
Apesar das taxas mais elevadas, porém, o volume de crédito disponível no país continuou em expansão. No mês passado, esse saldo estava em R$ 548,112 bilhões, um crescimento de 1,3% em relação a agosto e de 13% na comparação com dezembro de 2004. O total de financiamentos oferecidos pelos bancos representava, em setembro, 28,9% do PIB (Produto Interno Bruto).
Fonte: www.fenae.org.br
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Por Mhais• 28 de outubro de 2005• 10:42• Sem categoria
Na contramão do BC, bancos sobem juros
Mesmo com a tendência de queda dos juros apontada pelo Banco Central, as taxas cobradas pelos bancos permanecem em alta. Segundo levantamento feito pelo próprio BC, o custo de tomar um empréstimo bancário passou de 49,1% ao ano para 49,5% entre agosto e setembro -nível mais elevado desde 2003.
Foi no mês passado que o BC começou a reduzir a taxa Selic, em alta desde o final de 2004. Ainda assim, os juros cobrados pelas instituições financeiras subiram. Nos créditos a pessoas físicas, a taxa passou de 64,4% ao ano para 64,9%. Para as empresas, os juros permaneceram praticamente estáveis, variando de 33,2% ao ano para 33,3%.
Segundo o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, a alta dos juros bancários é conseqüência do aumento da margem de lucro das instituições financeiras. “Do ponto de vista do risco, não há mudança, pois a inadimplência continua estável”, diz Lopes, referindo-se a um dos motivos normalmente citados para justificar as elevadas taxas cobradas nos empréstimos.
No mês passado, a inadimplência (atraso de pelo menos 15 dias nos pagamentos) atingia 7,9% dos financiamentos concedidos pelos bancos, mesma proporção observada em agosto.
O aumento da margem de lucro das instituições financeiras pode ser medido pelo “spread”, que é a diferença entre os juros pagos pelos bancos para captar recursos no mercado e a taxa cobrada nos empréstimos aos clientes. Entre agosto e setembro, esse “spread” passou de 30,2 pontos percentuais para 30,9 pontos.
Isso significa que o “spread” representava, no mês passado, 30,9 pontos percentuais dos 46,9% de juros anuais que os bancos cobravam para emprestar dinheiro. Esse “ganho” serve para que os bancos cubram suas despesas com funcionários, manutenção de agências, impostos, entre outros itens. Também ajudam a compor os lucros do setor.
Lopes afirma que o “spread” subiu devido a uma “defasagem” entre um corte na Selic e a redução no custo dos empréstimos, mas diz que “seguramente” os juros bancários irão apresentar queda neste mês.
A alta dos juros no mês passado foi puxada pelo crediário: a taxa cobrada dos consumidores (excluindo os financiamentos de automóveis) subiu de 53,7% ao ano para 59,9%.
Lopes atribui esse movimento a um fator estatístico. Segundo ele, em setembro houve uma menor procura por financiamentos oferecidos diretamente por grandes redes de varejo, que, em geral, têm juros mais baixos do que os créditos concedidos por bancos. Com a menor demanda por empréstimos mais baratos, a média dos juros cobrados como um todo teria subido.
Além desse possível efeito estatístico, porém, outros instrumentos de crédito apresentaram taxas mais elevadas em setembro. Foi o caso do cheque especial e de praticamente todas as modalidades de crédito disponíveis para pessoas jurídicas.
Apesar das taxas mais elevadas, porém, o volume de crédito disponível no país continuou em expansão. No mês passado, esse saldo estava em R$ 548,112 bilhões, um crescimento de 1,3% em relação a agosto e de 13% na comparação com dezembro de 2004. O total de financiamentos oferecidos pelos bancos representava, em setembro, 28,9% do PIB (Produto Interno Bruto).
Fonte: www.fenae.org.br
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