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Negros graduados ganham 28% a menos do que não-negros

Trabalhadores negros com curso superior recebem, em média, R$ 13,86 por hora trabalhada, 28,8% a menos do que a remuneração de R$ 19,49 por hora paga a não-negros com a mesma formação. Os dados foram divulgados pela Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade) e pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócioeconômicos (Dieese) como parte de um estudo sobre negros no mercado de trabalho da região metropolitana de São Paulo. Para a coordenadora da pesquisa pelo Dieese de São Paulo, Patrícia Lino Costa, uma das explicações para essa diferença de remuneração é o preconceito racial que acontece de forma velada no mercado de trabalho brasileiro.

“Pudemos ver pelo estudo e por entrevistas que realizamos que os negros percebem que, quando há vagas abertas nas empresas que trabalham, a opção de promoção é para o não-negro prioritariamente”, disse a coordenadora. A pesquisa também mostra que os negros empregados ocupam as posições de prestação de serviços com menor remuneração, como limpeza e construção civil. “Isso se deu muito de 2003 para cá, com o crescimento da economia nacional”, justifica Patrícia. Para o coordenador da equipe de análise do Seade, Alexandre Loloian, esse aumento de empregos também refletiu na melhoria do nível de escolaridade do jovem negro.

“Hoje, 37% dos jovens negros que ingressam no mercado de trabalho não completaram o ensino fundamental. Em 1998, esse número era de 60%. É apenas uma pequena melhora”, analisa. Para Patrícia, esse aumento de escolaridade se dá pelo fato de que, com o chefe de família estando empregado, o filho permanece mais tempo nos estudos. “Mas, na hora de conseguir o emprego, os negros ainda ficam com as vagas não tão qualificadas. Isso é um espelho para uma coisa que está por trás”, diz a coordenadora, se referindo à formação do profissional.

“O jovem negro não tem as mesmas oportunidades de estudo na sua educação de base que um não-negro devido a essa renda familiar ser menor. Com isso, as melhores vagas nas melhores universidades ficam com quem está mais preparado”, completa ela. “Precisamos abrir oportunidades para que os negros possam fazer boas faculdades e terem boas formações, uma vez que, hoje, mesmo os que conseguem concluir o ensino superior, ainda não conseguem garantir a igualdade de oportunidades e de salários”, diz Patrícia. Outro ponto de destaque na pesquisa foi a taxa de desemprego para os negros. Entre a população negra economicamente ativa, o desemprego chega a 17,6%.

Já entre os não-negros, a taxa é de 13,3%. A desigualdade de salários também foi observada também entre os sexos. Os homens negros ocupados no mercado de trabalho, levando em conta todos os níveis de escolaridade (de analfabeto ao ensino superior), recebem em média R$ 4,84 por hora, enquanto os não-negros recebem R$ 8,66. No caso das mulheres, o salário da negra é, em média, de R$ 3,86 enquanto os das não-negras é de R$ 6,88. Pela metodologia de pesquisa do Dieese e do Seade, o segmento negro consiste em negros e pardos e o de não-negros, em brancos e amarelos.

Fonte: Inormes

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