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Nos Estados Unidos da América, centro do capitalismo, participação estatal no Citibank eleva-se de 8 para 36 porcento

Para Arthur Levitt, ex-presidente da SEC, a Comissão de Valores Mobiliários dos EUA, “esse foi um novo passo no sentido da estatização”

O governo dos EUA e o Citibank anunciaram na sexta-feira, 27, um acordo em que o governo aumenta a participação no capital votante do banco de 8% para 36%. Com isso, o Estado norte-americano torna-se o maior acionista individual do ex-maior banco do país até o terceiro trimestre do ano passado. Os 8% de partipação do governo tinha sido alcançado após o Tesouro ter injetado US$ 45 bilhões no ano passado.

Para Arthur Levitt, ex-presidente da SEC, que corresponde à Comissão de Valores Imobiliários dos EUA, “foi um novo passo no sentido da estatização”. Já foi anunciado que, com isso o governo indicará a maioria do conselho diretor do banco.

O anúncio do acordo se deu no momento em que o banco informava sobre suas perdas em 2008, que somaram US$ 27,7 bilhões, o que fez com que suas ações tivessem nova queda, desta vez de 39%. Foram 44% em uma semana, fazendo-as chegar ao valor de US$ 1,50; só 10% do que valiam há um ano. Em 27 de dezembro de 2006, as ações do banco estavam valiam US$ 56,41, ou seja, 36 vezes o valor atual. Até 2007, o Citigroup era o maior banco do mundo em valor de mercado, cotado a mais de US$ 250 bilhões. Agora, vale cerca de US$ 8 bilhões.

PROTEÇÃO

Os bancos mais protegidos pelo Fed e o Tesouro, como o próprio Citi, o Bank of America (Bofa para os íntimos das bocadas de Wall Street), JP Morgan Chase e Wells Fargo, já foram privilegiados com US$ 140 bilhões. Parte dos recursos para se desfazer de títulos podres, que iam para o Tesouro e parte para concentrar o monopólio. O Citi açambarcou o Wachovia, o Bofa tomou conta do Merrill Lynch e o JPMorgan ficou com o Bear Sterns (este foi para o Morgan depois que o governo garantiu US$ 29 bilhões para cobrir perdas em sua carteira arrombada de micos).

Os capos destes bancos não deixaram – é claro – de aproveitar a ocasião para botar a mão em US$ 18,4 bilhões em bônus dos bancos que afundaram e que agora recebem o fluxo de grana do Tesouro.

Enquanto isso, 25 bancos (todos pequenos e médios, claro) fecharam nos EUA e, nos primeiros dois meses de 2009, mais 13. Pelo sistema norte-americano, aos acionistas destes bancos são impostas perdas totais, as agências dos bancos falidos são distribuídas aos concorrentes, assim como as contas correntes de seus clientes.

A negociação que foi fechada com o Citi estabelece que o governo terá US$ 25 bilhões em ações que antes eram preferenciais (sem direito a voto) transformadas em ordinárias.

Conforme o anúncio, o chefe executivo, Vikram Pandit, permanece mas terá que se submeter às orientações do novo conselho. Pandit, assumira depois da dispensa do diretor anterior que presidiu o naufrágio do mastodôntico monopólio financeiro , o pomposo Charles O. Prince III. Este aumento da participação acionária num dos principais bancos dos EUA pode funcionar como um laboratório para que o governo, eventualmente, assuma outros bancos privados na UTI e também para que os interventores tenham uma visão real do rombo, uma vez que todos os subterfúgios estão sendo usados para esconder os furos por onde o dinheiro do Tesouro se esvai.

ACIONISTAS

Os maiores acionistas privados do Citibank detém 26% das ações e o restante do capital está pulverizado entre pequenos acionistas.

Pouco antes do banco mergulhar no despenhadeiro, o seu diretor executivo, Prince III, declarou, em 2006, sobre as virtudes do Citi: “Nosso trabalho é dar o tom no topo para incentivar as pessoas a fazerem a coisa certa e a construírem redes de segurança para pegar pessoas que fizeram coisas erradas e corrigi-las tão rápido quanto possível. E isso está funcionando. Está funcionando.”

Em setembro de 2007, com Wall Street mergulhada na crise generalizada das hipotecas, os executivos do Citigroup se reuniram para discutir a situação do banco. Prince III e o resto do conselho foram informados do valor total de títulos conectados a hipotecas: US$ 43 bilhões.

Prince III perguntou a Thomas G. Maheras, chefe de comercialização de títulos do banco, se estava tudo bem. Mr. Maheras disse que não havia por que prever grandes perdas. Semanas depois o banco já começava a anunciar perdas de bilhões de dólares. Segundo o New York Times os executivos do Citi se acober-tavam uns aos outros e admitiam qualquer afirmação como prestação de contas, “ávidos por aumentar seus ganhos de curto prazo e por bônus multimilionários”.

Por NATHANIEL BRAIA.

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Seguradora AIG, a maior dos EUA, tem prejuízo de US$ 61,7 bilhões

A seguradora norte-americana AIG, a maior do país e do mundo, registrou um prejuízo de US$ 61,7 bilhões nos últimos três meses de 2008, a maior perda trimestral já registrada na história das corporações dos Estados Unidos. O anúncio do desastre da seguradora provocou forte queda nas bolsas durante a segunda-feira, 2. Especulou-se ainda durante o dia que as próximas quedas seriam de empresas de cartões de crédito com problemas de liquidez.

Enquanto o Tesouro e o Banco Central americano (o Fed) anunciavam ajuda adicional de US$ 30 bilhões à AIG, em Nova York, o índice Dow Jones continuava em queda de 2,36%. Na Europa, as bolsas operavam em baixa de mais de 3,5% e no início da tarde a Bolsa de Valores de São Paulo operava em queda de 3,13%.

A AIG já tinha recebido US$ 150 bilhões do governo, a maior ajuda já recebida por uma empresa americana. O novo plano de ajuda anunciado envolve a reestruturação das operações da AIG e pede que o Fed assuma participações em duas das unidades internacionais da AIG em troca da redução da dívida da companhia.

O apoio financeiro à AIG é cerca de três vezes maior do que o dado ao Citigroup, que foi de US$ 45 bilhões, e do Bank of America, que recebeu US$ 45 bilhões.

A notícia do prejuízo da AIG foi dada em um momento em que o banco HSBC, o maior da Europa, tenta levantar US$ 17,7 bilhões para fortalecer suas finanças depois de uma queda de 62% em seu lucro anual.

A AIG fornece seguros de vida, para pequenas empresas, municípios, planos de aposentadoria e grandes companhias americanas.

Além de fornecer seguros para residências, a AIG também atua assegurando riscos de instituições financeiras em todo mundo.

NOTÍCIAS COLHIDAS NO SÍTIO www.horadopovo.com.br.

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“Sem escolha”, Bernanke defende ajuda à AIG

WASHINGTON (Reuters) – O chairman do Federal Reserve, Ben Bernanke, defendeu nesta terça-feira a mais recente medida de ajuda à seguradora AIG, dizendo a parlamentares furiosos que também sente raiva, mas que a falência da empresa provocaria um desastre econômico.

Bernanke, em depoimento ao Comitê de Orçamento do Senado, também fez uma previsão sombria para a economia, dizendo que as condições do mercado de trabalho podem ter piorado nas últimas semanas. Os comentários ajudaram a colocar o mercado acionário brevemente para baixo.

Pressionado pelo comitê para justificar as últimas medidas de apoio à American International Group, Bernanke disse que não havia alternativas, apesar da irresponsabilidade da seguradora.

“Sabemos que a falência de grandes companhias financeiras em uma crise financeira pode ser desastrosa para a economia. Nós realmente não tínhamos opção”, disse.

O governo dos Estados Unidos injetou mais 30 bilhões de dólares na segunda-feira dentro da linha de financiamento para a AIG. A linha faz parte de uma operação de resgate que já havia sugado cerca de 150 bilhões de dólares.

A AIG, que divulgou prejuízo trimestral recorde de 61,7 bilhões de dólares na segunda-feira, tem sofrido com as perdas associadas aos swaps de proteção de crédito –que garantiam títulos relacionados a hipotecas.

Bernanke disse que as relações da AIG com bancos ao redor do mundo criam o risco de “contágio” caso a companhia vá à falência, e afirmou que as autoridades estão trabalhando duro para tentar neutralizar posições perigosas.

“Temos feito o que podemos para levantar a companhia, prepará-la para uma venda e tentar desenvenená-la”, afirmou. “Se há algo nesses últimos 18 meses que tenha me deixado mais furioso, eu não consigo pensar em outra coisa que não a AIG”, acrescentou, comparando a divisão de serviços financeiros da empresa a um hedge fund desregulado.

AUMENTO DO DÉFICIT É MAL NECESSÁRIO

Bernanke disse ao comitê que a restauração da estabilidade no setor financeiro é um pré-requisito para tirar os Estados Unidos de uma profunda recessão, e disse que o aumento da dívida norte-americana é inevitável.

“É melhor agir agressivamente hoje para resolver nossos problemas econômicos”, disse. “A alternativa poderia ser um momento prolongado de estagnação econômica que não somente contribuiria para deteriorar mais a situação fiscal mas também implicaria em baixos níveis de produção, emprego e renda por um longo período.”

Além da probabilidade de uma piora do mercado de trabalho, Bernanke disse que muitas empresas sofrem com estoques excessivos e que devem cortar ainda mais a produção nos próximos meses.

A proposta de orçamento divulgada na semana passada pela Casa Branca prevê déficit recorde de 1,8 trilhão de dólares neste ano e um aumento da relação dívida-PIB de 40 para cerca de 60 por cento –maior nível desde o começo dos anos 1950.

“Como todo o resto, isso é algo que todos nós preferiríamos evitar”, disse.

Por Mark Felsenthal.

NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.reuters.com.br.

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