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O capital estrangeiro e o fluxo cambial brasileiro

Capital estrangeiro drena em janeiro US$ 2,25 bi do país

O ralo ainda não foi fechado pelo governo Lula

Os dados divulgados pelo Banco Central, sobre as contas externas no último mês de janeiro, são os seguintes:

a) Entrou no país, sob a forma de Investimento Direto Estrangeiro (IDE), isto é, dinheiro para aquisição de patrimônio ou como empréstimos das matrizes às filiais de companhias estrangeiras, US$ 1 bilhão e 930 milhões, já descontado o que saiu de IDE em direção ao exterior;

b) Sob a rubrica “Outros Investimentos Estrangeiros” (OIE), que inclui os empréstimos em moeda contraídos pelo setor público ou pelo setor privado do país, entraram US$ 734 milhões;

c) Saíram do país (já descontado o que entrou) US$ 2 bilhões e 373 milhões de capital puramente especulativo;

d) Em “serviços” (juros, fretes, royalties, seguros e licenças) e “rendas” (lucros e dividendos, principalmente), saíram do país US$ 2 bilhões e 542 milhões;

Resultado: a saída de capital estrangeiro do país superou a entrada em US$ 2 bilhões e 251 milhões. O saldo comercial, que geralmente tem mascarado os resultados negativos da entrada e saída de capital estrangeiro, desta vez também foi negativo, ou seja, em vez de saldo houve déficit, o que piorou ainda mais as contas externas do país.

No entanto, em dezembro, quando o saldo comercial havia sido positivo, a saída já havia superado a entrada em US$ 5 bilhões e 473 milhões. A propósito, em nossa matéria da edição de 4 de fevereiro, analisando o resultado de dezembro de 2008, separamos as remessas de investimentos diretos estrangeiros do seu resultado líquido, isto é, devido ao aranzel que são as tabelas do Banco Central e a pressa para fechar a edição, somamos duas vezes a mesma coisa, aumentando incorretamente a saída de capital estrangeiro do país. Porém, as conclusões da matéria são inteiramente válidas – não somente porque, mesmo com a correção no cálculo, o resultado continuou sendo negativo, mas também pelo resultado de janeiro, que confirma a tendência de dezembro.

Observemos que o BC e os economistas reacionários em geral têm feito o possível para obscurecer a sangria que o país tem sofrido pelo capital externo. A principal forma de fazer isso é o mascaramento com os resultados do saldo comercial. Evidentemente, o saldo comercial não é capital estrangeiro – e sim o resultado da venda no exterior de produtos fabricados ou extraídos do Brasil menos o valor das compras pelo país de produtos no exterior. Ou seja, é o resultado do valor das exportações, subtraído deste o valor das importações. Portanto, nada tem a ver com o que entra e sai de capital externo no país, exceto que tem coberto o rombo provocado pela saída de capital do país – ao invés de servir para ajudar de forma mais efetiva o crescimento.

Economistas norte-americanos, como o badalado Paul Krugman e o laureado Joseph Stiglitz, ex-assessor de Clinton e ex-presidente do Banco Mundial, têm concordado no caráter predatório e parasitário do capital puramente especulativo (chamado pelo FMI e pelo BC de “investimentos em carteira” ou “investimentos em portfólio”), que vem para cá meramente para manipular cotações na Bolsa de Valores e locupletar-se com os altos juros sobre os títulos públicos.

No entanto, esses mesmos economistas têm insistido que existe um capital externo “saudável”, os chamados Investimentos Diretos, que saem dos seus países para comprar patrimônio público ou privado em outros países. Esta defesa, por parte de economistas norte-americanos, não passa, como disse John Kenneth Galbraith, da defesa de que as economias dos outros países sejam propriedade dos monopólios financeiros norte-americanos. Porém, há mais do que isso.

A primeira questão é que cada vez é menor a diferença entre o chamado Investimento Direto e o capital meramente especulativo (v., por exemplo, o interessante ensaio de Ajit Singh, economista indiano e professor em Cambridge, “Capital account liberalisation, free long-term capital flows, financial crises and economic development”, incluído na coletânea “Globalisation, Regionalism and Economic Activity”, Edward Elgar Publishing, 2003, pág. 15).

Além disso, existe o óbvio: quanto mais Investimento Direto, maiores as remessas de lucros para fora, pois empresas que antes eram nacionais – e que, portanto, não enviavam recursos para fora – uma vez desnacionalizadas passam a ser fonte de lucros para suas matrizes no exterior. Isso é particularmente sensível e agudo na crise. Mas é verdade em geral, mesmo fora da crise, até porque o único objetivo de uma empresa ao estabelecer filiais em outros países é remeter lucros para as matrizes.

Vejamos um exemplo recente: nunca entrou tanto Investimento Direto, ou seja, nunca tantas empresas, tanto públicas quanto privadas, foram compradas pelo capital externo, quanto no governo Fernando Henrique Cardoso.

E qual foi o resultado? Somente nos dois primeiros anos daquele governo entrou mais capital estrangeiro do que saiu: o saldo dessa conta (“investimentos diretos” + “investimentos em carteira” + empréstimos externos – remessas para o exterior) foi de US$ 16 bilhões 832 milhões em 1995 e US$ 14 bilhões e 571 milhões em 1996. Mas, no ano seguinte, já havia caído para insignificantes US$ 527 milhões.

Em seguida, o resultado foi negativo em todos os anos até o final do governo Fernando Henrique. Ressaltemos: em 1998 a saída superou a entrada em US$ 11 bilhões e 475 milhões; em 1999, a saída foi US$ 15 bilhões e 107 milhões mais do que a entrada; em 2000, saíram US$ 8 bilhões e 122 milhões; em 2001, saíram US$ 2 bilhões e 201 milhões; e, em 2002, US$ 11 bilhões e 988 milhões saíram a mais do que a entrada de capital estrangeiro. O fato do sr. Gustavo Franco ter considerado que tais resultados foram altamente positivos somente demonstra que ele é maluco. A isso conduz o entreguismo.

Porém, como esse ralo ainda não foi fechado pelo governo Lula, o resultado é que, exceto em 2006 e 2007, quando a entrada de capital externo superou a saída, em todos os outros anos (2003, 2004, 2005 e 2008), a saída continuou maior do que a entrada de capital estrangeiro. Até 2005, essas saídas foram devidas sobretudo ao que havia acontecido no governo anterior. Além disso, sem que houvesse aumento de entradas, houve elevação nos pagamentos de empréstimos pela gestão Palocci/Meirelles. Assim, em 2003 as saídas foram maiores do que as entradas em US$ 18 bilhões e 469 milhões; no ano de 2004, em US$ 25 bilhões; e, no ano de 2005, devido aos pagamentos da dívida e às remessas de lucros, em 41 bilhões e 486 milhões. No ano seguinte, devido a uma entrada recorde tanto de investimentos “diretos” quanto de capital especulativo, a entrada foi superior à saída em US$ 53 milhões e 379 milhões.

No entanto, em 2008, apesar do investimento direto alcançar a magnitude inédita de US$ 45 bilhões e 60 milhões, isso não evitou que saíssem do país mais US$ 4 bilhões e 570 milhões do que as entradas. O resultado foi consequência da remessa de lucros gigantesca, por sua vez consequência da entrada de Investimento Direto Estrangeiro nos anos anteriores.

Se assim foi em tempos sem crise, pode-se imaginar o risco que corremos quando as matrizes das empresas no exterior estão falidas. Evidentemente que será necessária uma política industrial de fortalecimento da empresa nacional, de aumento do peso das empresas nacionais no mercado brasileiro. Ou isso ou nossa economia tenderá a oscilar de acordo com o vento de uma crise que não é nossa – nem necessitamos ou queremos que seja.

Por CARLOS LOPES.

NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.horadopovo.com.br.

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Fluxo cambial tem saldo negativo pelo quinto mês consecutivo

Brasília – O saldo da entrada e saída de dólares do país (fluxo cambial) ficou negativo US$ 3,018 bilhões no mês passado. Em janeiro de 2008, o resultado também negativo foi de US$ 2,357 bilhões. Os dados são do Banco Central, que mostra saldo negativo pelo quinto mês consecutivo.

A saída de dólares do país em janeiro foi resultado das operações financeiras (investimentos em títulos, remessas de lucros e dividendos ao exterior e investimentos estrangeiros diretos, entre outras operações), que tiveram saldo negativo foi de US$ 3,550 bilhões. As operações comerciais, tiveram saldo positivo de US$ 532 milhões. As exportações chegaram a US$ 10,261 bilhões e as importações ficaram em US$ 9,729 bilhões.

Em janeiro de 2008, as exportações eram maiores (US$ 15,307 bilhões), assim como as importações (US$ 11,134 bilhões).

Por Kelly Oliveira – Repórter da Agência Brasil.

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Saldo de entrada e saída de dólares fica positivo em US$ 2,8 bi até 13 de fevereiro

Brasília – O saldo da entrada e saída de dólares do país está positivo nos dez primeiros dias úteis de fevereiro. A última vez que o saldo havia ficado positivo foi em setembro do ano passado (US$ 2,803 bilhões). Em meados de setembro de 2008, houve o agravamento da crise financeira internacional, o que levou a saídas de dólares do país maiores do que as entradas.

Até o dia 13 de fevereiro, o fluxo cambial ficou positivo em US$ 1,026 bilhão, valor maior do que o registrado no mesmo período do ano passado (US$ 804 milhões). Nos dados preliminares do mês, tanto as operações financeiras (investimentos em títulos, remessas de lucros e dividendos ao exterior e investimentos estrangeiros diretos, entre outras operações) quanto as comerciais (exportações, importações e financiamento ao comércio exterior) estão positivas. O saldo das operações comerciais em fevereiro está em US$ 730 milhões e das financeiras, em US$ 296 milhões.

No ano, entretanto, o fluxo cambial está negativo em US$ 1,992 bilhão, contra o resultado também negativo de US$ 1,554 bilhão registrado no mesmo período de 2008. No acumulado do ano, as operações financeiras estão negativas em US$ 3,254 bilhões e as comerciais estão positvas em US$ 1,261 bilhão. No mesmo período de 2008, esses valores eram, respectivamente, US$ 6,993 bilhões de saldo negativo e US$ 5,439 bilhões, positivo.

Desde o início de janeiro até 13 de fevereiro, as exportações somaram US$ 15,086 bilhões e as importações, US$ 13,825 bilhões. As operações de Adiantamentos sobre Contratos de Câmbio (ACC) somam US$ 3,821 bilhões e as pagamentos antecipados de exportação (PA) chegam a US$ 2,494 bilhões.

Por Kelly Oliveira – Repórter da Agência Brasil.

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Brasil tem saldo de US$ 796 milhões no fluxo cambial

Brasília – O saldo da entrada e saída de dólares no país até o dia 20 de fevereiro está em US$ 796 milhões, contra US$ 304 milhões alcançado no mesmo período do ano passado. Os dados são do Banco Central. A última vez em que o saldo ficou positivo foi setembro do ano passado (US$ 2,803 bilhões). Em meados de setembro de 2008, houve o agravamento da crise financeira internacional, o que levou a saídas de dólares do país maiores do que as entradas a partir de outubro.

Os dados preliminares de fevereiro mostram que o fluxo comercial (exportações, importações e financiamento ao comércio exterior) está positivo em US$ 2,429 bilhões. Já o fluxo cambial das operações financeiras (investimentos em títulos, remessas de lucros e dividendos ao exterior e investimentos estrangeiros diretos, entre outras operações) está negativo em US$1,633 bilhão.

No acumulado do ano, o fluxo cambial está negativo em US$ 2,222 bilhões, contra US$ 2,053 bilhões do resultado também negativo do mesmo período de 2008. O fluxo financeiro está negativo em US$ 5,183 bilhões e comercial positivo em US$ 2,961 bilhões.

Por Kelly Oliveira – Repórter da Agência Brasil.

NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.agenciabrasil.inf.br.

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