Representantes de cerca de 60 entidades da sociedade civil, lideradas pela Ordem dos Advogados do Brasil, seção São Paulo (OAB-SP), aprovaram ontem em São Paulo um manifesto público contra a corrupção, no qual expressam “indignação diante das denúncias de corrupção em estatais e de pagamento de mesadas a deputados”. No ato de lançamento do manifesto foi aprovada ainda uma “vigília cívica contra a corrupção”, cuja primeira ação serão encontros com os presidentes do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e da Câmara dos Deputados, Severino Cavalcanti (PP-PE), nas próximas segunda e terça-feiras, para exigir a apuração das denúncias que abalam o país.
— Queremos fazer uma vigília cívica contra a corrupção. A nação quer resultados rápidos, com transparência e punição a quem deve ser punido — disse o presidente da OAB-SP, Luiz Flávio Borges D’Urso.
“A corrupção gera um efeito danoso e irreparável ao interesse público e à imagem do Brasil. E precisa ser neutralizada com uma ampla e profunda investigação para inventariar seus danos e autores, responsabilizando-os, civil e criminalmente, dentro do devido processo legal. Para tanto, é fundamental apurar no âmbito de uma Comissão Parlamentar de Inquérito todas as denúncias formuladas”, diz o documento, lançado em ato realizado ontem à tarde na sede da OAB-SP, do qual participaram cerca de 300 pessoas.
“Estamos articulando a defesa das instituições”
Segundo D’Urso, não há semelhança entre o atual momento político do país e o vivido na época do impeachment do ex-presidente Fernando Collor. Em vez do impeachment de Lula, defende o presidente da OAB-SP, é preciso apurar as denúncias para garantir as instituições.
— Não acredito que possamos fazer qualquer paralelo. Estamos articulando a sociedade exatamente para defender as instituições, a traqüilidade e a serenidade que o país precisa para continuar na sua trajetória democrática — disse D’Urso.
No ato falaram representantes da OAB-SP, da Força Sindical, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), do Centro das Indústrias de São Paulo (Ciesp), da Federação do Comércio de São Paulo (Fecomércio), de centrais sindicais e entidades da sociedade civil.
— Chega de corrupção. Lugar de corrupto é na cadeia. Este é o momento de pensarmos na nossa nação, sem corrupção. Corrupção, não. Democracia, sim — discursou Dom José Benedito Simão, bispo auxiliar de São Paulo, representante da CNBB, no ato.
— Defendemos uma CPI responsável. Não queremos crise institucional. Mas queremos a apuração das denúncias e que todo corrupto vá para a cadeia — disse o presidente da Força sindical, Paulo Pereira da Silva, também presidente do PDT paulista.
Fonte: O Globo – Adauri Antunes Barbosa
Deixe um comentário