Executiva Nacional da CUT, reunida nesta quarta, critica o G-20 e promete combater privatizações no Brasil
Durante a reunião da Executiva Nacional da CUT na manhã desta quarta, em São Paulo, os dirigentes debateram a crise internacional e seus desdobramentos mais recentes – como o fato de a União Europeia proibir a Grécia de realizar referendo popular sobre o pacote de “ajuda” econômica e a última reunião do G-20.
Uma das conclusões é a de que as visões progressistas não têm conseguido emplacar na opinião pública uma crítica às decisões tomadas por estados e organismos internacionais. Isso, a despeito de as recentes decisões apontarem na direção errada.
“Os organismos internacionais, muitos governos e a imprensa conservadora continuam insistindo na tese de que as nações, os povos, precisam reduzir seus salários e seus sistemas de proteção social para poder quitar dívidas geradas pela especulação. Isso é um absurdo”, afirmou o presidente da CUT, Artur Henrique.
Ele destacou ainda a supremacia dos bancos sobre a vontade a autonomia das nações. “Como pode um país como a Grécia querer levar o tema à consulta popular e ser impedido pela União Europeia?”. Para o presidente da CUT, “esses são temas que precisam ser politizados. Nós temos de gerar um movimento que discuta as verdadeiras causas da crise e que deixem claro que os povos não podem pagar por um problema que não causaram”, afirmou.
Antes, a subseção do Dieese havia apresentado um balanço da situação econômica internacional que deixou claro que as economias ditas centrais estão optando cada vez mais por “aperto fiscal”, diminuição dos gastos públicos nos países europeus e nos EUA, enquanto na Ásia, à exceção da Índia (devido à inflação), os demais países mantêm política expansionista e continuam crescendo.
Também no plano internacional, o G-20 fez propostas genéricas em sua última reunião no tocante a emprego e proteção social, ainda que aponte claramente para a necessidade de um papel preponderante do FMI no processo de “ajuste”. Uma contradição que procura manter os EUA no comando das ações e, segundo análises apresentadas durante a reunião da Executiva, fazer do G-20 um novo centro de decisões pró-capital.
No Brasil, segundo os números apresentados pela subseção, vários indicadores apontam para a desaceleração da economia, o que poderia ser reflexo do aumento da taxa de juros no início do ano. No mercado de trabalho, embora a geração de vagas esteja mantendo o ritmo, a média salarial perdeu força e se mantém estável em relação ao ano passado, o que indica queda na renda do trabalhador.
A Executiva Nacional também debateu a tendência privatista que o governo federal vem demonstrando, com reflexos em estados e municípios. Além dos leilões anunciados para os aeroportos, há também a disposição do governo em aprofundar as parcerias público-privadas no setor da saúde (Dilma Rousseff e o ministro Alexandre Padilha fizeram declarações a esse respeito na última terça-feira) e o calendário aponta também para novas privatizações nos setores de água e saneamento e de energia elétrica. Foi decidido que haverá somatória de esforços para combater as privatizações em todos os setores.
A Executiva vai produzir resolução sobre estes e outros temas ao final do encontro.
Por Isaías Dalle
NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.cut.org.br