CUT destaca a importância destes empregos, mas ressalta que é preciso combater a precarização neste segmento
A Organização Internacional do Trabalho – OIT em evento conjunto com o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, lançou hoje o Estudo sobre Sustentabilidade e Empregos Verdes no Brasil.
Sob o título Empregos Verdes: Rumo ao Trabalho Decente em um mundo sustentável e com baixas emissões de carbono, o estudo que até então só tinha versões em inglês e espanhol ganhou matizes (e tradução) verde e amarela.
O evento contou com a presença dos Conselheiros e Conselheiras do CDES, além de convidados. Laís Abramo, diretora do escritório da OIT no Brasil abriu a atividade com um breve relato dos empregos verdes e a importância que o tema vem ganhando nacional e internacionalmente.
Em seguida Paulo Muçouçah Coordenador de Projetos da OIT apresentou o estudo contextualizando com perguntas tais como, onde estão quantos são e como evoluirão nos próximos anos esses empregos.
Muçouçah, também apresentou os caminhos percorridos para se chegar aos indicadores que viabilizaram esse estudo.
Após analisar as 675 classes de atividades econômicas da CNAE (Classificação Nacional de Atividades Econômicas) 2.0, e com base na desagregação da RAIS (Relação Anual de Informações Sociais) de 2006 a 2008, a análise resultou em 76 classes de atividades econômicas que foram reagrupadas em seis categorias, são elas:
1. Produção e Manejo Florestal;
2. Geração e distribuição de energias renováveis;
3. Saneamento, gestão de resíduos e de riscos ambientais;
4. Manutenção, reparação e recuperação de produtos materiais;
5. Transportes coletivos e alternativos ao rodoviário e aeroviário;
6. Telecomunicações e tele-atendimento;
Já as atividades econômicas, foram classificadas em quatro grandes eixos:
1. Extração mineral e indústrias de base;
2. Construção, comercialização, manutenção e uso de edifícios;
3. Agricultura, pecuária,caça, pesca e aqüicultura;
4. Turismo e hotelaria.
Após a apresentação do estudo, o assessor especial do Ministro Carlos Minc Luiz Antonio Correia de Carvalho, falou sobre as metas brasileiras anunciadas pelo presidente Lula reforçando um entendimento da necessidade de redução de emissões.
Carvalho também resgatou importantes temas que são a ordem do dia no Ministério, a redução do desmatamento, o zoneamento agroecológico da cana, a recuperação de áreas degradadas, dentre outros. Também destacou o programa Minha Casa Minha Vida, onde 10 mil casas foram construídas com energia solar, “custa muito mais caro desenvolver uma economia baseada no trabalho indecente”, conclui.
O presidente da CUT Artur Henrique da Silva Santos, que estava representando os trabalhadores, disse ser importante classificar o que o Brasil apresenta sobre empregos verdes, mas considera fundamental a inclusão dos trabalhadores no mercado formal.
Artur lembrou também que embora os setores de telecomunicações e tele-atendimento sejam categorias responsáveis pelo aumento dos empregos verdes, há uma enorme precarização sofrida por quem trabalha nestes segmentos e que requer urgente melhora nas condições de trabalho.
Ele demonstrou também preocupação com a transição justa para uma economia verde “como qualificar, preparar e garantir que esses trabalhadores não sejam prejudicados?” avalia.
Outro Conselheiro CUTista presente ao lançamento, o Secretário de Organização Sindical Jacy Afonso de Melo, sugeriu que a OIT tenha também o Português como língua oficial, visando maior agilidade e acesso às produções da Organização.
Jacy reafirmou a importância de associar emprego verde a trabalho decente. Ele, que também é conselheiro do FGTS lembrou que nos próximos dias o Conselho definirá qual investimento será feito com os recursos do Fundo no ano de 2010, “já que o Fundo é um dinheiro dos trabalhadores deve ser investido onde seja melhor para eles, neste caso, em trabalho decente”, finaliza.
NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.cut.org.br.