Brasília – O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, afirmou hoje (21) que o envio da carta do governo do Irã à Agência Internacional de Energia Atômica (Aiea) marca uma nova etapa nas negociações pois os detalhes do acordo poderão ser discutidos e analisados amplamente. Para ele, a pressão internacional, liderada pelos Estados Unidos, em favor da imposição de sanções econômicas contra os iranianos não amedronta nem incomoda o Brasil.
Porém, Amorim recomendou “paciência” para ambos os lados – os iranianos e os favoráveis ao acordo e os que propõem as sanções. Segundo ele, o momento é de buscar uma solução para o impasse que envolve o programa nuclear iraniano e não de assumir posições de impertinência. “Acho que iranianos e proponentes das sanções devem ser mais pacientes”, disse o chanceler, durante entrevista concedida à Agência Brasil e aos correspondentes estrangeiros.
Segundo o ministro, os termos do acordo para a troca do urânio são claros. O acordo determina que o Irã envie 1,2 mil quilos de urânio enriquecido a 3,5% para serem depositados na Turquia. Em troca, no prazo de até um ano, receberá 120 quilos de urânio enriquecido a 20%. Para o chanceler, as perguntas que levantavam dúvidas foram respondidas: a troca será feita ao mesmo tempo e em um prazo definido, além de o local ser a Turquia.
O acordo foi negociado pelos chanceleres do Brasil, da Turquia e do Irã, na última segunda-feira (17), em Teerã. Em seguida, o documento foi avalizado pelos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e o iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, além do primeiro-ministro da Turquia, Tyyiq Erdogan. “Nunca pretendemos dizer que a Declaração de Teerã [o acordo sobre a troca de urânio] resolve todos os problemas. Mas, sim, que é uma medida de segurança”, afirmou.
Amorim se colocou à disposição do chamado Grupo de Viena – Estados Unidos, Rússia, França e a própria agência atômica – em favor das negociações. “Se eles acharem que podemos ajudar, estamos dispostos [a contribuir]”, afirmou.
Hoje (21) o governo do Irã informou que enviará até domingo para a Aiea carta detalhando o acordo firmado no dia 17.
O chanceler evitou comentar os desdobramentos das ações dos Estados Unidos, que articulam pela imposição de sanções via Conselho de Segurança das Nações Unidas em favor de um esboço de resoluções pelas punições ao Irã. Para os norte-americanos e parte da comunidade internacional, há suspeitas de que os iranianos produzam, de forma secreta, armas atômicas.
As autoridades internacionais exigem que todos os detalhes sobre o acordo sejam fornecidos não só à Aiea, como também ao Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU). Os especialistas internacionais também querem que o governo Ahmadinejad forneça garantias sobre a fiscalização de suas usinas atômicas, assim como assegure que seu programa nuclear tem exclusivamente fins pacíficos, afastando a hipótese de produção de armas atômicas.
Por Renata Giraldi – Repórter da Agência Brasil. Edição: Lílian Beraldo.
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ONU diz que acordo com o Irã abre caminho para negociações diplomáticas
Brasília – O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, disse hoje (21) que espera que o acordo aprovado pelo Irã, com a mediação do Brasil e da Turquia, abra caminho para resolver, por meios diplomáticos, a polêmica sobre o programa nuclear iraniano. Ele ressaltou que o acordo deve ser analisado pela Agência Internacional de Energia Atômica (Aiea). As informações são da BBC Brasil.
“Já mencionei o bem-vindo papel da Turquia, trabalhando juntamente com o Brasil, em relação ao Irã”, afirmou Moon, durante discurso em Istambul, na Turquia. “Esperamos que esta e outras iniciativas abram caminho para uma solução negociada.”
A reação de Moon ocorre no momento em que os Estados Unidos defenderam, durante sessão do Conselho de Segurança da ONU, a aprovação de um esboço de resolução fixando sanções contra o Irã. Para os norte-americanos, os iranianos produzem, de forma secreta, armas atômicas no seu programa nuclear.
O governo do Irã informou hoje que, até segunda-feira (24), enviará uma carta com os detalhes do acordo para a Aiea. Paralelamente, a assessoria do primeiro-ministro da Turquia, Tayyp Erdogan, citou a correspondência que ele encaminhou ao presidente norte-americano, Barack Obama. “A Declaração de Teerã [nome oficial do acordo] não encerra o caso do programa nuclear iraniano, mas abre uma importante porta para uma solução por meios diplomáticos”, diz a carta de Erdogan.
“A Turquia continuará seus esforços para [encontrar] uma solução para o problema.” Erdogan disse ter conversado, ao longo desta semana, com Obama, com o primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, e com o novo premiê britânico, David Cameron. Analistas afirmam que, dos 15 países integrantes do órgão da ONU, apenas três – Brasil, Turquia e Líbano, que ocupam assentos temporários – não aprovariam a resolução com as sanções.
O governo do Irã acusou os Estados Unidos de abusarem de sua posição de país-sede da ONU, por negar visto de entrada para o vice-ministro das Relações Exteriores iraniano. Os Estados Unidos não comentaram as alegações.
POr Agência Brasil. Edição: Lana Cristina.
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