Parada GLBT denuncia homofobia, machismo e racismo “cordiais” do brasileiro
Brasília – “Por um mundo sem racismo, machismo e homofobia” é o lema dos 3 milhões de manifestantes esperados esta tarde para a 11ª Parada do Orgulho GLBT (Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis, Transgêneros e Transexuais), na Avenida Paulista. “Queremos chamar a sociedade para discutir a questão do machismo, do racismo e da homofobia, tratando de colocar que os GLBTs também são negros, mulheres e sofrem duplo preconceito”, afirma o presidente da Associação da Parada GLBT, Nelson Matias Pereira. “Por mais que nós pensemos que as pessoas mudaram, ainda há racismo e machismo cordial no Brasil”.
Além da associação da homofobia com o racismo e o machismo, a Parada vai lembrar os temas de outros anos, como a falta de políticas públicas para homossexuais e a necessidade do Congresso Nacional criar leis específicas.
Para avaliar o nível da discriminação contra os homossexuais, a Associação realizou ano passado uma pesquisa que deve ser repetida neste ano. A intenção é fazer um mapeamento da parada, para saber a origem das pessoas e o perfil político e socioeconômico. De acordo com Pereira, no ano passado foram entrevistadas 2 mil pessoas e desse total, 60% já haviam sofrido algum preconceito ou violência. “O mais estarrecedor é que pela primeira vez eles estavam contando isso a alguém”, disse.
Por Flávia Albuquerque – Repórter da Agência Brasil.
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11ª Parada do Orgulho GLBT em São Paulo espera reunir 3 milhões de pessoas
São Paulo – Pelo menos três milhões pessoas são esperadas para a 11a Parada do Orgulho GLBT (Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis, Transgêneros e Transexuais), prevista para a tarde de hoje (11) na Avenida Paulista. No ano passado, segundo os organizadores do evento, compareceram cerca de 2,8 milhões de pessoas.
Apesar da dimensão que a Parada de São Paulo ganhou, chegando a ser a maior do mundo, há alguns anos a menor preocupação da organização tem sido com os números. A expectativa da orgazniação é que se o público do ano passado se repetir já será uma grande vitória. O presidente da Associação da Parada GLBT, Nelson Matias Pereira, lembrou que nenhum outro movimento de sociedade civil no Brasil ou no mundo consegue levar às ruas uma quantidade tão expressiva de pessoas e com tanta diversidade, inclusive com a presença de famílias inteiras.
“Hoje, segundo pesquisas, até 40% dos participantes da Parada são heterossexuais. Além de fortalecer a questão da nossa sexualidade, e de dizer para a sociedade o que queremos, nós conseguimos agregar a diversidade. As pessoas que estão lá são de vanguarda e estão dizendo que não aceitam essa sociedade intolerante, com preconceito”, analisou.
Por Flávia Albuquerque – Repórter da Agência Brasil.
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Tramitam na Câmara pelo menos 30 projetos sobre direitos de homossexuais
Brasília – Pelo menos 30 projetos que tratam dos direitos dos homossexuais tramitam na Câmara dos Deputados. A maioria deles abrange a união civil de pessoas do mesmo sexo e a ampliação dos direitos de casais heterossexuais para os homossexuais.
A demora na apreciação dos projetos é a principal reclamação dos integrantes de organizações não-governamentais que lutam pelos direitos dos homossexuais. Matéria que regulamenta a união homossexuais, por exemplo, está há 12 anos em tramitação na Câmara e ainda não foi votada. O projeto é de autoria da então deputada Marta Suplicy, hoje ministra do Turismo, e dispõe sobre união homoafetiva.
Outro projeto, do deputado Maurício Rands (PT-PE), permite a inclusão de companheiro homossexual de um segurado do INSS. Essa proposta aguarda parecer na Comissão de Trabalho da Casa. “Não existe fundamento, à exceção do recurso ao preconceito filosófico, moral ou religioso, que justifique um integrante de um casal formado por pessoas de sexos opostos poder designar seu dependente o companheiro ou a companheira e um partícipe de um casal do mesmo sexo, não”, afirma o deputado em sua justificativa ao projeto.
No Senado, tramita projeto originado na Câmara que define como crime a discriminação por conta de orientação sexual. Em fase de realização de audiências públicas para discussão no Senado, a proposta pune com até cinco anos de prisão quem impedir ou proibir o acesso de homossexuais, bissexuais e transgêneros, ou a permanência deles, a qualquer ambiente público ou privado aberto ao público. Também pune quem recusar, negar ou excluir em qualquer sistema de seleção educacional ou de promoção profissional ou até recusar ou impedir a hospedagem em hotéis, motéis e pensões.
Para impedir o preconceito contra homossexuais, a Secretaria Especial de Direitos Humanos criou o Programa Brasil sem Homofobia em 2003. Entre outras atividades, o programa prevê a capacitação de profissionais de todos os centros e núcleos de referência para combate à homofobia no país. A meta é ampliar as atividades do programa com a criação de mais seis centros de referência ainda neste ano, em cidades com alto índice de violência.
E a Justiça tem atendido a diversos pedidos de adoção de crianças por homossexuais. O assunto começou a ser enfrentado abertamente pela Justiça na década de 90, quando o titular da 2ª Câmara Civil do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, Siro Darlan, aprovou as primeiras adoções por homossexuais solteiros. Desde então, 23 crianças foram adotadas por gays e lésbicas no estado.
Por Priscilla Mazenotti – Repórter da Agência Brasil.
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