Lula diz que Lugo sabe que o Brasil está disposto a chegar a um consenso sobre Itaipu
Brasília – Mesmo sem fechar acordo sobre a Hidrelétrica de Itaipu com o Paraguai, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse hoje (8) que não há frustração com o país vizinho. Segundo ele, o presidente paraguaio Fernando Lugo está ciente de que o Brasil está disposto a chegar a um consenso.
O presidente minimizou o impasse entre os dois países, alegando que “muitas vezes” os acordos demoram a sair. “Acho que o Lugo saiu satisfeito e ciente de que o Brasil tem boa vontade com o Paraguai”, disse Lula, em Campo Grande (MS), após participar da viagem inaugural do Trem do Pantanal.
Antes de embarcarem para Mato Grosso do Sul, Lula e Lugo concederam entrevista à imprensa em Brasília na qual disseram que darão continuidade às negociações e se encontrarão novamente em julho. Eles se reuniram ontem (7) sem chegar a um entendimento.
O Paraguai quer aumentar a tarifa paga pelo Brasil pela energia de Itaipu, rever a dívida contraída por causa da construção da usina e a livre disponibilidade de vender a energia excedente para o país.
Para atender algumas das demandas, seria preciso mudar o Tratado de Itaipu, de 1973, em que cada país tem direito a 50% da energia produzida. O Paraguai usa somente 5% e o restante fica com o Brasil, como determina o tratado, que paga a energia excedente.
Em contrapartida, o Brasil oferece a criação de uma linha de crédito de US$ 1 bilhão do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para obras de infraestrutura no país vizinho e de um fundo binacional para estimular a atividade produtiva.
Lula não antecipou mudanças em relação à poupança, pois não quer especular para prejudicar terceiros. Ele disse que vai esperar conclusões do ministro da Fazenda, Guido Mantega. Lula voltou a garantir que “os pobres não perderão nada nesse país”. No início da semana, Mantega descartou redução do rendimento da poupança, independente das mudanças a serem adotadas.
Em ocasiões anteriores, o presidente afirmou que estuda alterações na caderneta para evitar a migração de grandes investidores.
Sobre alianças regionais com o PMDB, o presidente afirmou que trabalha para uma aliança nacional com o partido – o maior da base governista no Congresso Nacional – apesar de admitir que enfrentará dificuldades em alguns estados.
Por Carolina Pimentel – Repórter da Agência Brasil.
NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.agenciabrasil.inf.br.