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Por 10:17 Bancos, Campanha, Destaque

Paralisação de 24h em todo o país consolida unidade nacional da categoria bancária

Bancárias e bancários realizaram, nesta quinta-feira (20), uma paralisação nacional de 24h, como advertência à Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) pela falta de respostas às reivindicações por reajustes acima da inflação nas remunerações e melhores condições de trabalho. 

“A paralisação foi um sucesso, com adesão em todo o país, reafirmando a tradição de unidade nacional das bancárias e dos bancários. O recado está dado de que a categoria quer respeito e valorização”, avalia a presidenta da Confederação Nacional das Trabalhadoras e dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), Juvandia Moreira.

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Neste ano, os trabalhadores do setor realizam a Campanha Nacional Unificada, para a renovação da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT). “Em oito rodadas de negociação com a Fenaban, iniciadas no começo de julho, não obtivemos nem uma proposta concreta às nossas reivindicações. Essa atitude dos banqueiros é que levou às assembleias onde aprovamos, com 90%, o dia nacional de paralisação”, explica Juvandia Moreira, que também é coordenadora do Comando Nacional das Bancárias e dos Bancários.

A dirigente destaca que, nos últimos anos, o setor bancário vem passando por um processo rápido de reestruturação com resultados agressivos sobre os trabalhadores.

“Fizemos uma consulta nacional com cerca de 55 mil bancários de todo o país e 40% afirmaram que tomaram, no último ano, remédios controlados, como antidepressivos, ansiolíticos e estimulantes. O nosso levantamento corroborou um outro dado que nós sempre apresentamos para a Fenaban, nas mesas de negociação, de que os bancários compõem boa parte do índice de afastamentos pelo INSS por doenças mentais ligadas ao trabalho – em 2024, que é o dado mais recente que conseguimos obter, a nossa categoria representou 25% do total. Esse é o resultado do modelo de gestão adoecedora empregado hoje no sistema financeiro”, completa Juvandia.

O movimento sindical aponta ainda que os banqueiros estão bastante reticentes em atender às reivindicações por reajuste salarial e nas demais remunerações (como PLR, vales refeição e alimentação), acima da inflação, além de melhorias no piso e criação de um piso para os trabalhadores de Tecnologia da Informação (TI), área que mais tem crescido dentro dos bancos.

“Em 2025, o setor, como um todo, registrou lucro líquido de R$ 171 bilhões, sendo R$ 124 bilhões só dos cinco maiores bancos, que concentram a maior parte desse mercado. Mesmo nos anos recentes, durante a pandemia e pós pandemia, em que outros setores sofreram com impactos internos e externos, os bancos continuaram com um bom desempenho e em segurança. Ainda assim, estamos chegando próximo ao fim da data base (31 de agosto), quando a CCT precisará ser renovada, sem nenhuma sinalização da Fenaban de qual será o reajuste para a categoria”, observa Juvandia Moreira.

Se de um lado, na mesa de negociação com os trabalhadores, os banqueiros enrolam para apresentar um índice, do outro, a remuneração média para os altos executivos dos três maiores bancos privados do país para 2026 já está prevista e será de R$ 12,5 milhões – um valor 120 vezes superior à remuneração média anual de um escriturário (somando salário, 13º, férias, tíquetes e PLR).

“Como trabalhadores, estamos exigindo nossos direitos, que são a valorização da remuneração de quem constrói os resultados dos bancos e um ambiente de trabalho livre de assédio moral, porque os altos índices de adoecimento na categoria estão ligados ao abuso da gestão por metas sobre equipes cada vez menores para atender os clientes, que também estão sendo prejudicados com essa reestruturação de fechamento de agências e eliminação dos postos de trabalho”, arremata Juvandia Moreira.

Digitalização e concorrência não justificam ritmo da reestruturação

Os trabalhadores contestam a tese defendida pelo setor patronal de que o encerramento de unidades físicas e postos de trabalho é consequência inevitável da digitalização e do aumento de concorrência dos bancos com empresas que passaram a prestar os mesmos serviços.

“O ramo financeiro, como um todo, não está encolhendo. Pelo contrário, o saldo dos últimos anos é positivo, é de crescimento. O único setor do ramo no sentido contrário é o bancário”, salienta Juvandia.

Entre 2015 e 2025, enquanto o setor bancário fechava 88 mil postos e 9,5 mil agências, os cinco maiores bancos aumentavam em 49% os contratos com correspondentes bancários, terceirizando seus serviços. No período mais recente, entre janeiro de 2025 e maio de 2026, tirando o setor bancário (com movimentação negativa de 15.289 vagas), o ramo financeiro apresentou movimentação positiva de 23.939 postos de trabalho.

“Os bancos tradicionais reclamam da concorrência, mas foram eles mesmos que abriram espaço para outras empresas, com a decisão de reduzir a qualidade de atendimento aos clientes por meio do fechamento de agências e da sobrecarga dos funcionários”, argumenta a presidenta da Contraf- CUT.

Segundo levantamento do Dieese, o lucro por empregado nos bancos foi de R$ 438 mil, em 2025, ano em que foram realizadas 7,2 bilhões de transações em agências bancárias físicas, número que corresponde a uma média de aproximadamente 28,6 milhões de transações por dia útil.

“O quadro real que temos hoje é que os bancos continuam batendo recordes de lucros, mas com base em salários achatados e no adoecimento de trabalhadores. É por isso que, dentro das nossas várias lutas, está a de que a sociedade saiba que os bancos não estão assumindo as obrigações para com os trabalhadores e para com os clientes. Pelo contrário, estão visando cada vez mais o lucro”, conclui Juvandia Moreira.

Fonte: Contraf-CUT

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