Participação é a chave para a conquista das relações compartilhadas
São Paulo – Bancária no Itaú há 30 anos, casada há 20, Maria Helena tem dois filhos, um de 16 e outro de 18. Cercada por homens, ela vive a cansativa dupla jornada encarando diariamente os desgastes psicológicos e físicos causados pela correria do seu dia-a-dia. São duas horas de trajeto casa-trabalho e vice-versa, levando em conta o trânsito da capital. Além disso, antes e após a jornada no banco, Maria tem os afazeres domésticos a lhe esperar.
A realidade dela infelizmente é igual à de muitas outras mulheres: a convivência com uma sociedade ainda machista, em que equívocos relacionados à relação compartilhada ainda são comuns. “Meus filhos e meu marido acham que dividem as tarefas, mas na verdade eles apenas ajudam com a freqüência que lhes convém”, diz Maria. A solução, em sua opinião, é uma divisão igualitária das tarefas, para conquistar a harmonia, satisfação e qualidade de vida tanto para as mulheres quanto para os homens, sem diferenças.
Algumas conquistas do Sindicato, como o auxílio creche/babá, ajudam a minimizar o sofrimento ou ao menos amenizar os gastos com os filhos nos primeiros anos de idade. Outra solução que Maria apóia e o Sindicato reivindica é a redução da jornada de trabalho sem redução nos salários. “Fora a jornada de trabalho que já me distancia da minha família e ainda reduz o tempo para eu cumprir as tarefas do lar, em alguns períodos não tenho hora para entrar e nem para sair do banco. Mal vejo meus filhos e meu marido”, lamenta a bancária.
Campanha – O Sindicato conhece e apóia a luta das trabalhadoras. Em março de 2002, a entidade realizou a campanha Relações Compartilhadas – Um Outro Mundo é Possível. A iniciativa contou com o apoio da Fundação para a Igualdade de Gênero, da Agência Canadense para o Desenvolvimento Internacional, e contou com uma série de debates e a produção de material informativo sobre o tema.
“A importância desse tema é enorme. Estudos recentes apontam que as mulheres estão reduzindo sua participação no mercado de trabalho, apesar do crescimento no número de vagas. Isso demonstra que mais homens estão no mercado de trabalho formal enquanto mais mulheres atuam em casa. Se isso não for uma escolha feminina, fere o princípio da autonomia e do nosso direito ao crescimento profissional”, diz a diretora do Sindicato Ana Tércia Sanches.
Por Gisele Coutinho – 07/03/2008.
NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.spbancarios.com.br.