Em pleno século XXI, negras e negros de nosso país continuam oprimidos, vide noticia matéria publicada no sítio da CUT Nacional com o nome, (Globo humilha negros no mês da consciência negra).
Pesquisas do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), do DIEESE (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) e da OEI (Organização dos Estados Ibero-americanos para a Educação, Ciência e a Cultura) demonstram que a população negra ainda enfrenta problemas de desigualdade social, como o desemprego, dificuldade no acesso à escola, renda inferior e violência.
Segundo os estudos, o grau de escolaridade é menor e o rendimento médio é equivalente à metade do recebido pela parcela da população considerada não negra. Nos dois estudos (OEI e DIEESE com IBGE)foi constatado que mais da metade dos desempregados são negros. Há ainda um triste destaque para mulheres negras ocupando os piores empregos, situação que está diretamente ligada ao racismo e preconceito no processo de seleção.
A baixa renda das famílias negras obriga boa parte dos jovens a abandonar precocemente a escola para o ingresso no mercado de trabalho. Muitos destes empregos de baixa remuneração e pouco reconhecimento neste mercado.
Outra forma de violência que podemos citar é a maneira como os meios de comunicação retratam negros e negras como subalternos, escravos, sem família e como trabalhadores sem qualificação. Quando recebem algum papel de relevância são tratados como corruptos, trambiqueiros, trapaceiros e desajustados ou são humilhados em boa parte da trama com um final nem sempre feliz.
Por tudo isso, no dia 20 de novembro as organizações do Movimento Negro saem às ruas clamando por: inclusão no mercado de trabalho, dos trabalhadores negros e negras, titulação das terras das Comunidades Quilombolas, democratização do acesso da juventude negra à universidade pública, aprovação do Estatuto da Igualdade Racial, melhor distribuição de renda, acesso à educação e saúde com qualidade e específica para a raça negra, principalmente as mulheres, cultura e lazer, habitação e respeito às religiões de matrizes africanas.
Em solidariedade a estes movimentos, a FETEC-CUT-PR, vem publicando e divulgando, quase que anualmente, neste dia, pesquisa apontando como anda a população negra nos bancos do Paraná, e o que vemos é que a discriminação continua. Enquanto a população negra no Paraná é de 25,8 %, e em Curitiba de 11,0%, nos bancos que atuam no Paraná, nós passamos de 1,4 % em 2005 para 1,9% dos postos de trabalho bancário em 2009, ou seja, se podemos dizer que houve alteração nesses números nos últimos quatro anos, ela foi incipiente para quase inexistente.
Estes números só não são ainda piores porque nos bancos públicos mais especificamente no Banco do Brasil, a presença dos Negros proporcionalmente aos números de bancários pesquisados tem percentual maior que os bancos privados, demonstrando que Negros também passam em concursos apesar das adversidades.
O percentual de Negros no Banco do Brasil tem se mantido na casa dos 2,0%, já o da Caixa Econômica Federal com exceção deste ano, talvez pelo fato da pesquisa ter sido mais direcionada às agencias e não tanto para os centros administrativos onde a Caixa e alguns bancos privados tem uma concentração maior de Negros trabalhando, se mantém entre 1,5% a 2,0%.
Este ano a pesquisa traz também uma novidade, que não é boa notícia, pois a primeira pesquisa feita em nível estadual sobre a presença de trabalhadores com deficiência nos bancos, é tão ruim quanto a sobre os afrodescendentes. Apesar de existir lei que estipula cota de contratação de pessoas com deficiência no nível de 5,0% dos empregados, para empresas que possuem mais de cem funcionários, num ambiente de 1738 bancários pesquisados, apenas 32 tem algum tipo de deficiência, ou seja, 1,8% destes companheiros trabalhadores, mostrando o quanto as empresas bancárias deixam de cumprir a lei.
Analisando a pesquisa, dá para notar que dentre os oito bancos que aparecem na pesquisa, dois bancos privados se destacam positivamente contratando acima do percentual da cota exigida por lei, com números de 5,4% e 7,8% de seus funcionários. Já os bancos públicos neste quesito deixam a desejar, a Caixa com 1,7% e o Banco do Brasil com apenas 0,6%.
Mas o campeão de não contratação de pessoas com deficiência é o Bradesco. Com o Mapa da Diversidade em discussão entre o Ministério Público do Trabalho e o Movimento Sindical, este banco, como no caso da implantação do auxilio-educação para seus funcionários, reluta na contratação de pessoas com deficiência no Paraná, só 0,4% de pessoas com deficiência fazem parte do quadro de funcionários deste banco. Isto se faz necessário citar pelo simples fato de o Bradesco ser um dos maiores bancos do País. Aonde está a responsabilidade social ?
Por Admilson Figueiredo, que é trabalhador bancário e Secretário de Políticas Sociais da FETEC-CUT-PR.