Deputados petistas rechaçaram nesta terça-feira a tentativa da oposição de prejudicar o ingresso da Venezuela no Mercosul em razão do episódio das críticas do presidente venezuelano, Hugo Chávez, ao Congresso brasileiro. Para os petistas, a discussão é oportunista, já que a incorporação da Venezuela é compatível com a cláusula democrática assumida pelos sócios do Mercosul e também com o projeto de desenvolvimento econômico e social da região. O que está se incorporando ao bloco é a nação venezuelana e não o governo Chávez, afirmam os parlamentares do PT.
A oposição anunciou que vai obstruir a tramitação, na Câmara e no Senado, do protocolo que prevê a adesão da Venezuela ao Mercosul. O protocolo está nas comissões técnicas da Câmara – já foi aprovado pelo Paraguai e Argentina, que também integram o bloco.
Na avaliação de parlamentares do PT, o que está se incorporando é a nação venezuelana e não o governo Chávez. “ O oportunismo da oposição tentar vincular uma questão à outra porque uma discussão sobre um ato administrativo da Venezuela – a não-renovação da concessão de uma emissora de televisão – não pode ser confundida com o interesse de organizar as economias dos países do bloco”, disse o presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (PT-SP). “ Chávez agiu de acordo com legislação local. Não vamos discutir, no âmbito do Mercosul, se está certo ou errado”,
Ele condenou a atitude de Chávez de criticar o Congresso brasileiro, pois entende que não cabe ao presidente venezuelano emitir opiniões sobre o Legislativo do país.
O líder do PT na Câmara, deputado Luiz Sérgio (RJ), declarou que da mesma forma que “não queremos que Chávez opine sobre a nossa política, devemos entender também que não temos direito de opinar sobre a política de Chávez. Lá há os partidos políticos e não nos cabe fazer ingerência na política do povo venezuelano”.
O deputado Dr. Rosinha (PT-PR), vice-presidente do Parlamento do Mercosul, reafirmou a importância do ingresso da Venezuela no bloco sul-americano e observou que o país, pela sua capacidade econômica e energética, tem muito a contribuir com o bloco.
“O debate que eu vou fazer é da seguinte maneira: nós queremos ou não queremos ampliar o Mercosul? Se queremos ampliar o Mercosul, nós temos que debater o que significa a entrada de um determinado país. E a entrada da Venezuela significa maior capacidade política para o debate internacional, maior capacidade econômica, no sentido de ampliação de mercado. Portanto, a entrada de um novo país significa dar ao Mercosul maior capacidade de inserção e maior capacidade de negociação nas políticas internacionais e na economia”, defendeu.
Segundo ele, o que se discute é entrada da Venezuela, independentemente de quem seja o governo. “Esse pessoal da Arena, que agora se chama Democrata, apoiou o fechamento de vários órgãos de imprensa no Brasil na época da ditadura e nem reagiu com indignação quando a RCTV- a emissora cuja concessão não foi renovada agora por Chávez – esteve na tentativa de golpe de Estado em 2002. Chávez não está fechando a rede de TV; simplesmente venceu a concessão, que não foi renovada”, afirmou.
O presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), afirmou hoje que é bom para o Mercosul que a Venezuela entre no bloco. Questionado sobre o fato de o presidente Hugo Chávez ter fechado o canal de televisão mais popular do país e ter criticado o Congresso brasileiro em razão da nota dos senadores, Chinaglia respondeu: “Uma coisa não tem nada a ver com a outra. Eu não vou fazer disso o centro da ação política”.
Por Equipe Informes.
NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.informes.org.br.