As pressões de políticos do PT e do ministro da Casa Civil, José Dirceu, para o abrandamento das políticas monetária e fiscal começaram a se consubstanciar em rumores sobre uma possível saída de diretores identificados com a área mais conservadora do Banco Central. Ontem, o presidente do BC, Henrique Meirelles, negou-se a comentar o que chamou de “boatos” sobre uma possível saída dos diretores de Assuntos Internacionais, Alexandre Schwartsman, e de Política Econômica, Afonso Bevilaqua.
Mas, de forma reservada, fontes do BC afirmam que tanto Schwartsman quanto Bevilaqua não têm intenção nenhuma de deixar o cargo. Sobre o primeiro, chegaram a circular informações de que já teria comunicado sua intenção de sair. Segundo essa versão, ele estaria insatisfeito com a perda de poder que terá com a transferência do BC para o Tesouro, a partir de janeiro, da tarefa de lançar bônus soberanos.
No BC, porém, a informação é essa não seria uma justificativa verossímil para sua saída – e que Schwartsman sabia, desde quando assumiu o cargo, que o Tesouro iria passar a comandar as emissões. O principal projeto na Área Internacional do BC, hoje, é a desregulamentação do mercado de câmbio, que segue em frente – no qual o diretor está “profundamente envolvido”. Independentemente desses projetos, a principal motivação para Schwartsman, um macroeconomista, permanecer no BC são os trabalhos no Comitê de Política Monetária (Copom). Identificado com a área mais conservadora do BC, Bevilaqua já foi mais de uma vez apontado como um possível demissionário. Na interpretação de fontes do BC, as informações que circularam sobre uma possível saída de diretores estão ligadas a uma nova investida para mudar a política econômica. Desde a semana passada, foram veiculadas informações, identificadas como originárias da Casa Civil ou de políticos do PT, na tentativa de sugerir que a diretoria do BC estaria mais fraca ou que teria perdido parte de sua autonomia.
Nesta linha, foi publicado que a retomada das intervenções do BC no mercado de câmbio só ocorreu por ordem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O BC vem mantendo a estratégia de se manter calado, acreditando que os resultados da política econômica sobre o crescimento possam esvaziar o fogo amigo.
Uma exceção ocorreu sexta-feira, quando o BC divulgou nota negando que tivesse abandonado sua meta de inflação de 5,1% por uma mais frouxa, de 5,3%. A reação só ocorreu porque a informação teve efeitos nos juros. O mercado passou a apostar que, com uma meta de inflação um pouco mais alta, o BC poderia manter um aperto um pouco menor. A nota à imprensa visava corrigir essa percepção. Episódios como esse, na avaliação de fonte do BC, arranham a credibilidade do Copom e aumentam o custo da política monetária.
Fonte: Valor Econômico – Alex Ribeiro
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Por Mhais• 21 de dezembro de 2004• 10:34• Sem categoria
Pressão política motiva os rumores sobre o BC
As pressões de políticos do PT e do ministro da Casa Civil, José Dirceu, para o abrandamento das políticas monetária e fiscal começaram a se consubstanciar em rumores sobre uma possível saída de diretores identificados com a área mais conservadora do Banco Central. Ontem, o presidente do BC, Henrique Meirelles, negou-se a comentar o que chamou de “boatos” sobre uma possível saída dos diretores de Assuntos Internacionais, Alexandre Schwartsman, e de Política Econômica, Afonso Bevilaqua.
Mas, de forma reservada, fontes do BC afirmam que tanto Schwartsman quanto Bevilaqua não têm intenção nenhuma de deixar o cargo. Sobre o primeiro, chegaram a circular informações de que já teria comunicado sua intenção de sair. Segundo essa versão, ele estaria insatisfeito com a perda de poder que terá com a transferência do BC para o Tesouro, a partir de janeiro, da tarefa de lançar bônus soberanos.
No BC, porém, a informação é essa não seria uma justificativa verossímil para sua saída – e que Schwartsman sabia, desde quando assumiu o cargo, que o Tesouro iria passar a comandar as emissões. O principal projeto na Área Internacional do BC, hoje, é a desregulamentação do mercado de câmbio, que segue em frente – no qual o diretor está “profundamente envolvido”. Independentemente desses projetos, a principal motivação para Schwartsman, um macroeconomista, permanecer no BC são os trabalhos no Comitê de Política Monetária (Copom). Identificado com a área mais conservadora do BC, Bevilaqua já foi mais de uma vez apontado como um possível demissionário. Na interpretação de fontes do BC, as informações que circularam sobre uma possível saída de diretores estão ligadas a uma nova investida para mudar a política econômica. Desde a semana passada, foram veiculadas informações, identificadas como originárias da Casa Civil ou de políticos do PT, na tentativa de sugerir que a diretoria do BC estaria mais fraca ou que teria perdido parte de sua autonomia.
Nesta linha, foi publicado que a retomada das intervenções do BC no mercado de câmbio só ocorreu por ordem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O BC vem mantendo a estratégia de se manter calado, acreditando que os resultados da política econômica sobre o crescimento possam esvaziar o fogo amigo.
Uma exceção ocorreu sexta-feira, quando o BC divulgou nota negando que tivesse abandonado sua meta de inflação de 5,1% por uma mais frouxa, de 5,3%. A reação só ocorreu porque a informação teve efeitos nos juros. O mercado passou a apostar que, com uma meta de inflação um pouco mais alta, o BC poderia manter um aperto um pouco menor. A nota à imprensa visava corrigir essa percepção. Episódios como esse, na avaliação de fonte do BC, arranham a credibilidade do Copom e aumentam o custo da política monetária.
Fonte: Valor Econômico – Alex Ribeiro
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