O Produto Interno Bruto (PIB) do Japão registrou uma contração de 12,7% no último trimestre de 2008 em comparação ao mesmo período de 2007, e de 3,3% em relação ao trimestre imediatamente anterior.
Os dados indicam o pior desempenho da economia do país desde 1974, quando, em plena crise do petróleo, houve uma queda de 3,4% no primeiro trimestre em comparação ao anterior, e de 13,1% em relação ao mesmo trimestre do ano anterior.
O período de outubro a dezembro de 2008 foi o terceiro trimestre consecutivo em que a economia japonesa teve crescimento negativo. Entre abril e junho, o país amargou uma queda de 3% no PIB, enquanto de julho a setembro a retração foi de 0,4%. No acumulado do ano, o recuo foi de 0,7%, fato que não acontecia há nove anos.
“Esta é a pior crise desde o final da Segunda Guerra Mundial”, disse ministro da Economia e Política Fiscal japonês, Kaoru Yosano. “A economia do Japão, cujo crescimento depende muito das exportações, ficou literalmente arrasada pela crise”, comentou.
Segundo o relatório divulgado pelo governo, os principais responsáveis pela acentuada queda no PIB foram a redução nas exportações e a também a valorização do iene.
Com isso, analistas já esperam para os próximos meses novas listas de cortes em massa de funcionários, quedas de lucros e diminuição da produção nas fábricas.
Somente neste começo de ano, as empresas tradicionais Panasonic, Pioneer, Nissan e NEC anunciaram juntas a demissão de 65 mil funcionários.
Novo pacote
Para tentar salvar a economia japonesa do naufrágio, o governo japonês já se adiantou em anunciar um novo pacote econômico. Será a terceira tentativa do governo, desde o final de 2008.
Entre as principais medidas estariam o financiamento de grandes projetos públicos, como a reforma de aeroportos e outras estruturas. Além disso, o governo quer estimular o desenvolvimento de empresas “verdes”.
O governo também estuda medidas para ajudar empresas que não conseguem sair do vermelho.
Nesta segunda-feira, o primeiro-ministro Taro Aso pediu ao Partido Liberal Democrata (PLD) para que as novas medidas comecem a ser formuladas. A ideia é apresentar em abril um projeto de orçamento adicional ao Parlamento.
Segundo fontes ligadas ao governo, em depoimento a jornais japoneses, o governo quer pressionar o Parlamento a liberar uma ajuda que poderá chegar a US$ 109 bilhões.
A mídia japonesa deu destaque ao assunto nesta segunda-feira. Alguns analistas entrevistados por emissoras de tevê disseram que o Japão só vai conseguir se re-erguer depois que China e Estados Unidos saírem da crise.
“O Japão será incapaz de superar a crise sozinho”, já havia alertado Yosano. “As fronteiras não existem na economia. Nossa economia arrancará de novo ao mesmo tempo que a de outros países”, previu o ministro.
A pior recessão que o Japão já enfrentou, no começo dos anos 80, em conseqüência da crise do petróleo, durou 36 meses.
Por Ewerthon Tobace – De Tóquio para a BBC Brasil.
NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2009/02/090216_japaopibcriseml.shtml.
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Entenda o pacote de estímulo americano
O Congresso dos Estados Unidos aprovou o pacote de US$ 787 bilhões de estímulo à economia proposto pelo presidente Barack Obama.
O plano agora deve ser enviado à Casa Branca para ser sancionado pelo presidente.
Obama disse várias vezes que os Estados Unidos poderiam enfrentar um verdadeiro desastre econômico se não fossem adotadas medidas radicais para combater a atual crise.
Encontre aqui respostas para suas dúvidas sobre o pacote e o que ele deve representar para a economia americana.
Em que consiste o pacote de estímulo?
O pacote de estímulo à economia é uma conjunto de medidas destinadas a maximizar seu apoio político, incluindo redução de impostos, gastos extras com infra-estrutura e ajuda direta aos Estados americanos, que estão enfrentando suas próprias dificuldades com o orçamento.
O líder da maioria no Senado, Harry Reid, disse que o acordo “superou as divergências” entre a ajuda de US$ 820 bilhões aprovada pela Câmara dos Representantes e uma versão diferente de US$ 838 bilhões aprovada pelo Senado.
A versão aprovada inicialmente pela Câmara, na qual 30% seriam compostos de redução de impostos, incluía um corte equivalente a US$ 500 no imposto de renda para pessoas físicas.
Outra grande parcela do dinheiro seria destinada a ajudar os Estados a diminuir a falha orçamentária e evitar que demitissem funcionários públicos, além de reforçar o pagamento de benefícios aos cidadãos mais necessitados.
Por fim, a proposta na Câmara incluía ainda uma quantia destinada a investir em projetos de infra-estrutura, como a restauração de estradas e pontes, a melhora do isolamento térmico de casas e o conserto de salas de aulas nas escolas públicas.
Já o pacote aprovado pelos negociadores do Senado determina mais redução de impostos (36% do total) e menos dinheiro destinado aos Estados.
Por que o governo propôs um pacote de estímulo tão grande?
Segundo muitos economistas, a economia dos Estados Unidos está entrando na sua queda mais acentuada desde antes da Segunda Guerra Mundial.
Defensores das medidas dizem que, sem o pacote, a crise que começou no fim de 2007 poderia durar até 2010, pelo menos. A queda na economia já custou 3 milhões de empregos.
O presidente Obama fez da aprovação do pacote a sua prioridade, alegando que outros milhões de empregos também seriam perdidos por causa da crise.
Como a taxa de juros dos Estados Unidos já estão perto de zero, está claro que é necessário considerar outras medidas para reacender a economia.
Por que o plano original foi adiado?
Em parte por causa de disputas partidárias entre republicanos e democratas no Congresso e diferenças de visões da Câmara dos Repesentantes e no Senado sobre o conteúdo do pacote.
A primeira versão passou na Câmara dos Representantes sem receber um único voto republicano. Ela foi modificada no Senado, onde os democratas precisaram do apoio do partido rival para a aprovação, embora sejam maioria naquela casa.
Para conquistar esse apoio, os democratas concederam mais cortes de taxas e determinaram verbas menores para ajudar Estados e governos locais.
O Senado ainda acrescentou US$ 35 bilhões para estimular a aquisição de residências e US$ 11 bilhões para reduzir o custo dos automóveis para os consumidores.
Ele vai funcionar?
Segundo o Escritório Orçamentário do Congresso (CBO, em inglês), o pacote deve reduzir os efeitos mais nefastos da recessão embora não elimine completamente o seu impacto.
O CBO também diz que, embora apenas uma parte do dinheiro deva ser gasto em 2009, a maior parte dele vai ser usado até o final de 2010, quando os efeitos da recessão ainda devem ser visíveis.
Mas muito deve depender da resposta popular e dos governos.
Os cortes nas taxas só vão funcionar se as pessoas gastarem, ao invés de poupar, o dinheiro extra.
Os projetos de infraestrutura devem ser postos em prática rapidamente para conter o desemprego.
Quem vai pagar pelo plano?
O pacote vai ser financiado por empréstimos a serem contraídos pelo governo, aumentando ainda mais a dívida pública americana, que segundo estimativas, deve ultrapassar US$ 1 trilhão este ano.
Nos primeiros quatro meses deste ano fiscal, que começou em outubro, o déficit já alcançou US$ 569 bilhões, um recorde segundo o Tesouro americano.
O governo afirma que as medidas do plano são temporárias e está comprometido, a equilibrar o orçamento no futuro.
Mas gerações futuras podem ter que arcar com os gastos extras de hoje.
NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2009/02/090214_euapacoteentenda.shtml.