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R$ 52 bi em dividendos

As empresas abertas reservaram nos balanços publicados este ano R$ 52,7 bilhões para distribuir aos acionistas, o maior valor da história. Segundo estudo da consultoria Economática com base nos dados de 200 empresas abertas, o total, que inclui R$ 7 bilhões apenas da Petrobras, representa um crescimento de R$ 10 bilhões, ou 24,4%, sobre os R$ 42,412 bilhões reservados nos balanços de 2004. Sem a Petrobras, o crescimento é de 23%, de R$ 37 bilhões para R$ 45 bilhões.

Parte desses dividendos já foi paga no ano passado, caso dos bancos, que em geral antecipam as distribuições mensalmente aos acionistas. Mas grande parte vai mesmo ser creditada ao longo deste ano. Algumas empresas, como a Vale do Rio Doce, antecipam os valores dos dividendos anuais e depois ajustam a quantia ao resultado obtido no ano. O estudo da Economática mostra ainda dez empresas que tiveram lucros todos os anos desde 1999 e no último balanço reservaram o maior valor em dividendos de sua história.

O valor reservado aos acionistas reflete o aumento dos lucros das companhias no período, explica Fernando Exel, presidente da Economática. Isso fica claro ao se observar a relação entre o lucro das empresas e o dividendo provisionado, que se manteve praticamente estável já que ambos subiram na mesma proporção. Essa relação, chamada de “pay-out” pelos analistas, passou de 53,6% nos balanços de 2004 para 53,7% do lucro de 2005 sem a Petrobras, e de 48,2% para 48,5% com a estatal. Entre os setores, porém, há diferenças nesse percentual.

Um dos que merece destaque é o de energia elétrica, que aumentou a parcela do lucro reservada para distribuição de 55,3% nos balanços de 2004 para 82,6% em 2005. “Depois das vacas magras, com os efeitos do apagão, reestruturações e alto endividamento, os acionistas querem ver a cor do dinheiro”, afirma Exel. O setor de telecomunicações é outro caso em que acionistas estão tirando o máximo do lucro. Apesar da queda, de 118,6% em 2004 para 94,9% do lucro em 2005, o percentual reservado aos acionistas é o mais elevado da lista.

Ele chama a atenção para o setor de banco, que se mantêm num nível histórico, próximo dos 30% do lucro distribuído. “É um pay-out baixo levando-se em conta que a fase de grandes investimentos em fusões e aquisições já passou”, afirma. “O setor faz as manchetes dos maiores lucros, mas vem sendo pouco generoso nos dividendos.”

Muitas empresas foram afetadas pela valorização do real, que reduziu os ganhos das exportadoras, como nos setores de siderurgia e mineração. Mas, no caso de siderurgia, as perdas na receita com o dólar mais baixo foram compensadas pela queda no endividamento em dólar. Na mineração, ajudou a alta dos preços internacionais.

Exel recomenda cuidado ao se analisar as políticas de dividendos por setor. No caso de minerais não metálicos, por exemplo, o setor é quase todo representado por Eternit, que paga quase 100% do lucro em dividendos e puxa a média geral. No setor “outros”, quem puxa a média é a Souza Cruz.

O valor dos dividendos cresce acompanhando a forte geração de caixa das empresas, diz André Caminada, um dos gestores do fundo Ace Dividendos, do Banco Itaú. Mas, em relação ao retorno sobre o preço da ação, o chamado “dividend yield”, o ganho do investidor caiu, uma vez que os preços dos papéis em bolsa subiram bastante no ano passado e neste ano. “Mas ainda há alguns setores interessantes, como saneamento, que paga dividendos equivalentes a 9,7% do preço da ação, ou telefonia fixa, com 9%, tomando como base nossas projeções de lucros para este ano e o próximo”, diz Caminada. Olhando por papéis, ele destaca algumas empresas de energia, como AES Tietê e Coelce, com “dividend yields” na faixa de 11% a 12%. “Mas de uma certa forma, com a alta dos papéis, o yield geral do mercado caiu apesar do aumento do valor dos dividendos”, diz.

Caminada estima que, hoje, os dividendos projetados para este ano para cerca de uma centena de empresas que formam o IBrX-100 da Bovespa representariam um retorno médio de 4,9%. Para 2007, esse retorno sobe para 5,7%. No ano passado, antes da forte alta do mercado, esse percentual chegou a 6,5%. Caminada diz que o objetivo do Ace é ter um retorno 50% superior ao “dividend yield” do mercado, o que representaria 7,5%. “Para isso, não trabalhamos apenas com os dividendos, mas com o ganho dos papéis também”, explica ele, lembrando da importância que tem na escolha o potencial de alta da ação. “Há empresas que pagam bons dividendos, mas não têm mais potencial de crescimento.”

Ele cita alguns setores que estão com dividendos baixos, que estão investindo ou com concorrência forte, como autopeças, com margem baixa e alta exigência de investimento em tecnologia, e com “dividend yield” na faixa dos 3% a 3,5%. Os bancos também estão com retorno baixo, apesar de pagarem dividendos constantes, com média de 3,5% a 4%, abaixo da média do mercado. “Os preços das ações dos bancos subiram muito no ano passado e as instituições estão tendo de investir e se capitalizar mais para aumentar a carteira de crédito”, diz. Outro segmento que está com baixo retorno em dividendos, de 2,5% a 3%, é o de consumo, pois as empresas estão investindo em novas lojas e ampliação do crédito ao consumidor. “No futuro, esse investimento pode se transformar em dividendos maiores”, afirma.

As vedetes do mercado, Vale e Petrobras, tiveram quedas em seu retorno em dividendos por conta da alta dos preços das ações. A Vale chegou a ter um “dividend yield” de 8% em 2005 e agora está na faixa dos 6%. Já Petrobras, que estava na faixa de 7%, está hoje com 5%.

Na HSBC Corretora, que criou uma carteira de dividendos, as recomendações de abril são Aracruz PNB, Bradespar PN, Petrobras PN, Gerdau PN e Telemar Norte Leste PNA. “Mas são papéis com boa perspectiva de alta das ações, não só dividendos”, diz Fábio Zagatti, chefe de análise.

Por Ângela Pavini – São Paulo – NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.valoronline.com.br/veconomico.

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R$ 52 bi em dividendos

As empresas abertas reservaram nos balanços publicados este ano R$ 52,7 bilhões para distribuir aos acionistas, o maior valor da história. Segundo estudo da consultoria Economática com base nos dados de 200 empresas abertas, o total, que inclui R$ 7 bilhões apenas da Petrobras, representa um crescimento de R$ 10 bilhões, ou 24,4%, sobre os R$ 42,412 bilhões reservados nos balanços de 2004. Sem a Petrobras, o crescimento é de 23%, de R$ 37 bilhões para R$ 45 bilhões.
Parte desses dividendos já foi paga no ano passado, caso dos bancos, que em geral antecipam as distribuições mensalmente aos acionistas. Mas grande parte vai mesmo ser creditada ao longo deste ano. Algumas empresas, como a Vale do Rio Doce, antecipam os valores dos dividendos anuais e depois ajustam a quantia ao resultado obtido no ano. O estudo da Economática mostra ainda dez empresas que tiveram lucros todos os anos desde 1999 e no último balanço reservaram o maior valor em dividendos de sua história.
O valor reservado aos acionistas reflete o aumento dos lucros das companhias no período, explica Fernando Exel, presidente da Economática. Isso fica claro ao se observar a relação entre o lucro das empresas e o dividendo provisionado, que se manteve praticamente estável já que ambos subiram na mesma proporção. Essa relação, chamada de “pay-out” pelos analistas, passou de 53,6% nos balanços de 2004 para 53,7% do lucro de 2005 sem a Petrobras, e de 48,2% para 48,5% com a estatal. Entre os setores, porém, há diferenças nesse percentual.
Um dos que merece destaque é o de energia elétrica, que aumentou a parcela do lucro reservada para distribuição de 55,3% nos balanços de 2004 para 82,6% em 2005. “Depois das vacas magras, com os efeitos do apagão, reestruturações e alto endividamento, os acionistas querem ver a cor do dinheiro”, afirma Exel. O setor de telecomunicações é outro caso em que acionistas estão tirando o máximo do lucro. Apesar da queda, de 118,6% em 2004 para 94,9% do lucro em 2005, o percentual reservado aos acionistas é o mais elevado da lista.
Ele chama a atenção para o setor de banco, que se mantêm num nível histórico, próximo dos 30% do lucro distribuído. “É um pay-out baixo levando-se em conta que a fase de grandes investimentos em fusões e aquisições já passou”, afirma. “O setor faz as manchetes dos maiores lucros, mas vem sendo pouco generoso nos dividendos.”
Muitas empresas foram afetadas pela valorização do real, que reduziu os ganhos das exportadoras, como nos setores de siderurgia e mineração. Mas, no caso de siderurgia, as perdas na receita com o dólar mais baixo foram compensadas pela queda no endividamento em dólar. Na mineração, ajudou a alta dos preços internacionais.
Exel recomenda cuidado ao se analisar as políticas de dividendos por setor. No caso de minerais não metálicos, por exemplo, o setor é quase todo representado por Eternit, que paga quase 100% do lucro em dividendos e puxa a média geral. No setor “outros”, quem puxa a média é a Souza Cruz.
O valor dos dividendos cresce acompanhando a forte geração de caixa das empresas, diz André Caminada, um dos gestores do fundo Ace Dividendos, do Banco Itaú. Mas, em relação ao retorno sobre o preço da ação, o chamado “dividend yield”, o ganho do investidor caiu, uma vez que os preços dos papéis em bolsa subiram bastante no ano passado e neste ano. “Mas ainda há alguns setores interessantes, como saneamento, que paga dividendos equivalentes a 9,7% do preço da ação, ou telefonia fixa, com 9%, tomando como base nossas projeções de lucros para este ano e o próximo”, diz Caminada. Olhando por papéis, ele destaca algumas empresas de energia, como AES Tietê e Coelce, com “dividend yields” na faixa de 11% a 12%. “Mas de uma certa forma, com a alta dos papéis, o yield geral do mercado caiu apesar do aumento do valor dos dividendos”, diz.
Caminada estima que, hoje, os dividendos projetados para este ano para cerca de uma centena de empresas que formam o IBrX-100 da Bovespa representariam um retorno médio de 4,9%. Para 2007, esse retorno sobe para 5,7%. No ano passado, antes da forte alta do mercado, esse percentual chegou a 6,5%. Caminada diz que o objetivo do Ace é ter um retorno 50% superior ao “dividend yield” do mercado, o que representaria 7,5%. “Para isso, não trabalhamos apenas com os dividendos, mas com o ganho dos papéis também”, explica ele, lembrando da importância que tem na escolha o potencial de alta da ação. “Há empresas que pagam bons dividendos, mas não têm mais potencial de crescimento.”
Ele cita alguns setores que estão com dividendos baixos, que estão investindo ou com concorrência forte, como autopeças, com margem baixa e alta exigência de investimento em tecnologia, e com “dividend yield” na faixa dos 3% a 3,5%. Os bancos também estão com retorno baixo, apesar de pagarem dividendos constantes, com média de 3,5% a 4%, abaixo da média do mercado. “Os preços das ações dos bancos subiram muito no ano passado e as instituições estão tendo de investir e se capitalizar mais para aumentar a carteira de crédito”, diz. Outro segmento que está com baixo retorno em dividendos, de 2,5% a 3%, é o de consumo, pois as empresas estão investindo em novas lojas e ampliação do crédito ao consumidor. “No futuro, esse investimento pode se transformar em dividendos maiores”, afirma.
As vedetes do mercado, Vale e Petrobras, tiveram quedas em seu retorno em dividendos por conta da alta dos preços das ações. A Vale chegou a ter um “dividend yield” de 8% em 2005 e agora está na faixa dos 6%. Já Petrobras, que estava na faixa de 7%, está hoje com 5%.
Na HSBC Corretora, que criou uma carteira de dividendos, as recomendações de abril são Aracruz PNB, Bradespar PN, Petrobras PN, Gerdau PN e Telemar Norte Leste PNA. “Mas são papéis com boa perspectiva de alta das ações, não só dividendos”, diz Fábio Zagatti, chefe de análise.
Por Ângela Pavini – São Paulo – NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.valoronline.com.br/veconomico.

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