Correio Braziliense – Marcelo Tokarski
Aos poucos, a recuperação da economia começa a ter reflexos positivos na renda do brasileiro. Um sinal desse fenômeno é que, ao longo do primeiro semestre do ano, 70% das categorias profissionais que passaram por negociações de salário conseguiram aumentos iguais ou superiores à inflação dos últimos 12 meses.
No ano passado, apenas 42,3% conseguiram recompor seu poder de compra integralmente.
Os 70% de sucesso nas negociações salariais representam o melhor desempenho desde 1995, quando 85,4% das categorias no mínimo repuseram a inflação. Nesse período, os 42,3% registrados no ano passado foram o pior índice (veja a baixo).
Os dados do primeiro semestre de 2004, ainda preliminares, são do Departamento Intersindical de Estudos Sócio-Econômicos (Dieese). O estudo completo será divulgado em agosto.
“‘Tudo está indicando uma melhora da renda. Mas o que facilitou o processo neste primeiro semestre foi a inflação, bem mais baixa do que no ano passado’’, explicou o técnico do Dieese Ilmar Ferreira Silva, que trabalha na tabulação dos dados. Enquanto a inflação dos últimos 12 meses até maio ficou em 5,15%, no ano passado este mesmo índice chegou a bater na casa dos 17%. ‘‘Inflação em baixa facilita as negociações salariais.”
De acordo com o técnico do Dieese, o que também melhora os ganhos dos trabalhadores é a inflação projetada para os próximos 12 meses. No ano passado, enquanto a inflação acumulada chegou a até 17%, o índice para os próximos 12 meses não passava de 6%.
Hoje, os dois indicadores estão em convergência: 5,15% no passado e 6,25% no futuro. “Até o ano passado, os trabalhadores iam negociar um reajuste alto para repor a inflação passada, mas os empregadores argumentavam que a inflação já estava baixando, com base nas projeções futuras”, ressaltou Silva.
Outro fenômeno que indica a melhora do cenário das negociações salariais é que, no primeiro semestre deste ano, 90% das categorias obtiveram aumentos integrais.
No ano passado, a maior parte das categorias teve seus reajustes parcelados em duas ou até três vezes. “As condições para as negociações salariais melhoraram muito”, resumiu.
Para o técnico do Dieese, a expectativa é de que as condições melhorem ainda mais no segundo semestre, impulsionadas pela queda nos índices de desemprego. Isso porque, com menos pessoas procurando emprego, os trabalhadores contratados conseguem negociar salários maiores.
“Quando o desemprego é muito alto, os trabalhadores perdem capacidade de negociação, pois quem está desempregado aceita trabalhar por menos”, explicou o economista Marcio Pochmann, secretário de Trabalho da Prefeitura de São Paulo.
Deixe um comentário