Os dirigentes do Sindicato Nacional dos Aeronautas e do Sindicato Nacional dos Aeroviários criticaram terça-feira (31) as políticas trabalhista e de manutenção de aeronaves da empresa TAM. A presidente do Sindicato dos Aeronautas (formado por comissários e pilotos), Graziella Baggio, disse ter recebido denúncias de que determinadas tripulações chegam a extrapolar em até seis horas a carga horária, o que significa dobrar a jornada de funcionários.
“Isso é extremamente preocupante, porque a regulamentação é exatamente o que garante a segurança de vôo. Nós temos inúmeras denúncias em relação à empresa [TAM], já encaminhadas ao Ministério Público do Trabalho. Tentamos com a empresa a regularização de várias situações, mas não foram colocadas em prática. Agora cabe a nós aguardar que a Justiça trabalhista tome as iniciativas necessárias”, disse.
Segundo o sindicato, a Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT) determina que a jornada dos trabalhadores do setor aéreo é de apenas seis horas, pelo nível de estresse a que são submetidos. Por isso, a extensão de horas de trabalho para essa categoria é proibida. A determinação estaria sendo desrespeitada pela TAM.
O tempo curto para que os mecânicos façam trabalho de manutenção também é criticada pelo presidente do Sindicato dos Aeroviários de Porto Alegre (formado pelo pessoal de terra, incluindo atendentes e mecânicos), Celso Klafke. Segundo ele, a TAM dá apenas 15 minutos para fazer a inspeção em quase 100 itens das aeronaves, quando elas pousam. “Qualquer um sabe que isso é pouco tempo. Alguma coisa eles [os mecânicos] não vão fazer nesses 15 minutos”.
Klafke ressaltou que os mecânicos são bem capacitados, mas que o tempo ideal para a manutenção em solo é de 30 a 45 minutos: “O ritmo a que eles são submetidos é desumano – muita pressão, muita responsabilidade, e isso ocasiona problemas”.
Graziella Baggio afirma que há uma indefinição na escala de vôo dos tripulantes, que têm suas vidas prejudicadas, pois não conseguem programar compromissos e isso gera uma grande carga de tensão: “Esse é um dos maiores fatores de estresse, pois não pode garantir o que se vai fazer durante a folga. Isso interfere na saúde e na qualidade do trabalho”.
Ela também defendeu a criação de uma agência independente de investigação de acidentes, conforme projeto enviado ao Ministério da Defesa, em 2003.
Por Vladimir Platonow – Agência Brasil.
NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.cut.org.br.