Os bancos voltaram a ser alvo dos ladrões em São Paulo. Estatísticas policiais relativas ao primeiro semestre mostram que, na comparação com 2005, houve aumento de 39,7% no número de assaltos no Estado. E, nos últimos 30 dias, foram pelo menos 15 ocorrências na capital e Grande São Paulo. Uma pessoa morreu e quatro se feriram – entre clientes, funcionários e policiais.
De janeiro a junho houve 109 assaltos a banco, ante 133 em todo o ano passado. Como os casos recentes ainda não entraram na contabilidade da Secretaria da Segurança, já no terceiro trimestre o número de ocorrências deve superar o total de 2005. Nos últimos nove anos, o número de roubos a bancos vinha caindo drasticamente. Em 1997, houve 972 casos. Quatro anos depois, o número tinha caído para 178.
Para o delegado Dimas Pinheiro, da Delegacia de Roubo a Bancos do Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado (Deic), o surto atual é resultado de uma migração natural dos bandidos, verificada sempre que a polícia reprime outros delitos, como tráfico e seqüestros.
Outras fontes policiais não descartaram a hipótese de a retomada dos assaltos estar ligada à necessidade do Primeiro Comando da Capital (PCC) – que tem no tráfico uma de suas principais receitas – de fazer caixa. Apesar de não termos captado ordens explícitas dos líderes da facção, as quadrilhas podem estar se dedicando a ações menos arriscadas e mais rentáveis – como roubos a banco, afirmou um policial.
No dia 1º, a Polícia Federal frustrou assaltos organizados pelo PCC às agências do Banrisul e da Caixa Econômica Federal, em Porto Alegre. No mesmo dia, 13 membros da facção foram presos em Botucatu. Iriam assaltar uma agência do Bradesco.
É preciso analisar uma série de fatores para entender os motivos deste crescimento (nos assaltos a banco). O PCC é só um deles, ponderou o delegado Marcelo Sabadin, da Delegacia de Crimes contra o Patrimônio da PF. Policiais citaram entre esses outros fatores a queda no investimento em segurança por parte dos bancos e a proximidade do fim do ano, quando criminosos tendem a intensificar suas ações.
A violência empregada nos assaltos recentes chamou a atenção dos investigadores. No dia 23, por exemplo, a subgerente Bárbara Cristina Rosado, de 31 anos, foi morta com um tiro no rosto numa agência do Sudameris de Pinheiros, zona oeste. A maioria dos ladrões presos até agora é inexperiente, daí comete essas barbaridades, disse o delegado do Deic. De acordo com Pinheiro, só nos últimos 45 dias houve 25 prisões de pessoas ligadas a 19 casos de agências assaltadas na capital.
Fonte: Agência Estado
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