Debater a terceirização e seus impactos nas condições de trabalho e nos direitos dos trabalhadores. Este será o objetivo de audiência pública que acontece no dia 11 de agosto, das 9h00 às 12h00, no Plenarinho da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep). O debate é uma iniciativa do deputado estadual Arilson Chiorato (PT-PR), em parceria com a Federação dos Trabalhadores em Empresas de Crédito do Paraná (Fetec-CUT/PR), o Sindicato dos Bancários e Financiários de Curitiba e região, a APP Sindicato, o Sintracon Curitiba, a FTIA-Paraná e da Central Única dos Trabalhadores (CUT-Paraná).
“A audiência será uma oportunidade muito importante para seguirmos debatendo os efeitos da terceirização. No setor bancário, em específico, há uma precarização muito forte do trabalho, por que as pessoas contratadas na modalidade de terceiros não recebem a mesma remuneração, tão pouco tem os mesmos direitos e as garantias históricas dos acordos e convenções coletivas dos bancários. O que temos visto é uma forma muito perversa que os bancos encontraram para gerar mais riqueza aos seus acionistas”, explica a presidenta do Sindicato, Cristiane Zacarias.
“É importante considerar ainda que as empresas que fazem a mediação da mão de obra terceirizada têm diversos problemas trabalhistas, por não fazerem os recolhimentos e pagamentos devidos. Além disso, ainda no setor bancário, os bancos estão fraudando o processo de terceirização, como é o caso do Santander, que constituiu diversos CNPJs e tem transferidos os trabalhadores direto de um para o outro, retirando direitos e desrespeitando a legislação trabalhista brasileira”, acrescenta a dirigente sindical.
“Por fim, é importante destacar que essa audiência pública vai acontecer Assembleia Legislativa, a casa do povo, a casa de leis. O que nos obriga a pensar se trabalhadores estão atentos ao seu voto: em qual deputado estadual e federal você votou ou vai votar? Essa pessoa tem compromisso com a tua vida trabalhista e social? Seu voto vale a pena no sentido de você não virar um escravo do interesse das grandes empresas, que financiam esses parlamentares que depois irão constituir e aprovar leis que podem retirar direitos dos trabalhadores? Ou que não irão estabelecer normas para punir as empresas que desrespeitam a legislação ou adoecem os trabalhadores, sem pensar na responsabilidade social que deveriam ter?”, conclui Cristiane.
O caso Santander
Desde 2024, o Santander vem criando CNPJs para transferir bancários para empresas controladas e coligadas pelo conglomerado, reduzindo direitos e remuneração. Vale lembrar que o Grupo Santander foi fundado na Espanha, em 1857. Um século depois, entrou no mercado brasileiro, por meio de um contrato operacional com o Banco Intercontinental do Brasil. A primeira agência no País foi aberta em 1982. Mas foi nos anos 2000, com a aquisição do Banco do Estado de São Paulo (Banespa) e depois do Banco Real, que o Santander se consolidou como um dos maiores grupos financeiros.
Conforme o balanço referente ao primeiro trimestre de 2025, o lucro da operação brasileira equivale a cerca de 18% do lucro global do banco, o que a coloca como a segunda mais importante, perdendo apenas para a Espanha. Já o número de trabalhadores brasileiros corresponde a 27% do total de empregados do Santander em todo o mundo. De acordo com dados do Banco Central, entre 2019 e 2024, foram fechadas 301 agências do Santander em todo o país, uma redução de 11%. Até maio de 2025, foram fechadas mais 126, totalizando menos de 427 agências em funcionamento. Por outro lado, entre 2019 e 2024, o número de trabalhadores cresceu 16,4%, passando de 47.819 para 55.646. No mesmo período, as despesas de pessoal do grupo caíram 4,1%. E a despesa média por trabalhador diminuiu 17,6%.
A apresentar esse cenário, a economista do Dieese Catia Uehara questiona: “Como explicar essa contradição entre a redução da rede de agências, o crescimento do número de empregados e a redução real das despesas de pessoal?”. Segundo ela, é preciso olhar para como está organizado todo o conglomerado do banco Santander, com destaque para a participação em 20 empresas coligadas e controladas, de várias áreas diferentes. “São empresas com atividade econômica distintas. Embora várias delas realizam serviços de pagamento e de banco, elas estão enquadradas em categorias como financeira, seguros, compras, benefícios e tecnologia, entre outras”, explicou.
Diante disso, vale destacar ainda que, entre 2019 e 2024, a despesa de pessoal real da estrutura do banco caiu 22,7%, enquanto a despesa das controladas e coligadas subiu 130,2%. “O que indica que o Santander vem adotando uma transferência de sua força de trabalho da estrutura do banco para as demais empresas do conglomerado. Ou seja, a ampliação de trabalhadores tem se dado fora das agências tradicionais. O Santander tem adotado uma engenharia distinta, a partir da criação de empresas coligadas com a transferência de trabalhadores”, conclui Catia.
Diante disso, vale destacar ainda os impactos dessa fraude trabalhista promovida pelo banco. “Para os trabalhadores, há precarização nas relações de trabalho, menores remunerações, flexibilização e fragmentação da categoria e prática antissindical que infringe a liberdade sindical e a proteção ao Direito Sindical. Já para a sociedade, há redução do efeito multiplicador da renda, com impacto no consumo e na economia local, e queda na arrecadação do Imposto de Renda, do Fundo de Garantia (FGTS) e no INSS”, encerra a economista.
AUDIÊNCIA PÚBLICA | Terceirização como forma de retirar direitos
Data: segunda-feira, 11 de agosto
Horário: das 9h00 às 12h00
Local: Plenarinho da Assembleia Legislativa do Paraná
Com transmissão ao vivo no Youtube e na TV Assembleia
Fonte: Sindicato dos Bancários e Financiários de Curitiba e região