SÃO PAULO – O segundo semestre começa com novas rodadas de negociação de reajustes salariais. Após bons acordos fechados nos seis primeiros meses do ano, a expectativa sindical é de negociações mais favoráveis, uma vez que a economia já dá sinais de aquecimento também pelo lado doméstico e a taxa de inflação acumulada em doze meses está menor. Além disso, esse período concentra datas-base de categorias fortes como bancários, metalúrgicos, químicos e petroleiros.
A Confederação Nacional dos Bancários (CBN) – que congrega cerca de 380 mil trabalhadores e tem setembro como data-base – se reúne hoje com os empregadores para a quarta rodada de negociação e espera receber uma proposta da Federação Nacional de Bancos (Fenaban). Até agora, os banqueiros não apresentaram uma proposta, informa a CNB. A reivindicação dos bancários é de um reajuste de 25%, sendo 6,22% referente à reposição das perdas inflacionárias de acordo com o índice de custo de vida do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socio-Econômicos (Dieese) e 17,68% de aumento real.
A categoria deseja também uma mudança no cálculo da participação dos lucros e resultados (PLR) a ser paga pelos bancos. A proposta estabelece um piso de 5% e um teto de 15% do lucro líquido das empresas a serem destinados ao pagamento da remuneração.
Os metalúrgicos filiados à Central Única dos Trabalhadores (CUT), com data-base em setembro (empregados de montadoras e autopeças), querem um reajuste entre 6% e 7% equivalente às perdas com a inflação mais um aumento real, ainda a ser definido. Adir dos Santos Lima, presidente da Federação dos Metalúrgicos da CUT conta que os cerca de 130 mil trabalhadores querem aumento do percentual de adicional noturno. Quem trabalha das 22 horas às 6 horas recebe um adicional de 25% nas horas trabalhadas e a proposta é elevá-lo para 50%.
A Força Sindical dá início hoje à campanha salarial unificada das categorias com data-base no segundo semestre do ano. A campanha unificada reunirá cerca de 2,5 milhões de trabalhadores de 17 categorias como aeroviários, alimentação, brinquedos, comerciários, metalúrgicos, químicos, padeiros, telefônicos, têxteis e vestuário.
Segundo o presidente da Força Sindical, João Carlos Gonçalves, o Juruna, no cenário atual há espaço para a redução da jornada de trabalho. ” Em momento de crescimento econômico, a mobilização fica mais fácil ” , diz ele. Os sindicatos metalúrgicos da Força vão antecipar a campanha salarial dos 700 mil trabalhadores do setor, que têm data-base em novembro. Em vez de outubro, as negociações vão começar este mês.
” Não vamos pedir um índice único de reajuste. Vamos pedir reajustes diferenciados por setor de atividade. Esse índice pode variar de acordo com o aumento da produtividade por empregado e do faturamento por funcionário ” , disse o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, Eleno José Bezerra. Ele defende que os resultados positivos da economia sejam repassados aos trabalhadores.
Outra categoria importante, a dos petroleiros marcou para o próximo dia 24 o início das negociações com a Petrobras. A pauta de reivindicações foi apresentada no último dia 3 e pede um reajuste de cerca de 9% – estimativa da inflação acumulada em doze meses -, mais 5% de aumento real. A Federação Única dos Petroleiros (FUP), que reúne cerca de 40 mil trabalhadores na ativa e 60 mil aposentados, também quer negociar também melhores condições de trabalho.
Raquel Salgado | Valor Econômico
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Comentários
Por Mhais• 10 de agosto de 2004• 12:35• Sem categoria
Sindicatos esperam acordos salariais mais vantajosos no 2º semestre
SÃO PAULO – O segundo semestre começa com novas rodadas de negociação de reajustes salariais. Após bons acordos fechados nos seis primeiros meses do ano, a expectativa sindical é de negociações mais favoráveis, uma vez que a economia já dá sinais de aquecimento também pelo lado doméstico e a taxa de inflação acumulada em doze meses está menor. Além disso, esse período concentra datas-base de categorias fortes como bancários, metalúrgicos, químicos e petroleiros.
A Confederação Nacional dos Bancários (CBN) – que congrega cerca de 380 mil trabalhadores e tem setembro como data-base – se reúne hoje com os empregadores para a quarta rodada de negociação e espera receber uma proposta da Federação Nacional de Bancos (Fenaban). Até agora, os banqueiros não apresentaram uma proposta, informa a CNB. A reivindicação dos bancários é de um reajuste de 25%, sendo 6,22% referente à reposição das perdas inflacionárias de acordo com o índice de custo de vida do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socio-Econômicos (Dieese) e 17,68% de aumento real.
A categoria deseja também uma mudança no cálculo da participação dos lucros e resultados (PLR) a ser paga pelos bancos. A proposta estabelece um piso de 5% e um teto de 15% do lucro líquido das empresas a serem destinados ao pagamento da remuneração.
Os metalúrgicos filiados à Central Única dos Trabalhadores (CUT), com data-base em setembro (empregados de montadoras e autopeças), querem um reajuste entre 6% e 7% equivalente às perdas com a inflação mais um aumento real, ainda a ser definido. Adir dos Santos Lima, presidente da Federação dos Metalúrgicos da CUT conta que os cerca de 130 mil trabalhadores querem aumento do percentual de adicional noturno. Quem trabalha das 22 horas às 6 horas recebe um adicional de 25% nas horas trabalhadas e a proposta é elevá-lo para 50%.
A Força Sindical dá início hoje à campanha salarial unificada das categorias com data-base no segundo semestre do ano. A campanha unificada reunirá cerca de 2,5 milhões de trabalhadores de 17 categorias como aeroviários, alimentação, brinquedos, comerciários, metalúrgicos, químicos, padeiros, telefônicos, têxteis e vestuário.
Segundo o presidente da Força Sindical, João Carlos Gonçalves, o Juruna, no cenário atual há espaço para a redução da jornada de trabalho. ” Em momento de crescimento econômico, a mobilização fica mais fácil ” , diz ele. Os sindicatos metalúrgicos da Força vão antecipar a campanha salarial dos 700 mil trabalhadores do setor, que têm data-base em novembro. Em vez de outubro, as negociações vão começar este mês.
” Não vamos pedir um índice único de reajuste. Vamos pedir reajustes diferenciados por setor de atividade. Esse índice pode variar de acordo com o aumento da produtividade por empregado e do faturamento por funcionário ” , disse o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, Eleno José Bezerra. Ele defende que os resultados positivos da economia sejam repassados aos trabalhadores.
Outra categoria importante, a dos petroleiros marcou para o próximo dia 24 o início das negociações com a Petrobras. A pauta de reivindicações foi apresentada no último dia 3 e pede um reajuste de cerca de 9% – estimativa da inflação acumulada em doze meses -, mais 5% de aumento real. A Federação Única dos Petroleiros (FUP), que reúne cerca de 40 mil trabalhadores na ativa e 60 mil aposentados, também quer negociar também melhores condições de trabalho.
Raquel Salgado | Valor Econômico
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