“O disparo soou como uma bomba aos ouvidos de Maria da Silva. A bala, de calibre 12, esfacelou a boca de João Passarinho, de 22 anos, que estava deitado a seu lado.” Trecho de matéria publicada na edição 127 da revista Os Caminhos da Terra.
O Brasil é um país com um número absurdo de pessoas mortas por armas de fogo. Estima-se que o número total de armas em circulação no Brasil seja de 17,5 milhões. Apenas 10% dessas armas pertencem ao Estado (forças armadas e polícias), o resto, ou seja, 90%, estão em mãos de civis. Em 2003 foram 108 mortes por dia, quase 40 mil no ano. Arma de fogo é a primeira causa de morte de homens jovens no Brasil. Mata mais que acidentes de trânsito, AIDS ou qualquer outra doença ou causa externa.
São milhares e milhares de trabalhadores e trabalhadores que morreram, e morrem todos os dias, vítimas do disparo de uma arma de fogo, vítimas do descaso e da injustiça. Esta realidade tem que mudar.
A violência que nos aflige tem suas raízes na miséria e nas desigualdades sociais, na injustiça social. Nas cidades as maiores vítimas das armas de fogo são os mais pobres e os jovens. No meio rural, são os trabalhadores as vítimas das armas dos jagunços a mando de latifundiários. Entre 1980 e 2004, no campo, mais de 1700 trabalhadores na luta pela reforma agrária foram assassinados.
Para enfrentar a violência devemos combater a pobreza e distribuir renda, aumentar os investimentos em serviços públicos e em segurança, fazer as reformas urbana e agrária.
Referendo
A CUT apóia a Campanha Nacional em Defesa da República e da Democracia, iniciativa de ampliar os mecanismos de consulta e participação popular, de democracia direta, com a regulamentação do artigo 14 da Constituição Federal. Neste sentido, o referendo deste dia 23 de outubro é positivo. Mas lamentamos a oportunidade desperdiçada por um debate pobre e pelas campanhas despolitizadas, recheadas de slogans simplistas vendidos pelos marqueteiros de plantão.
O projeto de lei regulando o comércio de armas, caso vença o Sim, que é o que esperamos, não impedirá o comércio, mas fixará regras que, sem dúvida, irão proporcionar mais segurança para todo o povo. Na realidade, como tem sido fartamente comprovado, quanto maior o número de armas em circulação, maior é o número de atos violentos contra a pessoa.
É absolutamente necessário retirar armas de circulação para preservar vidas! Por isso, voto Sim. E voto tendo a companhia de Chico Mendes, de Margarida Maria Alves, de Santo Dias, de Tião Sem Medo, de Aldanir Carlos dos Santos e de tantos e tantos valorosos companheiros e companheiras que tombaram na luta por justiça e igualdade social, vítimas da violência, da opressão e dos desmandos, da impunidade. Mas que continuam vivos na luta por um país sem armas, sem exploração e com justiça.
Por João Felício e publicada em 21/10/2005 às 15:18 na Seção Notícias do sítio www.cut.org.br.
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Comentários
Por Mhais• 21 de outubro de 2005• 17:16• Sem categoria
SOMOS PELO SIM
“O disparo soou como uma bomba aos ouvidos de Maria da Silva. A bala, de calibre 12, esfacelou a boca de João Passarinho, de 22 anos, que estava deitado a seu lado.” Trecho de matéria publicada na edição 127 da revista Os Caminhos da Terra.
O Brasil é um país com um número absurdo de pessoas mortas por armas de fogo. Estima-se que o número total de armas em circulação no Brasil seja de 17,5 milhões. Apenas 10% dessas armas pertencem ao Estado (forças armadas e polícias), o resto, ou seja, 90%, estão em mãos de civis. Em 2003 foram 108 mortes por dia, quase 40 mil no ano. Arma de fogo é a primeira causa de morte de homens jovens no Brasil. Mata mais que acidentes de trânsito, AIDS ou qualquer outra doença ou causa externa.
São milhares e milhares de trabalhadores e trabalhadores que morreram, e morrem todos os dias, vítimas do disparo de uma arma de fogo, vítimas do descaso e da injustiça. Esta realidade tem que mudar.
A violência que nos aflige tem suas raízes na miséria e nas desigualdades sociais, na injustiça social. Nas cidades as maiores vítimas das armas de fogo são os mais pobres e os jovens. No meio rural, são os trabalhadores as vítimas das armas dos jagunços a mando de latifundiários. Entre 1980 e 2004, no campo, mais de 1700 trabalhadores na luta pela reforma agrária foram assassinados.
Para enfrentar a violência devemos combater a pobreza e distribuir renda, aumentar os investimentos em serviços públicos e em segurança, fazer as reformas urbana e agrária.
Referendo
A CUT apóia a Campanha Nacional em Defesa da República e da Democracia, iniciativa de ampliar os mecanismos de consulta e participação popular, de democracia direta, com a regulamentação do artigo 14 da Constituição Federal. Neste sentido, o referendo deste dia 23 de outubro é positivo. Mas lamentamos a oportunidade desperdiçada por um debate pobre e pelas campanhas despolitizadas, recheadas de slogans simplistas vendidos pelos marqueteiros de plantão.
O projeto de lei regulando o comércio de armas, caso vença o Sim, que é o que esperamos, não impedirá o comércio, mas fixará regras que, sem dúvida, irão proporcionar mais segurança para todo o povo. Na realidade, como tem sido fartamente comprovado, quanto maior o número de armas em circulação, maior é o número de atos violentos contra a pessoa.
É absolutamente necessário retirar armas de circulação para preservar vidas! Por isso, voto Sim. E voto tendo a companhia de Chico Mendes, de Margarida Maria Alves, de Santo Dias, de Tião Sem Medo, de Aldanir Carlos dos Santos e de tantos e tantos valorosos companheiros e companheiras que tombaram na luta por justiça e igualdade social, vítimas da violência, da opressão e dos desmandos, da impunidade. Mas que continuam vivos na luta por um país sem armas, sem exploração e com justiça.
Por João Felício e publicada em 21/10/2005 às 15:18 na Seção Notícias do sítio www.cut.org.br.
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