Os bancários de Curitiba e Região decidiram ontem (4) em assembléia na Sociedade Thalia rejeitar a proposta apresentada pela Fenaban e deflagrar greve por tempo indeterminado. Mais de 700 bancários estiveram presentes. A decisão favorável ao início da greve a partir desta quinta-feira (05/10) foi definida quase que por unanimidade, apenas cerca de 20 trabalhadores votaram contra a proposta de greve.
Na reunião da última terça-feira, sétima rodada de negociações entre Fenaban e o Comando Nacional dos Bancários, os banqueiros apresentaram proposta de índice de reajuste salarial de 2,85%, mas não ofereceu aumento real. O índice, que também corrige as demais verbas salariais, ficou bem abaixo do reivindicado pelos bancários, que é reposição da inflação acumulada nos últimos 12 meses (2,85%) mais aumento real de 7,05%.
“Nós sabemos que eles podem conceder mais. Em 2004 e em 2005 conseguimos aumento real. Este ano os bancos obtiveram lucros enormes”, afirma José Paulo Staub, secretário-geral do Sindicato dos Bancários.
O Sindicato dos Bancários e Financiários de Curitiba estima que mais de 180 agências estejam fechadas, especialmente na região central de Curitiba (Ruas Marechal Deodoro, João Negrão, Dr.Muricy, XV de Novembro, Comendador Araújo) e os prédios de administração central do Banco do Brasil (Praça Tiradentes) e Central de Atendimento Banco do Brasil (São José dos Pinhais), HSBC (Palácio Avenida), Bradesco (Marechal Deodoro) e Caixa Econômica Federal (Praça Carlos Gomes e Conselheiro Laurindo). Várias agências nos bairros da capital também estão fechadas. Na maioria das agências o auto-atendimento por meio dos caixas automáticos está liberado e os aposentados estão efetuando saques nestes terminais livremente.
Os 260 funcionários da Central de Atendimento do Banco do Brasil em São José dos Pinhais estão em greve. A Central de Atendimento é responsável pelos atendimentos por telefone para esclarecimentos e transações financeiras dos clientes do banco. A adesão ao movimento grevista foi maciça, o que remete ao alto grau de conscientização dos trabalhadores. “A Central de Atendimento do BB não está operando. Esta unidade contribui com o movimento desde 2004. São funcionários jovens, mas maduros politicamente e que entendem a importância de participar ativamente da greve”, afirma Gilberto Reck, diretor do Sindicato dos Bancários e Financiários de Curitiba e Região.
Ao final da tarde de hoje, ocorrerá uma assembléia informativa na Praça Carlos Gomes, em Curitiba, por volta das 17 horas. Os trabalhadores de Curitiba voltarão a se reunir em assembléia deliberativa na sexta-feira, por volta das 19 horas, em Curitiba, em local a ser definido pelo sindicato.
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De dinheiro todo mundo gosta. Mas quem sente prazer em ir no banco?
No dia 26 de setembro, após uma paralisação de 24 horas, a Federação Nacional dos Bancos mostrou infantilidade ao afirmar que a greve era indevida, porque havia sido convocada com os sindicatos cientes da convocação de nova rodada de negociações.
A greve não é indevida, é um direito. O artigo primeiro da Lei 7.783/89 afirma que “é assegurado o direito de greve, competindo aos trabalhadores decidir sobre a oportunidade de exercê-lo e sobre os interesses que devam por meio dele defender”.
“A greve é a única arma que os trabalhadores dispõem para arrancar dos patrões maior coerência na negociação. Esta é uma luta justa, por melhores condições de trabalho e de vida, por mais contratações e contra as filas, por mais segurança nos bancos, por metas justas e contra a pressão sofrida pelos clientes para aquisição de novos produtos e serviços, por dois turnos de trabalho e respeito à jornada e por uma melhor prestação de serviços”, afirmou José Altair Monteiro Sampaio, diretor da FETEC-CUT-PR.
O movimento não tem a intenção de afetar ao cidadão. “Temos consciência de que os bancos regem a vida econômica das pessoas e que a greve interfere na rotina da população. Mas pedimos paciência para os clientes e especialmente para que eles observem que esta é uma luta unificada e nacional por melhores condições de trabalho para os bancários e de atendimento para os clientes”, afirmou Adilson Stuzata, presidente da FETEC-CUT-PR. “Portanto, é uma luta que favorece à todos. Não podemos manter todos os brasileiros, bancários ou não bancários, reféns destas instituições financeiras”.
José Altair Monteiro Sampaio lembra que todos precisamos dos bancos e que as operações financeiras tem uma complexidade que dificulta o entendimento da população. “Muitas pessoas não entendem seus extratos bancários, não sabem quanto pagam em tarifas e quando procuram informações nos bancos não conseguem”.
Segundo o ranking de instituições financeiras mais reclamadas no Banco Central, divulgado em agosto, os dois principais motivos de queixas dos clientes é o atendimento e a falta de informações.
“É claro para qualquer cliente porque estes são os principais fatores de reclamação. A população enfrenta filas, pressão para comprar e sofre com a sonegação de informações. Os bancários por sua vez sofrem pressão de gerentes para cumprimento de metas absurdas, são estimulados a competir no ambiente de trabalho, tem medo de se afastar quando apresentam doenças ocupacionais e passam por todo o tipo de violência psicológica. Isso sem contar o medo de assaltos. O resultado é um clima que ninguém suporta, mas que aumenta o lucro dos bancos”, afirma Adilson Stuzata.
No Paraná…
Cerca de 80 agências estão fechadas nas cidades de Londrina, Apucarana, Campo Mourão, Cornélio Procópio, Umuarama e suas regiões.
Londrina: Aproximadamente 39 agências e 6 postos de atendimentos bancários da Caixa Econômica Federal.
Apucarana: Cerca de 12 agências fechadas, em Apucarana e Arapongas.
Campo Mourão: Todas as agências (6) fechadas.
Cornélio Procópio: 15 agências não abriram as portas.
Umuarama: Todas as agências (8) da cidade estão fechadas.
Paranavaí, Toledo e Guarapuava: Não aprovaram greve em suas assembléias, mas rejeitaram a proposta da Fenaban.
Serviço: O site do Banco Central (www.bc.gov.br) disponibiliza mensalmente estatísticas sobre as reclamações e tabelas completas sobre as tarifas bancárias cobradas nos bancos.
Reclamações sobre instituições financeiras podem ser feitas no Banco Central, no Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor – www.idec.org.br) e no Procon/PR (www.pr.gov.br/proconpr).
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