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Trabalhadores bancários no HSBC debatem conjuntura econômica

Primeiro dia do Encontro Nacional de Dirigentes foi dedicado também à avaliação do cenário financeiro em um contexto de crise e à discussão sobre a necessidade de regularização dos planos previdenciários disponibilizados pelo banco

Durante a tarde de ontem, 2 de junho, os trabalhadores bancários do HSBC permaneceram reunidos no Encontro Nacional dos Dirigentes Sindicais, realizado em Curitiba. Após a apresentação dos representantes do banco inglês pela manhã, eles realizaram um amplo debate sobre a conjuntura econômica brasileira frente à crise mundial. O palestrante foi economista do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos do Paraná (DIEESE-PR), Sandro Silva.

Silva iniciou a discussão apresentando os fatores que contribuíram para a desregulamentação financeira que culminou na crise econômica. Segundo ele, a supervalorização das ações de muitas empresas e a instabilidade foram os principais agravantes. “Como vemos, a questão fundamental da crise diz respeito diretamente à lógica capitalista, que se baseia na concentração do capital”, explicou.

Diante deste cenário, o Brasil não saiu ileso. No entanto, conforme assinalou o economista, o Estado brasileiro, pela primeira vez, não atuou como um agravante da crise, com corte de gastos e demais medidas. Com a mudança do foco político para as questões sociais, o governo conseguiu manter um certo equilíbrio financeiro, tomando medidas adequadas de enfrentamento. “O dinamismo do mercado interno, somado aos níveis de reservas cambiais do país e demais providências, como o estímulo ao crédito e a redução de juros e do compulsório, contribuíram para amenizar os impactos da crise”, acrescentou.

Silva também apresentou uma série de estatísticas do mercado de trabalho brasileiro, mostrando que, entre 1997 e 2008, o país teve um crescimento de 56% no número de trabalhadores com empregos formais, que passou de 24,5 milhões para 37,6 milhões. “Com base nesses números, podemos afirmar que a crise afetou os empregos, mas que as demissões se concentraram em 20% dos setores do mercado, sobretudo no industrial”, alertou.

Segundo o economista do DIEESE-PR, em dezembro de 2008 o país já dava os primeiros sinais de reação à crise. Porém, a precipitação do setor industrial, que no último mês do ano reduziu a produção, ampliou os reais impactos da crise. Esta queda significativa na produção da indústria brasileira influenciou o mercado financeiro a fazer estimativas negativas do PIB de 2009.

Ao retratar o setor bancário, Silva também fez um paralelo entre a redução das taxas de juros dos últimos meses e a lucratividade do setor financeiro, enfatizando que a redução da Selic poderia ter sido antecipada, já que a inflação vinha em uma tendência de queda. “As estatísticas mostram que, desde 2003, o lucro líquido dos bancos aumentava significativamente. O do HSBC, por exemplo, foi multiplicado por sete”, afirmou o Silva, que também apresentou outras taxas de crescimento expressivo do banco inglês.

Para finalizar, os bancários foram informados que, mesmo em um cenário econômico afetado pela crise global, as negociações coletivas do ano de 2009 estão conseguindo repor a inflação. “Se em um primeiro momento observamos algumas medidas como a redução da jornada de trabalho, acompanhada ou não pela redução salarial, e a suspensão de contratos de trabalhos, neste ano, as empresas já estão voltando a contratar. E, apesar da crise, algumas negociações que já aconteceram, como a dos setores gráfico e de alguns servidores municipais, apontam para uma tendência de reposição da inflação e ganho real. Em 2008, por exemplo, mais de 60% das categorias conseguiram em torno de 2% de aumento real”, finalizou o economista.

Previdência complementar no HSBC

Ainda na tarde do dia 2 de junho, os trabalhadores bancários do HSBC debateram sobre os planos previdenciários oferecidos pelo banco. O secretário de formação da Federação dos Trabalhadores do Ramo Financeiro no Estado do Paraná (FETEC-CUT-PR), José Altair Monteiro Sampaio, foi o responsável por alertar os dirigentes bancários sobre a importância do tema e muni-los de argumentos que poderão ser levados às mesas de negociação durante a Campanha Salarial 2009.

José Altair começou questionando: “Como nós estamos acumulando nossas finanças para chegar com tranqüilidade à aposentadoria?”. Em respostas, ele explicou as diferenças entre os planos previdenciários aberto e fechado: o primeiro, um tipo de aplicação financeira que pode ser oferecido por qualquer banco, é individual, visa lucro e cobra taxas sobre os valores aplicados e o total do patrimônio; já o sistema fechado tem caráter previdenciário e não visa lucro.

Ele também ressaltou a importância de exigir do HSBC melhoras concretas nas opções oferecidas aos seus trabalhadores. “O que o banco nos oferece são aplicações individuais, como o VGBL e o PGBL ditas previdenciárias. São, na verdade, planos abertos. No entanto, do ponto de vista sindical, nós precisamos de um modelo fechado, mas que todos os trabalhadores possam aderir. Só assim, teremos alguma certeza futura”, afirmou.

Oferecendo outros argumentos aos dirigentes sindicais presentes no Encontro, o secretário da FETEC-CUT-PR apresentou dados que comprovam que o HSBC tem experiência em fundos de pensão, já que uma de suas empresas administra uma série de planos previdenciários fechados. E argumentou também sobre a eficiência dos planos instituídos, que estão sendo estruturados mais recentemente.

Em um paralelo com as negociações que estão ocorrendo entre os representantes dos trabalhadores e do Itaú Unibanco, ele finalizou dizendo que regularizar o sistema previdenciário no HSBC não é um sonho muito distante, mas que depende sobretudo da pressão dos dirigentes sindicais.

Por Renata Ortega – SEEB/Curitiba.

NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.bancariosdecuritiba.org.br.

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