(São Paulo) A subseção da CNB/CUT divulgou ontem um trabalho elaborado pelo economista Murilo Barella, onde é abordada a remuneração bancária, desde seus conceitos, a composição e o orçamento familiar para as várias faixas de renda onde está inserida a categoria bancária.
Na primeira etapa o trabalho Barella destaca a composição da remuneração, que de forma geral, é composta pelo salário contratual mensal, salário indireto – tíquete, por exemplo, variável – como a PLR e esporádica como a hora-extra. “O objetivo de desmembrar a remuneração é mostrar como é composto o salários e mais, mostrar que por trás do salário direto existem outras instituições que trazem algo mais para a sociedade, como o caso do FGTS”, destacou.
Ao abordar a remuneração desta forma, o técnico quer reforçar o que os dirigentes sindicais bancários vêm a tempos denunciando: que a política de abono praticada pelos bancos nos últimos anos está prejudicando não somente os ganhos dos bancários, mas esvazia o que ele chama de proteção social, ou seja, o FGTS e o INSS. “Recompondo o salário, recuperando o poder de compra, de imediato se potencializa a proteção social”, diz Murilo Barella.
Em alguns momentos, por conta da política de abono, os bancários deixaram de recompor totalmente a inflação do período. O reflexo é evidente não somente nos mecanismos de proteção social, como FGTS, INSS (déficit previdenciário), mas o prejuízo também é individual, como o exemplo citado no estudo: um salário de 1.000,00 em agosto de 2001.. No acordo da época, ele recebeu um reajuste de 5,5%, quando o INPC apurado no período foi de 7,31%. A diferença foi de R$ 18,10 (= R$ 1.073,10 – R$ 1.055,00). Se considerarmos apenas o reflexo disto no 13º, FGTS e nas férias, ignorando horas-extras, INSS, descanso semanal remunerado e outras instituições ligadas ao salário, este salário deixou de incorporar R$ 260,16 naquele ano. Seguindo este raciocínio, no próximo acordo, este salário alcançaria o valor de R$ 1.171,40 se recuperasse inteiramente as perdas inflacionárias, mas como a correção foi de 7%, abaixo da inflação, houve uma perda de R$ 611,53. Finalmente, se a inflação fosse reposta no acordo 03/04, os bancários desta faixa salarial perceberiam R$ 1.376,39 e não os R$ 1.271,09 impostos pela FENABAN. Esta imposição fez com que o bancário desta faixa deixasse de incorporar à sua remuneração R$ 1.513,59, que é um valor muito próximo ao abono de R$ 1.500,00. Nesta, (in)evolução, um salário de R$ 4.500,00 em 2001, deixou de incorporar, em 2.003, R$ 6.811,14, como também estaria em um patamar de mais de R$ 6.000,00 em vez do R$ 5.719,88.
Ele destaca ainda que a oscilação da estrutura da remuneração negociada pelos bancos é muito pequena. Ou seja, aquilo que os bancos se dispõem a pagar para o bancário, nos últimos dez anos variou muito pouco, cerca de 2%, demonstrando muita rigidez na negociação e na remuneração contratada. No caso do escriturário, por exemplo, o piso foi em média 50% da remuneração total, mesmo com diferentes montantes de abono e benefícios praticados no período, indicando certa composição rígida. Isto demonstra, de acordo com o técnico, a rigidez da composição para manter a eficiência operacional nos bancos. “A cada ano os bancos mexem menos no fixo e forçam para manter a remuneração do bancário dentro de seus custos. Os bancários precisam lutar para fazer crescer o contratado, pois além de garantir as vantagens individuais, ainda contribuem para combate da política neoliberal que afeta significativamente a proteção social”, ressalta.
Orçamento familiar – O orçamento familiar indica o costume de consumo das famílias. Ao avaliar o orçamento de faixas de renda similares à categoria bancária (R$ 1.365,00, R$ 934,17 e R$ 2.792, 00, este último muito próximo do salário médio dos bancários, de acordo com o Dieese), é interessante destacar que de acordo com o atual perfil exigido do bancário, seu orçamento fica significativamente comprometido com itens como transporte, educação, habitação e alimentação, este último com grande peso em seus gastos.
Meire Bicudo – CNB/CUT
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Por Mhais• 22 de junho de 2005• 19:29• Sem categoria
Trabalho do Dieese analisa remuneração do bancário
(São Paulo) A subseção da CNB/CUT divulgou ontem um trabalho elaborado pelo economista Murilo Barella, onde é abordada a remuneração bancária, desde seus conceitos, a composição e o orçamento familiar para as várias faixas de renda onde está inserida a categoria bancária.
Na primeira etapa o trabalho Barella destaca a composição da remuneração, que de forma geral, é composta pelo salário contratual mensal, salário indireto – tíquete, por exemplo, variável – como a PLR e esporádica como a hora-extra. “O objetivo de desmembrar a remuneração é mostrar como é composto o salários e mais, mostrar que por trás do salário direto existem outras instituições que trazem algo mais para a sociedade, como o caso do FGTS”, destacou.
Ao abordar a remuneração desta forma, o técnico quer reforçar o que os dirigentes sindicais bancários vêm a tempos denunciando: que a política de abono praticada pelos bancos nos últimos anos está prejudicando não somente os ganhos dos bancários, mas esvazia o que ele chama de proteção social, ou seja, o FGTS e o INSS. “Recompondo o salário, recuperando o poder de compra, de imediato se potencializa a proteção social”, diz Murilo Barella.
Em alguns momentos, por conta da política de abono, os bancários deixaram de recompor totalmente a inflação do período. O reflexo é evidente não somente nos mecanismos de proteção social, como FGTS, INSS (déficit previdenciário), mas o prejuízo também é individual, como o exemplo citado no estudo: um salário de 1.000,00 em agosto de 2001.. No acordo da época, ele recebeu um reajuste de 5,5%, quando o INPC apurado no período foi de 7,31%. A diferença foi de R$ 18,10 (= R$ 1.073,10 – R$ 1.055,00). Se considerarmos apenas o reflexo disto no 13º, FGTS e nas férias, ignorando horas-extras, INSS, descanso semanal remunerado e outras instituições ligadas ao salário, este salário deixou de incorporar R$ 260,16 naquele ano. Seguindo este raciocínio, no próximo acordo, este salário alcançaria o valor de R$ 1.171,40 se recuperasse inteiramente as perdas inflacionárias, mas como a correção foi de 7%, abaixo da inflação, houve uma perda de R$ 611,53. Finalmente, se a inflação fosse reposta no acordo 03/04, os bancários desta faixa salarial perceberiam R$ 1.376,39 e não os R$ 1.271,09 impostos pela FENABAN. Esta imposição fez com que o bancário desta faixa deixasse de incorporar à sua remuneração R$ 1.513,59, que é um valor muito próximo ao abono de R$ 1.500,00. Nesta, (in)evolução, um salário de R$ 4.500,00 em 2001, deixou de incorporar, em 2.003, R$ 6.811,14, como também estaria em um patamar de mais de R$ 6.000,00 em vez do R$ 5.719,88.
Ele destaca ainda que a oscilação da estrutura da remuneração negociada pelos bancos é muito pequena. Ou seja, aquilo que os bancos se dispõem a pagar para o bancário, nos últimos dez anos variou muito pouco, cerca de 2%, demonstrando muita rigidez na negociação e na remuneração contratada. No caso do escriturário, por exemplo, o piso foi em média 50% da remuneração total, mesmo com diferentes montantes de abono e benefícios praticados no período, indicando certa composição rígida. Isto demonstra, de acordo com o técnico, a rigidez da composição para manter a eficiência operacional nos bancos. “A cada ano os bancos mexem menos no fixo e forçam para manter a remuneração do bancário dentro de seus custos. Os bancários precisam lutar para fazer crescer o contratado, pois além de garantir as vantagens individuais, ainda contribuem para combate da política neoliberal que afeta significativamente a proteção social”, ressalta.
Orçamento familiar – O orçamento familiar indica o costume de consumo das famílias. Ao avaliar o orçamento de faixas de renda similares à categoria bancária (R$ 1.365,00, R$ 934,17 e R$ 2.792, 00, este último muito próximo do salário médio dos bancários, de acordo com o Dieese), é interessante destacar que de acordo com o atual perfil exigido do bancário, seu orçamento fica significativamente comprometido com itens como transporte, educação, habitação e alimentação, este último com grande peso em seus gastos.
Meire Bicudo – CNB/CUT
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