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Um ano e meio no poder – Min. Zé Dirceu

O presidente Lula recebe, hoje, no Palácio do Planalto, ministros, líderes e autoridades. No dia 1o de julho, o governo completou 18 meses no poder – em meio a pesquisas que apontam a queda da popularidade do presidente.

O escolhido para apresentar as realizações dos ministérios e dos programas federais foi o ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, que foi entrevistado pelo Bom Dia Brasil.

O Brasil está no caminho onde o senhor imaginava estar?

José Dirceu: É um momento bom para o Brasil. Não é difícil perceber o crescimento da economia, inclusive do emprego. Mas o país ainda tem obstáculos a superar. Temos uma dívida interna que é um grande problema para o país, porque o serviço dela pesa no orçamento da União. Mas o país avançou. Primeiro nas performances: é bom lembrar que, agora, temos que votar nas leis de Falência e Biosegurança, por exemplo. A Lei de Falência está há 12 anos para ser votada. Além disso, devemos lembrar as mudanças que serão feitas no Credimobiliário. São leis importantes, pois permitem não só a redução dos juros como também o crescimento da construção civil, que cria empregos. O país hoje tem uma política industrial e tecnológica – tem uma lei de inovação sendo votada no Congresso, que vai ajudar o desenvolvimento e pesquisa em tecnologia. O país avançou na área social também. Superamos a insegurança, o risco da inflação e a instabilidade do dólar. Com inflação e dólar instável, além do risco Brasil nas alturas, não há crescimento e nem possibilidade de discussão agora, em uma outra fase do governo, que procura viabilizar os investimentos na infra-estrutura, rodovias, ferrovias e portos do país. O investimento está aumentando. A formação bruta de capital fixo já está crescendo no Brasil novamente. O país precisa de 23% a 25% do seu PIB de investimento – que, hoje, está entre 17% e 18%. Esse é um esforço que está sendo feito. Apesar do ajuste fiscal e do ajuste no Orçamento, aumentamos os investimentos na Bolsa-Família. O número de famílias vai chegar a 6,5 milhões no final do ano. Quase todos os municípios brasileiros terão o Bolsa-Família. Aumentamos em R$ 6 bilhões os investimentos na área da saúde e também estamos aumentando na educação. O governo reorganizou seu sistema bancário e o BNDES, o Banco do Brasil e a Caixa Econômica voltaram a ter um papel no desenvolvimento do país nas exportações, além de financiamento da micro-empresa, saneamento e habitação.

O senhor falou em sistema bancário, além do crescimento. Com esses juros, contra os quais o vice-presidente, José Alencar fala, há crescimento?

Dirceu: Contra os juros, todos somos. Mas todos nós temos de ter a consciência que o país tem uma dívida interna, estimada em R$ 1 trilhão. Ora, 10% desse valor dá R$ 100 bilhões de juros – pagos pelos orçamentos dos municípios, estados e União, além das empresas. Nós temos de pagar esses juros, uma parcela de arrecadação do país de R$ 439 bilhões, que vai ser do governo federal. E quase um terço disso vai para a Previdência e uma parcela importante vai para despesas de pessoal. Portanto, o país só tem R$ 12 bilhões para investir. Por isso, é muito importante o investimento privado – principalmente o interno. Mas, para que esse investimento escoe melhor para o setor produtivo, os juros devem ser menores. Com os juros que recebemos hoje, o dinheiro fica entesourado a prazo fixo, recebendo entre 9,5% a 10%. Mas os juros caíram muito: eles eram de 25% e estão em 16%, caindo cerca de 40% do ponto de vista real. Não caíram os juros do sistema bancário brasileiro. Os spread estão muito altos. Para isso, estamos trabalhando também. O governo tem trabalho inclusive em uma legislação para que os spread reduzam.

Nunca sobra dinheiro do governo para investir em infra-estrutura, que é tão importante para o crescimento do país. Qual seria uma solução? Uma saída seria tirar obrigações de despesas do orçamento da União, por exemplo?

Dirceu: Isso não está em discussão, até porque a Lei de Diretrizes Orçamentárias já está sendo aprovada e o orçamento está sendo preparado sem essa medida. Nós gastamos, realmente, em saúde pública cerca de R$ 34 bilhões; em educação, cerca de R$ 14 bilhões. Dos gastos que o governo pode ter, grande parte tiramos R$ 12 bilhões para investimentos. É bom e ruim, ao mesmo tempo. Bom porque é dinheiro seguro para educação, saúde e ciência e tecnologia. Mas é ruim porque, se temos uma emergência, por exemplo, na infra-estrutura do país, e queremos alocar de R$ 5 a 10 bilhões, não podemos. A saída é o país crescer. Com isso, todos os problemas são reduzidos pela metade. Acreditamos que estamos fazendo tudo que é necessário para o país crescer, inclusive na política monetária e fiscal. Manter o superávit foi muito importante para nós sairmos do risco país. Vamos reduzir o superávit no futuro? Depende da situação internacional: estamos enfrentando a subida de juros nos EUA, o choque do petróleo, que chegou a US$ 40, e uma situação de instabilidade na China. Isso afeta o Brasil. Afetou menos porque alongamos a dívida interna e prefixamos uma parte dela e mantivemos as conta do país com superávit. Isso foi importante agora para o país não sofrer um impacto maior das mudanças na situação internacional. É preciso destacar que o crescimento das importações do país também ajuda o Brasil. Tem ainda o crescimento da agroindústria. Precisamos que os investimentos aumentem. E, para isso, a parceira público-privada importante, que deve ser aprovada pelo o Congresso. Isso vai permitir que os investimentos também na infra-estrutura aumentem, porque o governo vai fazer a sua parte e está investindo: as rodovias Fernão Dias e Régis Bittencourt vão ser terminadas e vamos começar a Norte-Sul novamente. São poucos recursos, mas é o que o governo dispõe para estar dirigindo prioridades. Os portos brasileiros, por exemplo, estão preparados para enfrentar a legislação de segurança internacional.
fonte: Bom dia Brasil/globo

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Um ano e meio no poder – Min. Zé Dirceu

O presidente Lula recebe, hoje, no Palácio do Planalto, ministros, líderes e autoridades. No dia 1o de julho, o governo completou 18 meses no poder – em meio a pesquisas que apontam a queda da popularidade do presidente.
O escolhido para apresentar as realizações dos ministérios e dos programas federais foi o ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, que foi entrevistado pelo Bom Dia Brasil.
O Brasil está no caminho onde o senhor imaginava estar?
José Dirceu: É um momento bom para o Brasil. Não é difícil perceber o crescimento da economia, inclusive do emprego. Mas o país ainda tem obstáculos a superar. Temos uma dívida interna que é um grande problema para o país, porque o serviço dela pesa no orçamento da União. Mas o país avançou. Primeiro nas performances: é bom lembrar que, agora, temos que votar nas leis de Falência e Biosegurança, por exemplo. A Lei de Falência está há 12 anos para ser votada. Além disso, devemos lembrar as mudanças que serão feitas no Credimobiliário. São leis importantes, pois permitem não só a redução dos juros como também o crescimento da construção civil, que cria empregos. O país hoje tem uma política industrial e tecnológica – tem uma lei de inovação sendo votada no Congresso, que vai ajudar o desenvolvimento e pesquisa em tecnologia. O país avançou na área social também. Superamos a insegurança, o risco da inflação e a instabilidade do dólar. Com inflação e dólar instável, além do risco Brasil nas alturas, não há crescimento e nem possibilidade de discussão agora, em uma outra fase do governo, que procura viabilizar os investimentos na infra-estrutura, rodovias, ferrovias e portos do país. O investimento está aumentando. A formação bruta de capital fixo já está crescendo no Brasil novamente. O país precisa de 23% a 25% do seu PIB de investimento – que, hoje, está entre 17% e 18%. Esse é um esforço que está sendo feito. Apesar do ajuste fiscal e do ajuste no Orçamento, aumentamos os investimentos na Bolsa-Família. O número de famílias vai chegar a 6,5 milhões no final do ano. Quase todos os municípios brasileiros terão o Bolsa-Família. Aumentamos em R$ 6 bilhões os investimentos na área da saúde e também estamos aumentando na educação. O governo reorganizou seu sistema bancário e o BNDES, o Banco do Brasil e a Caixa Econômica voltaram a ter um papel no desenvolvimento do país nas exportações, além de financiamento da micro-empresa, saneamento e habitação.
O senhor falou em sistema bancário, além do crescimento. Com esses juros, contra os quais o vice-presidente, José Alencar fala, há crescimento?
Dirceu: Contra os juros, todos somos. Mas todos nós temos de ter a consciência que o país tem uma dívida interna, estimada em R$ 1 trilhão. Ora, 10% desse valor dá R$ 100 bilhões de juros – pagos pelos orçamentos dos municípios, estados e União, além das empresas. Nós temos de pagar esses juros, uma parcela de arrecadação do país de R$ 439 bilhões, que vai ser do governo federal. E quase um terço disso vai para a Previdência e uma parcela importante vai para despesas de pessoal. Portanto, o país só tem R$ 12 bilhões para investir. Por isso, é muito importante o investimento privado – principalmente o interno. Mas, para que esse investimento escoe melhor para o setor produtivo, os juros devem ser menores. Com os juros que recebemos hoje, o dinheiro fica entesourado a prazo fixo, recebendo entre 9,5% a 10%. Mas os juros caíram muito: eles eram de 25% e estão em 16%, caindo cerca de 40% do ponto de vista real. Não caíram os juros do sistema bancário brasileiro. Os spread estão muito altos. Para isso, estamos trabalhando também. O governo tem trabalho inclusive em uma legislação para que os spread reduzam.
Nunca sobra dinheiro do governo para investir em infra-estrutura, que é tão importante para o crescimento do país. Qual seria uma solução? Uma saída seria tirar obrigações de despesas do orçamento da União, por exemplo?
Dirceu: Isso não está em discussão, até porque a Lei de Diretrizes Orçamentárias já está sendo aprovada e o orçamento está sendo preparado sem essa medida. Nós gastamos, realmente, em saúde pública cerca de R$ 34 bilhões; em educação, cerca de R$ 14 bilhões. Dos gastos que o governo pode ter, grande parte tiramos R$ 12 bilhões para investimentos. É bom e ruim, ao mesmo tempo. Bom porque é dinheiro seguro para educação, saúde e ciência e tecnologia. Mas é ruim porque, se temos uma emergência, por exemplo, na infra-estrutura do país, e queremos alocar de R$ 5 a 10 bilhões, não podemos. A saída é o país crescer. Com isso, todos os problemas são reduzidos pela metade. Acreditamos que estamos fazendo tudo que é necessário para o país crescer, inclusive na política monetária e fiscal. Manter o superávit foi muito importante para nós sairmos do risco país. Vamos reduzir o superávit no futuro? Depende da situação internacional: estamos enfrentando a subida de juros nos EUA, o choque do petróleo, que chegou a US$ 40, e uma situação de instabilidade na China. Isso afeta o Brasil. Afetou menos porque alongamos a dívida interna e prefixamos uma parte dela e mantivemos as conta do país com superávit. Isso foi importante agora para o país não sofrer um impacto maior das mudanças na situação internacional. É preciso destacar que o crescimento das importações do país também ajuda o Brasil. Tem ainda o crescimento da agroindústria. Precisamos que os investimentos aumentem. E, para isso, a parceira público-privada importante, que deve ser aprovada pelo o Congresso. Isso vai permitir que os investimentos também na infra-estrutura aumentem, porque o governo vai fazer a sua parte e está investindo: as rodovias Fernão Dias e Régis Bittencourt vão ser terminadas e vamos começar a Norte-Sul novamente. São poucos recursos, mas é o que o governo dispõe para estar dirigindo prioridades. Os portos brasileiros, por exemplo, estão preparados para enfrentar a legislação de segurança internacional.
fonte: Bom dia Brasil/globo

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