Valor – Cristina Carvalho De São Paulo
O Unibanco criticou, ontem, a obrigatoriedade do rodízio de auditorias a cada cinco anos e anunciou ter voltado ao auditor anterior, a PricewaterhouseCoopers (PwC).
Em 2001, quando teve de fazer o rodízio, o Unibanco trocou a PwC pela Deloitte Touche Tohmatsu.
Mas, antes do prazo de cinco anos, o banco resolveu recontratar a PwC e aproveitou a prerrogativa da legislação, que permite às empresas voltar ao auditor anterior três anos após a mudança.
“O Brasil tem muitas coisas boas e originais como a jabuticaba, mas também tem coisas ruins e uma delas é o rodízio de auditoria”, disse o diretor jurídico, de auditoria e relações institucionais do Unibanco, Lucas Melo, ontem, no final de palestra sobre governança corporativa nas instituições financeiras, organizada pelo Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC).
A posição de Melo agitou a até então bem-comportada platéia, composta por diretores de relações com investidores de empresas e auditores.
O tema está mais sensível do que nunca porque a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) acaba de lembrar às empresas não-financeiras que o rodízio de auditorias entrou oficialmente em vigor terça-feira para esse ramo de atividade.
Francisco da Costa e Silva, presente no evento como representante dos minoritários no conselho de administração do Banco do Brasil (BB) e presidente da CVM que assinou a Instrução 308, de 1999, que introduziu o rodízio, protestou que o assunto tenha sido levantado bem no final do evento, encerrado em seguida pelo vice-presidente do IBGC, José Luiz Osório, também ex-presidente da CVM.
Melo explicou que é contra o rodízio de auditores pelo custo financeiro que acarreta para as empresas e complicações que gera. “Experimente fazer uma emissão de dívida subordinada no exterior com rodízio de auditorias”, exemplificou.
Para fazer qualquer lançamento de títulos no mercado internacional, disse, é necessário apresentar os balanços de três anos, acompanhados de parecer dos auditores. Conforme o ano da emissão, é necessário falar também com o auditor antigo.
“É uma questão de custos e de conhecimento da empresa também”, afirmou Melo, lembrando que o Unibanco tem 100 subsidiárias, que o auditor precisa conhecer.
No painel do IBGC sobre as instituições financeiras, representantes dos quatro bancos com capital aberto – além do BB e do Unibanco, Bradesco e Itaú – relataram o que haviam feito na área. O Itaú, disse o vice-presidente Henri Penchas, já fez o “máximo” e agora vai sedimentar o último movimento, que foi a criação do comitê de auditoria.
O diretor do Bradesco, Milton Varga, disse que o banco está avaliando a adoção do “market maker” e os requisitos para a entrada no nível 2 do Novo Mercado da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa).
Um dos problemas que o Bradesco vê nas regras do nível 2 é a câmara de arbitragem, destinada a resolver questões entre as empresas e os acionistas minoritários.
Outros passos foram dados, como o direito dado ao minoritário de participar de ofertas de compra do controle (“tag along”), de 100% do valor em caso dos acionistas com ordinárias e de 80% aos portadores de preferenciais.
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