Luciana Monteiro e Alessandra Bellotto, de São Paulo
O esquema de fraude no “hedge fund” gerenciado pelo ex-presidente da Nasdaq Bernard Madoff trouxe perdas para muitos investidores brasileiros. Um histórico de 20 anos de retornos na faixa de 1% ao mês atraiu vários “private banks” que passaram a oferecer a aplicação no exterior para os clientes.
A maioria dos investidores brasileiros perdeu dinheiro porque aplicava no Fairfield Sentry Fund, que investia no fundo gerenciado por Madoff. Mas houve casos de investidores que perderam dinheiro por aplicar diretamente na carteira do ex-presidente da Nasdaq. Um gestor de fortunas conta que, diante de rentabilidades tão consistentes, chegou a ir a Nova York para conhecer como funcionava o fundo hedge. Segundo ele, a equipe de gestão não deu explicações detalhadas sobre as estratégias, o que fez com que desistisse de fazer a distribuição da carteira no Brasil. Classificado como uma “caixa-preta”, muitos aplicadores acreditavam que o sucesso da carteira estava justamente atrelado ao segredo da estratégia de gestão. Chamado de “pirâmide”, o esquema consistia em usar o dinheiro aplicado por novos investidores para remunerar os antigos que resolvessem resgatar os recursos.
Segundo o “The Wall Street Journal”, famílias abastadas espanholas foram trazidas para o esquema de Madoff por membros da aristocracia financeira do país, entre eles parentes do patriarca dos bancos espanhóis, Emílio Botín, presidente do conselho do banco Santander. A dupla de ouro da DreamWorks, Steven Spielberg e Jeffrey Katzenberg, também teve prejuízos. Uma das fundações de Spielberg, a Wunderkinder, tinha dinheiro com Madoff. Já Katzenberg perdeu milhões de dólares.
Fonte: Valor Econômico