fetec@fetecpr.com.br | (41) 3322-9885 | (41) 3324-5636

Por 09:45 Sem categoria

Vinte anos de política de gênero

Os 20 anos de política de gênero da CUT foram comemorados com um seminário nacional que aconteceu em São Paulo dias 9 e 10 de agosto. Durante os dois dias, cerca de 100 participantes debateram e refletiram sobre a condição feminina na sociedade e, em particular, no mundo do trabalho. Segundo Maria Ednalva, coordenadora da Secretaria Nacional sobre a Mulher Trabalhadora (SNMT-CUT), o seminário atingiu seus objetivos ao realizar “a reflexão crítica desses 20 anos de construção da política de gênero da Central e debater os desafios e caminhos para os próximos 20 anos”.

No início da tarde do dia 9, após a abertura oficial do evento e dos informes, as participantes se reuniram em grupos para discutir a trajetória dos trabalhos da política de gênero desenvolvida pelas estaduais da CUT e ramos de atividades. À noite, a partir das 20h, a primeira mesa de convidados contou com as presenças da ministra Nílcéia Freire, da Secretaria Especial de Promoção de Mulher; Andréa Butto, do Ministério do Desenvolvimento Agrário; Artur Henrique dos Santos, presidente da CUT Nacional; Victor Baez, da ORIT (Organização Regional Interamericana dos Trabalhadores); Terry Lapinsky – AFL-CIO; Fernanda Papa, da FES/Brasil; Rogéria Peixinho, da AMB, Maria Betânia Ávila, do Núcleo de Reflexão Feminista sobre o Mundo do Trabalho Produtivo e Reprodutivo; Mirian Nobre, da Marcha Mundial de Mulheres e Claudette Carboneaux, da CSN/Canadá.

Mesa de abertura – Sob coordenação de Maria Ednalva, a mesa abriu os trabalhos com a saudação do representante da ORIT. Victor Baez destacou a importância da CUT na construção de uma plataforma laboral das Américas, em especial na questão de gênero. A ministra Nilcéia Freire lembrou que nessa semana o presidente Lula sancionou a lei contra a violência doméstica, uma antiga reivindicação do movimento sindical e feminista. “Me sinto honrada em ser parceira da Secretaria de Mulheres da CUT, que ao longo dos anos tem dado importantes contribuições para a luta de todas nós”, afirmou a ministra.

Em nome do ministro Guilherme Cassel, Andréa Butto detalhou algumas ações desenvolvidas pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário, em especial sobre a preparação da agenda da agricultura familiar, que tem na Contraf e na Fetraf suas mais importantes referências nacionais. Em clima descontraído, Terry Lapinsky leu um texto saudando o evento, os 20 anos de política de gênero. “Eu leio bem em português, mas se for falar de improviso vou me enrolar toda”, brincou. Segundo ela, apesar de todos os avanços, ainda há grandes diferenças em relação ao trabalho masculino e feminino. Citando especificamente os Estados Unidos, a representante da AFL-CIO informou que uma trabalhadora afro-descendente recebe, naquele país, 68 centavos de dólar para fazer o mesmo trabalho que um trabalhador branco faz recebendo 1 dólar. Em relação às trabalhadoras latinas, a diferença é ainda maior, 57 centavos para 1 dólar.

O presidente da CUT abriu sua saudação dizendo estar muito satisfeito e à vontade por ser o único homem na mesa de abertura (Victor Baez já havia se retirado por conta de outros compromissos) e lembrou de histórias de discriminação contra mulheres no mundo do trabalho. “Na época em que era presidente do sindicato dos Urbanitários, uma companheira da direção foi demitida e durante as negociações para reintegra-la, o advogado da empresa disse que ela não precisava trabalhar porque o marido era um médico bem-sucedido. Isso mostra o grau de discriminação que as mulheres sofrem”, afirmou Artur, completando a história dizendo que o processo caiu nas mãos de uma juíza, que ordenou a imediata reintegração da trabalhadora.

Vinte anos de trajetória – Em seguida foi constituída nova mesa de painelistas com ex-dirigentes da CUT e do movimento sindical, que participaram do processo de construção da política de gênero. Didice Godinho Delgado, Marlene Furtado, Sandra Cabral, Luci Paulino e Maria Ednalva relembraram antigas lutas e as dificuldades para as mulheres garantirem seu lugar na estrutura da CUT.

Todas foram unânimes em afirmar que o estabelecimento da política de cotas foi o marco divisório do salto de qualidade para a organização. As cotas (representação mínima de 30% e máxima de 70% tanto para homens como mulheres) foram aprovadas no quinto Congresso da Central, em 1994.

Após esse painel foi lançado o livro “Mulheres na CUT: uma história de muitas faces”.

Quatro outras mesas de debates encerraram o segundo dia do Seminário. Pela manhã foram apresentados os painéis “Balanço da política de gênero da CUT a partir das estaduais da CUT e ramos”, com a conclusão dos trabalhos em grupo do dia anterior, e “Igualdade na diversidade: desafios e perspectivas para a ação sindical nos próximos 20 anos”, que contou com a participação de Neide Aparecida Fonseca (Inspir); Rita Cerqueira Quadros (Liga Brasileira de Lésbicas); Fernanda Papa (FES/Brasil); Maria Cristina Corral (Coletivo Nacional da Juventude/CUT).

À tarde, Hildete Pereira Melo (Universidade Federal Fluminense), Maria Ângela Araújo (Unicamp); Maria Betânia Ávila (SOS Corpo) e Denise Mota Dau, da Secretaria Nacional de Organização da CUT debateram sobre “O mundo do trabalho, as trabalhadoras e os movimentos sindical e feminista – desafios para o século XXI”.

Maria Ednalva, que coordenou a mesa de encerramento, considerou o evento muito positivo e acredita que ele atingiu seus objetivos. “É com grande alegria que podemos olhar para trás e ver que esse longo caminho frutificou em políticas que ajudaram a sociedade a ser menos machista e elitista; reencontramos aqui diversas companheiras que estão há anos conosco nessa batalha, trocamos experiências, relembramos casos e rimos de momentos passados em que muitas vezes deu vontade de largar tudo. As impressões, reflexões e críticas aqui expressas serão encaminhadas para o seminário de planejamento que a CUT fará em novembro, envolvendo toda a sua estrutura nacional. As contribuições de cada companheira neste evento foi muito importante para orientar a luta da política de gênero da CUT pelos próximos anos”, finalizou Ednalva.

Agradecimentos – Ao encerramento do Seminário, Maria Ednalva fez questão de agradecer nominalmente a várias entidades e pessoas parceiras durante esses anos e que ajudaram a realizar o seminário. “Quero aqui resgatar e lembrar da importante contribuição de nossa companheira e colaboradora Eleonora Meniccuci de Oliveira e agradecer as entidades parceiras, que contribuíram financeiramente para a concretização deste seminário: a Secretaria Especial de Políticas para Mulheres; a FES, Fundação Friedrick Ebert; ao Inspir e ao Centro de Solidariedade da AFL-CIO e à CSN de Québec [Canadá].” Em seguida lembrou as ONGs presentes: Cunha, SOS Corpo. Casa da Mulher do Nordeste, Colméias, Agente, AMB e Dieese e agradeceu o constante apoio das demais secretárias da CUT e das assessoras da SNMT. “Não posso deixar de lembrar, também, a valiosa contribuição à luta das mulheres de Marlene Furtado, Didice Godinho, Luci Paulino, Sandra Cabral, Sônia Lacerda, Silvana Zucolloto, Isabel Nascimento, Maria Mendes, Rogéria Peixinho e Clara Charf.”

Por Norian Segatto.

Publicada em: 14/08/2006 às 15:12 Seção: Todas as Notícias do sítio www.cut.org.br.

Por 09:45 Notícias

Vinte anos de política de gênero

Os 20 anos de política de gênero da CUT foram comemorados com um seminário nacional que aconteceu em São Paulo dias 9 e 10 de agosto. Durante os dois dias, cerca de 100 participantes debateram e refletiram sobre a condição feminina na sociedade e, em particular, no mundo do trabalho. Segundo Maria Ednalva, coordenadora da Secretaria Nacional sobre a Mulher Trabalhadora (SNMT-CUT), o seminário atingiu seus objetivos ao realizar “a reflexão crítica desses 20 anos de construção da política de gênero da Central e debater os desafios e caminhos para os próximos 20 anos”.
No início da tarde do dia 9, após a abertura oficial do evento e dos informes, as participantes se reuniram em grupos para discutir a trajetória dos trabalhos da política de gênero desenvolvida pelas estaduais da CUT e ramos de atividades. À noite, a partir das 20h, a primeira mesa de convidados contou com as presenças da ministra Nílcéia Freire, da Secretaria Especial de Promoção de Mulher; Andréa Butto, do Ministério do Desenvolvimento Agrário; Artur Henrique dos Santos, presidente da CUT Nacional; Victor Baez, da ORIT (Organização Regional Interamericana dos Trabalhadores); Terry Lapinsky – AFL-CIO; Fernanda Papa, da FES/Brasil; Rogéria Peixinho, da AMB, Maria Betânia Ávila, do Núcleo de Reflexão Feminista sobre o Mundo do Trabalho Produtivo e Reprodutivo; Mirian Nobre, da Marcha Mundial de Mulheres e Claudette Carboneaux, da CSN/Canadá.
Mesa de abertura – Sob coordenação de Maria Ednalva, a mesa abriu os trabalhos com a saudação do representante da ORIT. Victor Baez destacou a importância da CUT na construção de uma plataforma laboral das Américas, em especial na questão de gênero. A ministra Nilcéia Freire lembrou que nessa semana o presidente Lula sancionou a lei contra a violência doméstica, uma antiga reivindicação do movimento sindical e feminista. “Me sinto honrada em ser parceira da Secretaria de Mulheres da CUT, que ao longo dos anos tem dado importantes contribuições para a luta de todas nós”, afirmou a ministra.
Em nome do ministro Guilherme Cassel, Andréa Butto detalhou algumas ações desenvolvidas pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário, em especial sobre a preparação da agenda da agricultura familiar, que tem na Contraf e na Fetraf suas mais importantes referências nacionais. Em clima descontraído, Terry Lapinsky leu um texto saudando o evento, os 20 anos de política de gênero. “Eu leio bem em português, mas se for falar de improviso vou me enrolar toda”, brincou. Segundo ela, apesar de todos os avanços, ainda há grandes diferenças em relação ao trabalho masculino e feminino. Citando especificamente os Estados Unidos, a representante da AFL-CIO informou que uma trabalhadora afro-descendente recebe, naquele país, 68 centavos de dólar para fazer o mesmo trabalho que um trabalhador branco faz recebendo 1 dólar. Em relação às trabalhadoras latinas, a diferença é ainda maior, 57 centavos para 1 dólar.
O presidente da CUT abriu sua saudação dizendo estar muito satisfeito e à vontade por ser o único homem na mesa de abertura (Victor Baez já havia se retirado por conta de outros compromissos) e lembrou de histórias de discriminação contra mulheres no mundo do trabalho. “Na época em que era presidente do sindicato dos Urbanitários, uma companheira da direção foi demitida e durante as negociações para reintegra-la, o advogado da empresa disse que ela não precisava trabalhar porque o marido era um médico bem-sucedido. Isso mostra o grau de discriminação que as mulheres sofrem”, afirmou Artur, completando a história dizendo que o processo caiu nas mãos de uma juíza, que ordenou a imediata reintegração da trabalhadora.
Vinte anos de trajetória – Em seguida foi constituída nova mesa de painelistas com ex-dirigentes da CUT e do movimento sindical, que participaram do processo de construção da política de gênero. Didice Godinho Delgado, Marlene Furtado, Sandra Cabral, Luci Paulino e Maria Ednalva relembraram antigas lutas e as dificuldades para as mulheres garantirem seu lugar na estrutura da CUT.
Todas foram unânimes em afirmar que o estabelecimento da política de cotas foi o marco divisório do salto de qualidade para a organização. As cotas (representação mínima de 30% e máxima de 70% tanto para homens como mulheres) foram aprovadas no quinto Congresso da Central, em 1994.
Após esse painel foi lançado o livro “Mulheres na CUT: uma história de muitas faces”.
Quatro outras mesas de debates encerraram o segundo dia do Seminário. Pela manhã foram apresentados os painéis “Balanço da política de gênero da CUT a partir das estaduais da CUT e ramos”, com a conclusão dos trabalhos em grupo do dia anterior, e “Igualdade na diversidade: desafios e perspectivas para a ação sindical nos próximos 20 anos”, que contou com a participação de Neide Aparecida Fonseca (Inspir); Rita Cerqueira Quadros (Liga Brasileira de Lésbicas); Fernanda Papa (FES/Brasil); Maria Cristina Corral (Coletivo Nacional da Juventude/CUT).
À tarde, Hildete Pereira Melo (Universidade Federal Fluminense), Maria Ângela Araújo (Unicamp); Maria Betânia Ávila (SOS Corpo) e Denise Mota Dau, da Secretaria Nacional de Organização da CUT debateram sobre “O mundo do trabalho, as trabalhadoras e os movimentos sindical e feminista – desafios para o século XXI”.
Maria Ednalva, que coordenou a mesa de encerramento, considerou o evento muito positivo e acredita que ele atingiu seus objetivos. “É com grande alegria que podemos olhar para trás e ver que esse longo caminho frutificou em políticas que ajudaram a sociedade a ser menos machista e elitista; reencontramos aqui diversas companheiras que estão há anos conosco nessa batalha, trocamos experiências, relembramos casos e rimos de momentos passados em que muitas vezes deu vontade de largar tudo. As impressões, reflexões e críticas aqui expressas serão encaminhadas para o seminário de planejamento que a CUT fará em novembro, envolvendo toda a sua estrutura nacional. As contribuições de cada companheira neste evento foi muito importante para orientar a luta da política de gênero da CUT pelos próximos anos”, finalizou Ednalva.
Agradecimentos – Ao encerramento do Seminário, Maria Ednalva fez questão de agradecer nominalmente a várias entidades e pessoas parceiras durante esses anos e que ajudaram a realizar o seminário. “Quero aqui resgatar e lembrar da importante contribuição de nossa companheira e colaboradora Eleonora Meniccuci de Oliveira e agradecer as entidades parceiras, que contribuíram financeiramente para a concretização deste seminário: a Secretaria Especial de Políticas para Mulheres; a FES, Fundação Friedrick Ebert; ao Inspir e ao Centro de Solidariedade da AFL-CIO e à CSN de Québec [Canadá].” Em seguida lembrou as ONGs presentes: Cunha, SOS Corpo. Casa da Mulher do Nordeste, Colméias, Agente, AMB e Dieese e agradeceu o constante apoio das demais secretárias da CUT e das assessoras da SNMT. “Não posso deixar de lembrar, também, a valiosa contribuição à luta das mulheres de Marlene Furtado, Didice Godinho, Luci Paulino, Sandra Cabral, Sônia Lacerda, Silvana Zucolloto, Isabel Nascimento, Maria Mendes, Rogéria Peixinho e Clara Charf.”
Por Norian Segatto.
Publicada em: 14/08/2006 às 15:12 Seção: Todas as Notícias do sítio www.cut.org.br.

Close