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Chegou a hora de usar as reservas para construir a infraestrutura nacional antes que virem pó

Conselho Editorial Sul-Americano em 26/04/2011

Notícia bomba no Valor Econômico dessa terça feira: a China utilizará 200 bilhões de dólares de suas reservas estimadas em 3 trilhões de dólares para engordar Fundo Soberano de modo a adquirir ativos reais pelo mundo afora, especialmente, na África e na América do Sul. Faz-se necessário alimentar uma população imensa que só faz crescer. Além disso, o país precisa de matérias primas para tocar sua infraestrutura industrial que compete agressivamente no mercado global mediante moeda desvalorizada, amarrada ao dólar.

A China conclui que não se deve mais dar prioridade à compra de títulos americanos, pois o dólar está sem horizonte seguro. Não terá chegada a hora de o BC brasileiro ter visão semelhante, lançando mão das reservas cambiais de 300 bilhões, para jogar uma parte delas(100 bilhões de dólares, por que não?) na construção da infraestrutura nacional, necessária para equilibrar estruturalmente a oferta e a demanda globais, combatendo, efetivamente, a inflação? Quem vai comprar essas reservas que somente estão dando prejuízos aos cofres brasileiros, onerando os contribuintes? Os chineses são mais inteligentes do que os brasileiros? Acorda, Brasil, antes que seja tarde

Dez entre dez analistas do mercado financeiro comentam que os ativos em geral estão sendo corrigidos pela desvalorização do dólar, de modo que não há outra conclusão senão a de que a inflação mundial em marcha caminha, sincronizadamente, no compasso dessa mesma desvalorização.

Pura lógica cartesiana. Desvaloriza, logo inflaciona. O jeito é proteger-se contra o prejuízo provocado pelo equivalente monetário global. A moeda americana sobra e cai de preço porque não pode ser entesourada pelo governo americano, via juro positivo, visto que a dívida governamental, o mecanismo de enxugamento que não pode mais ser utilizado como outrora, produz, no mercado, desconfiança generalizada de que qualquer movimento mais ousado das autoridades monetárias de Washington poderia detonar o estouro da boiada.

Engrossa clima psicológico global que forma expectativa generalizada de que dispor de dólar no bolso signfica comprar prejuízo certo, especialmente, depois que a Standart and Poor, agência classificadora de crédito, baixou de positiva para negativa a dívida dos Estados Unidos, cujo montante supera os 14 trilhões de dólares.

A psicologia social globalizada vai dando o tom do compasso do medo social. Nesse sentido, o dólar tende a repetir a história do marco alemão que implodiu em hiperinflação nos anos de 1920/30, preparando terreno para o fascismo e o nazismo como reação ao avanço do socialismo. Lenin, líder sovietíco, durante as deflações européias, responsáveis por desvalorizações cambiais selvagens, produzidas pelo avanço do endividamento dos governos europeus, destacou que as agudas crises monetárias representam a maior propaganda para o impulso do movimento socialista internacional.

Quem tem no bolso dinheiro candidato a virar pó se desequilibra psicologicamente e se predispõe às mudanças políticas radicais.  Keynes, como reconhece em “A teoria geral do juro, da moeda e do emprego”, considerou sutil e terrível a conclusão do líder comunista com a qual concordou.

De dentro para fora

As brigas internas dentro do império de Tio Sam aceleram a queda do dólar e coloca o mundo em instabilidade geral. Obama tenta acelerar a economia aumetando a dívida pública interna, enquanto joga os juros para baixo, mas o mercado financeiro, aliado dos seus adversários, espalha a notícia de que o governo está quebrado, sem condições de continuar bancando a expansão monetária sem limites.

Os desentendimentos internos levam os aliados a se protegerem das ameaças que os próprios adversários de Obama espalham. As consequências negativas se fazem sentir com crescimento de clima psicológico adequado aos estouros de boiada contra desastres financeiros. O perigo está no ar para o dólar. Quem vai comprar as reservas acumuladas pelo BC brasileiro diante das contradições que estouram no seio do próprio império americano?

Os impérios caem a partir de dentro, como demonstra, à exaustão, o processo histórico. No momento em que Barack Obama adiantou-se em favor da disputa pelo segundo mandato, pegando os republicanos de surpresa, desencadeou tremenda reação conservadora na base de sustentação política dos seus adversários, ou seja, o mercado financeiro aliado histórico dos republicanos. A nota negativa da Standard and Poor, ligada aos banqueiros de Wall Street, que temem a continuidade dos democratas na Casa Branca, buscou detoná-los, antecipadamente, antes de começar o processo eleitoral.

Ou seja , disputas internas provocam as cisões fatais. As divergências brutais, no império de Tio Sam, jogam merda no ventilador global, produzindo expectativas negativas generalizadas, cujas consequências, como mostram as incertezas emergentees, são descrenças cada vez mais acentuadas relativamente ao dólar, produzindo correções de preços em escala internacional como fuga ao perigo de perder riquezas. O dólar acelera a inflação e a inflação acelera a queda do dólar.

Tal cartesianismo monetário, no limite, poderá, certamente, produzir movimentos de desespero das famílias detentoras da moeda americana, acelerando sua derrocada. O resultado poderia ser um calote global. As condições estruturais estão maduras para isso, conforme sinalizam as situações financeiras dos governos dos países outrora ricos, que caminham para a pobreza relativa. Eles estão devendo mais de 40 trilhões de dólares e não tem como pagar seus devedores.

Restaria a rolagem, quem sabe, por cem anos. As possibilidades de que tanto o Banco Central Europeu como o Banco Central dos Estados Unidos venham a dar uma puxada nos juros, como sempre fizeram diante dos excesso monetários produzidos por eles mesmos,  a fim de enxugar a base monetária, a fim de evitar enchente inflacionária, são complexas.

A credibilidade dos governos inexiste aos olhos dos banqueiros, cuja situação financeira é apavorante, dado que estão lotadas as suas carteiras de créditos podres. Precisaria que a dívida global fosse cancelada para que novo processo de endividamento se iniciasse. Mas, antes que esse movimento iniciasse, teria que ser levado em conta o efeito psicológico das massas em face da eminência do calote. Não estaria, de modo algum, afastada a possibilidade de estouro da boiada.

Crise e oportunidade

O Governo Dilma não faria melhor negócio se jogasse uma parte das reservas cambiais acumuladas pelo BC, candidatas à sobredesvalorização, para construção da infraestrutura nacional, necessária para combater estruturalmente a inflação, ameaçada agora pela instabilidade mundial detonada pelo dólar afetado pelas divisões internas do império americano que lança dúvidas e desconfianças gerais sobre o comportamento da economia mundial? O BNDES, comandado por Luciano Coutinho, faria ou não melhor uso das reservas ao ativar a produção de bens e serviços, gerando emprego, renda, consumo, arrecadação e novos investimentos, do que deixá-la parada rendendo, apenas, prejuízo, no Banco Central?

A crise de 1929, ao que tudo indica, é pinto perto da crise de 2008, dada a mundialização das suas consequências, expressas nas bancarrotas dos governos e dos bancos que os financiam. E novos mergulhos estão em marcha, como soam os alertas gerais. Como ficam os países emergentes que estão acumulando dólares como garantia contra fuga de capitais, como é o caso brasileiro?

Não seria, diante do perigo de aceleração da desvalorização da moeda americana, prevista pelos próprios banqueiros, conveniente utilizar as reservas cambiais para incrementar a produção de bens e serviços, antes que seja tarde?

Por que não jogar parte delas no BNDES para que canalizem recursos às empresas a fim de acelerar a construção da infraestrutura nacional? Duplicar as rodovias federais, construir metrôs nas grandes cidades, erguer portos, armazenagens de grãos, capazes de permitir políticas preços vantajosas, proporcionar a construção segura dos estadios e das obras necessárias para a copa do mundo e das olimpíadas etc não consumiriam mais do que 100 bilhões de dólares.

O país possui reservas superiores a 300 bilhões. Restariam ainda 200 bilhões para eventuais contenções de eventuais perigos de corrida cambial. Por que não seguir o exemplo chinês, quando tudo está para construir em matéria de infraestrutura?

Não seria exagero afirmar que uma onda de obras públicas , desencadeadas pela utilização das reservas, representaria poderoso incremendo capaz de contribuir para ativar a demanda global, afetada pela instabilidade presente nos países ricos, onde tudo já está suficientemente pronto em matéria de infraestrutura. Não seria a melhor forma de combater a inflação, sustentando o desenvolvimento capaz de assegurar a oferta necessária para atender a demanda, acelerada pela melhor distribuição da renda nacional, a partir da Era Lula?

Poderia evitar estouro dos preços, que está sendo acelerado com a desvalorização da moeda americana. Ou não?

Tal jogada , indiscutivelmente, aceleraria a integração econômica sul-americana em benefício da economia mundial.

Texto: / Postado em 30/04/2011 ás 19:46

NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.patrialatina.com.br

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