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III Fórum Pela Visibilidade Negra: Avanços ainda não foram suficientes

Procurador Wilson Prudente analisou a conjuntura política das relações raciais no Brasil

11/04/2016

Wilson Prudente abordou a “Efetividade dos Direitos Humanos do povo afrodescendentes”O primeiro debate do III Fórum Nacional pela Visibilidade Negra no Sistema Financeiro contou com a presença do procurador Regional do Trabalho da Primeira Região do Rio de Janeiro, Wilson Prudente, na conferência “Efetividade dos Direitos Humanos do povo afrodescendentes”. O evento está sendo realizado nos dias 11 e 12 de abril, em Curitiba.

Prudente, que também foi relator da Comissão da Verdade sobre a Escravidão Negra no Brasil, iniciou afirmando que os povos afrodescendentes sempre tiveram papel importante nas conjunturas relevantes, a começar pela abolição da escravatura, um dos maiores movimento populares.

Apesar disso, historicamente, o protagonismo negro foi suplantado e substituído, pois o afrodescendente foi retirado do seu local de trabalho e colocado à margem da sociedade. Segundo o procurador, o resultado é uma história das relações raciais no Brasil construída a partir de mitos: o mito de que os negros já eram escravos na África; de que a escravidão brasileira foi pacífica e cordial; de que não houve protagonismo dos escravos na luta por libertação; e o mito de que não há racismo no Brasil.

“A grande questão do nosso tempo é que as máscaras estão caindo e não existe mais uma terceira via: ou partimos para a efetividade dos direitos humanos ou para a barbárie. Não podemos falar em democracia sem igualdade racial. Em um momento em que a sociedade brasileira está se vendo como ela verdadeiramente é, a democracia só terá validade se for para todos e com todos!”, concluiu.

Por fim, Wilson Prudente reforçou que, ao longo de toda república brasileira, a população afrodescendente foi e continua sendo mantida no andar de baixo. Para ele, a elite branca sempre foi arrogante. E, apensar dos avanços consideráveis, a desigualdade é tal que todas as conquistas ainda não foram suficientes para retirar os negros da invisibilidade.

Fonte: SEEB Curitiba

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III Fórum: Fim da desigualdade depende de mudança nos privilégios

Secretária Nacional da Juventude da Presidência falou das barreiras enfrentadas por negros


Ângela Guimarães (Foto: Joka Madruga/SEEB Curitiba).

Ainda no período da manhã, a secretária Nacional da Juventude da Presidência da República, Ângela Guimarães, falou sobre “Juventude negra, violência e exclusão social” aos participantes do III Fórum Nacional pela Visibilidade Negra no Sistema Financeiro. O evento está sendo realizado nos dias 11 e 12 de abril, em Curitiba.

Ângela iniciou comentando que há, atualmente, barreiras muito consistentes que impedem a população negra de avançar no mundo do trabalho. “Nossa simples presença nos espaços públicos ou de poder já é motivação para repressão. Para nós, negros, nunca houve paz!”, resumiu. Segundo ela, enfrentar as desigualdades no mercado de trabalho é garantir melhores oportunidades e condições para a população negra.

“Mais da metade de população brasileiras – os negros – é silenciada, invisibilizada. E isso afeta não só negros! Se há alguém que perde com o racismo, há alguém que ganha. Por isso, o debate precisa permear todos os espaços da sociedade. Só se quebra a desigualdade quando se mexe nos privilégios, ou seja, para superar o racismo é preciso promover medidas afirmativas”, acrescentou.

Juventude
Segundo a secretária Nacional da Juventude, os jovens entre 15 e 29 anos representam 27% da população brasileira (mais de 51 milhões de pessoas). Desses, 53,7% são pretos e pardos. Quando perguntados sobre suas preocupações, esses jovens dizem: 43% se preocupa com a violência; 34% com emprego e profissão; 26% com saúde; 23% com educação; e 18% com drogas.

“Mas a violência no Brasil tem idade, raça e território: os jovens negros são, historicamente, o público preferencial. Há, pelo menos, 40 anos o movimento negro denuncia a banalização da vida desses jovens. Ou seja, apesar dos avanços notórios no sentido da inclusão, o país ainda tem dívidas históricas a serem enfrentadas, sendo a mais grave delas a violência, especialmente, aquela que atinge os jovens negros da periferia”, concluiu Ângela.

Renata OrtegaSEEB Curitiba

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Começa III Fórum Nacional pela Visibilidade Negra, em Curitiba

Bancários de todo o país estão reunidos para debater as práticas discriminatórias que favorecem somente aqueles que, hegemonicamente, detém o capital

11/04/2016

Joka Madruga/SEEB Curitiba

Evento acontece nos dias 11 e 12 de abril e reúne dirigentes sindicais de todo o país - Joka Madruga/SEEB Curitiba

Evento acontece nos dias 11 e 12 de abril e reúne dirigentes sindicais de todo o país

Começou nesta segunda-feira (11) o III Fórum Nacional pela Visibilidade Negra no Sistema Financeiro, que está sendo realizado em Curitiba (PR). Bancários de todo o país estão reunidos para debater as práticas discriminatórias que favorecem somente aqueles que, hegemonicamente, detém o capital, segregando e precarizando as relações e as condições de trabalho na sociedade, a fim de concentrar riquezas.

Na abertura do evento, o secretário de Combate ao Racismo da Contraf-CUT, Almir Aguiar, lembrou que, apesar de ser maioria da população brasileira, os negros ocupam apenas 24,7% dos postos de trabalho nos bancos. “Nós precisamos avançar na questão da visibilidade negra na sociedade a também no sistema financeiro. Por isso, ao longo dos próximos dois dias, iremos debater temas fundamentais para construir propostas de combate ao racismo na categoria bancária”, afirmou.

“Os temas abordados no III Fórum são pertinentes para efetivar nossas lutas por igualdade. Esse é o caminho que buscamos, pois, a construção da igualdade, é o caminho de uma sociedade mais justa, num ambiente de trabalho justo, com uma participação maior de negros e negras. Assim, refletindo a sociedade brasileira de fato onde os negros representam 53% da população. Mas precisamos avançar no Sistema Financeiro, pois são 520 bancários em todo país, mas, infelizmente, só 24,7% de bancários negros atuam no sistema, disse Almir Aguiar

“É visível que as elites estão insatisfeitas com a ascensão social das populações pobres, predominantemente negras, nos últimos anos. Ver o negro ocupando espaços públicos e de poder tem causado um mal estar terrível para essas pessoas. É por isso que essa luta precisa ser feita por nós, bem como a luta em defesa do estado democrático de direito”, completou Roberto von der Osten, presidente da Contraf-CUT.

Curitiba

O presidente da Fetec-CUT-PR, Junior Cesar Dias, lembrou que é preciso mudar a visão que o país tem sobre Curitiba e o Paraná. “Muitas pessoas pensam que aqui só tem descendentes de europeu, o que não é verdade. Por isso, é importante que o debate da invisibilidade negra seja feita, para que possamos enxergar a realidade de todo o país!”

O III Fórum Nacional pela Visibilidade Negra no Sistema Financeiro continua nesta terça-feira (12). Confira a programação completa:

Fonte: Contraf-CUT, com Seeb Curitiba

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