Os programas sociais e a política de valorização do salário mínimo responsáveis por promover a transferência de renda no Brasil proporcionaram o crescimento do poder de compra dos setores mais pobres no país. Em 2008, dados da consultoria Data Popular apontaram que as classes C, D e E passaram a responder por metade do consumo nacional.
Principal destino de investimentos estrangeiros na América Latina e Caribe, o país bateu recordes de venda em todos os setores, especialmente na indústria e na área automobilística. A arrecadação cresceu, os empregos aumentaram e aí chegou a crise.
Aos primeiros sinais de dificuldade, as lideranças empresariais passaram a defender medidas para retirar direitos trabalhistas. Secretário do Emprego e Relações do Trabalho do governo José Serra, Afif Domingos, chegou a defender a suspensão do contrato de trabalho sem qualquer ônus para o empregador. Outros apostam na redução de salário como meio para enfrentar a crise.
A Central Única dos Trabalhadores de São Paulo (CUT-SP) defende o desenvolvimento com distribuição de renda e por isso acredita em uma equação simples: quanto mais pessoas desfrutarem de empregos com carteira assinada, maior será o número de consumidores. Por outro lado, reduzir salários é combater a produtividade e onerar o trabalhador brasileiro, grande responsável pelo desenvolvimento brasileiro.
Neste primeiro semestre de 2009, voltaremos nossa luta para a manutenção do emprego. Defendemos a redução da jornada de trabalho sem redução de salário como forma de gerar novos postos. Conforme estudo do Dieese (Departamento Intersindical de Estatíticas e Estudos Socioeconômicos), caso o Brasil alterasse de 44 para 40 o número de horas semanais trabalhadas, mais de dois milhões de vagas seriam criadas.
Ficaremos atentos também às ações do governo federal. Os subsídios oferecidos aos empresários devem ter como contrapartida o compromisso de manutenção do trabalho. Defenderemos ainda o financiamento da produção e o corte de juros. É preciso quebrar as amarras da covardia.
A CUT-SP acredita no Brasil e nos trabalhadores brasileiros.
Direção da Central Única dos Trabalhadores de São Paulo (CUT-SP).
NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.cutsp.org.br.
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Fiesp quer cortar horas e salários
SÃO PAULO – O presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, se reunirá hoje com a Força Sindical e um grupo de sindicalistas para discutir formas de conter as demissões. A principal proposta de Skaf será a redução da jornada de trabalho e dos salários. “Uma empresa com dificuldade de crédito e de contratos precisa cortar custos. Não adianta pagar os mesmos salários e diminuir as horas trabalhadas porque os custos vão continuar altos”, diz.
Em contrapartida, a Fiesp vai oferecer aos trabalhadores das empresas que aderirem à proposta de menor carga horária no mínimo 100 mil vagas nas escolas do Senai do Estado para cursos gratuitos. “O tempo ocioso poderá ser aproveitado para estudar. Não é preciso flexibilizar nada, porque a lei que está aí possibilita que haja um acordo entre as empresas e os sindicatos para que seja adotada uma jornada menor”, afirma Skaf.
A lei permite que a redução da carga horária chegue a 25%. A medida, segundo ele, pode servir como ação emergencial para evitar uma onda de demissões. “Temos de acabar com essas discussões hipócritas, essa politicagem sobre flexibilização das leis trabalhistas. Este não é o momento”, comenta o presidente da Fiesp.
Skaf, porém, não aceita garantir o emprego dos trabalhadores que aderirem à redução de jornada e de salários. “Uma empresa paga as suas contas e não pode ser obrigada a nada”, defende. Mas esse será um dos principais pontos apresentados pela Força Sindical e pelos sindicatos de setores como o de metalurgia, têxtil, construção civil e alimentação.
De acordo com Miguel Torres, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e Mogi das Cruzes, tanto a entidade quanto a Força aceitam suspender temporariamente os contratos de trabalho. Em contrapartida, as empresas devem garantir que não vão demitir. “A suspensão do contrato é a última instância numa negociação, mas num momento como este pode ser a saída para manter o emprego”, avalia. No sindicato comandado por Torres, que engloba 260 mil trabalhadores, a estimativa é de que 10% do contingente perca o emprego no primeiro trimestre.
Juros
Segundo Paulo Skaf, banqueiros e Banco Central deveriam sair do discurso e partir para a redução efetiva dos juros. “Esta seria a medida para de fato gerar emprego. Agora, se o governo continuar com esse juro absurdo, que assuma o papel de catalisador da crise. Esta taxa altíssima com a qual convivemos não veio com a crise, é bom lembrar”, opina.
Na reunião em Brasília quarta-feira, da qual participaram representantes de empresas, de bancos e do governo, o presidente do Bradesco, Marcio Cypriano, pediu a redução da taxa básica de juros para tentar minimizar os efeitos da crise. Henrique Meirelles, presidente do BC, devolveu a sugestão na mesma moeda e propôs a Cypriano que as instituições financeiras reduzam o spread bancário – diferença entre o juro real e o juro cobrado.
NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.tribunadaimprensa.com.br.