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2012: Ano Internacional das Cooperativas – das vantagens em cooperar

Nei Alberto Pies – Professor e ativista de direitos humanos
Adital

“Aquele que alivia o fardo do mundo para o outro não é inútil neste mundo” (Charles Dickens)

2012 foi escolhido pela ONU para ser o Ano Internacional das Cooperativas. Parece bem justa e oportuna esta comemoração, mas será que temos presente porque e como o cooperativismo pode gerar qualidade de vida e alternativas de produção, consumo e comercialização? A cooperação é mesmo uma ferramenta capaz de desencadear outras e novas relações humanas?

A nossa civilização construiu um ideário de convivência social com base na competição. Somos impelidos a ver todas as vantagens em competir e nenhuma vantagem em cooperar, o que nos dá a falsa impressão de que cada um e cada uma se basta a si mesmo. Se cada um se basta a si mesmo, estamos liberados para ser, pensar e agir deliberadamente, sem medir quaisquer consequências que possam envolver ou atingir os outros. Deste modo, ao desaprendermos a cooperação, empobrecemos as nossas relações sociais e a nossa própria condição de humanidade, que se realiza a partir da interdependência com os outros. Ao abrirmos mãos da intrínseca relação entre o eu e o outro, perdemos a dimensão da construção social que é sempre coletiva; que nos faz humanidade em movimento.

Nossa cultura alimenta-se de ideários individualistas na medida em que estimula, ao máximo, a busca da superação pessoal, a partir de nossa autodeterminação. A máxima expressão do modo de levar a vida hoje, para muitos, foi cunhada pelos romanos: “se queres paz, prepara-te para a guerra”. Outra máxima: “minha liberdade termina onde começa a liberdade do outro”, propõe, igualmente, a construção de uma liberdade individualista, supondo haver uma linha limítrofe entre a minha ação e a ação dos outros. No entanto, a liberdade pressupõe um pacto de cooperação mútua para ambos alcança-la. Dito de outro jeito: somos sempre condição para a liberdade, nossa e dos outros.

Preocupa que, mesmo sem perceber, temos sido muito permissivos na construção de um modo de vida extremamente individualista, que prega o uso de todos os meios para a construção do sujeito social, inclusive o uso da violência, do deboche e da competição desmedida. Neste contexto, não há preocupação com a resolução dos conflitos, com os contextos e as condições em que vivem os outros; busca-se somente consolidar uma situação em que os vencedores se afirmam a partir do sufoco, superação ou “abafamento” dos vencidos.

O que caracteriza nossos tempos é que refinamos cada vez mais nossos instintos competitivos, dando-lhes uma forma e um conteúdo mais definido. Além de estar mais claro, este ideário está agora disponível às novas gerações. E em tempos em que tudo o que é assimilado deve ser aplicado, muitos desejam colocá-lo em prática, sem escrúpulos, sem reflexão. Afirmam-se pela arrogância de vencedores.

E a cooperação? Bem, a cooperação parece não trazer vantagens suficientemente consistentes para inspirar um ideário ou um modo de vida. Geralmente, é tratada como solução em situações limites da vida como os conflitos interpessoais, as relações de médico-paciente, as situações que envolvem assaltos e roubos, na ajuda humanitária e solidária a pessoas em iminente risco de vida.

As vantagens da cooperação estão em promover a vida na dignidade, em qualificar as nossas relações sociais. A cooperação é uma ferramenta para nos fazermos gente, em comunidade. É a possibilidade de vivermos em condições menos estressantes, capazes de reconhecimento mútuo e recíproco, capazes de aceitar que ninguém se basta a si mesmo. Quem pensa assim, nos acompanhe!

ARTIGO COLHIDO NO SÍTIO www.adital.org.br

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Legislação sobre economia solidária e cooperativismo é discutida em seminário

Objetivo é apresentar e debater os resultados da pesquisa “Marco Jurídico do Cooperativismo e da Economia Solidária.

Brasília, 03/07/2012 – O secretário Nacional de Economia Solidária, Paul Singer, o secretário de Assuntos Legislativos, do Ministério da Justiça, Marivaldo de Castro Pereira, e a professora da Universidade de São Paulo (USP), Sônia Maria Kruppa, participaram nesta terça-feira da abertura do seminário “Pensando o Direito: Marco Jurídico do Cooperativismo e Economia Solidária”, promovido pela Secretaria Nacional de Economia Solidária (Senaes), do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).
O objetivo do encontro é apresentar e debater os resultados da pesquisa “Marco Jurídico do Cooperativismo e da Economia Solidária”. O Sistema Tributário do Cooperativismo e a Realidade Jurídica dos Empreendimentos de Economia Solidária também serão abordados no evento que ocorre no auditório do MTE e se encerra amanhã (04), às 17h30.
O Projeto “Pensando o Direito” é de iniciativa da Secretaria de Assuntos Legislativos, do Ministério da Justiça, em parceria com o Núcleo de Apoio às Atividades de Cultura e Extensão em Economia Solidária, da USP e a Senaes e tem como proposta ampliar a participação da sociedade nas discussões sobre Economia Solidária.
Em sua participação, o secretário Nacional de Economia Solidária, Paul Singer falou sobre o andamento da legislação que regulamenta a Economia Solidária em nosso país. “Mensalmente temos ouvido falar que mais e mais municípios têm aprovado leis que fomentam a Economia Solidária. Isso nos deixa muito feliz”. Também afirmou que o Congresso Nacional aprovou, recentemente, o Projeto de Lei, de 2006, que regulamenta as Cooperativas de Trabalho. “Temos tido dificuldades em construir um marco, pois desde 2006 estamos lutando para isso. Mas agora, com a aprovação dessa Lei, as cooperativas já podem exercer suas atividades de forma regular. Esse foi um passo muito importante para todos”, enfatizou o secretário.
A professora da USP, Sônia Kruppa ressaltou que a Universidade Pública tem dever em atender ao chamado da sociedade. “A Universidade é parte da sociedade e tem o dever de atender ao chamado dela. E é isso que estamos. Ficou muito feliz em estar aqui, pois participei, há quase 10 anos atrás, da implantação da Senaes neste mesmo auditório”, concluiu a professora.
Participam dos debates órgãos do governo federal que atuam com cooperativismo, organizações que representam as cooperativas no Brasil, além da sociedade em geral.
NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.mte.gov.br
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