SÍLVIA MUGNATTO
da Folha de S.Paulo, em Brasília
O presidente da Caixa Econômica Federal, Jorge Mattoso, disse que discute com o Ministério da Fazenda cinco propostas para aumentar a atratividade da caderneta de poupança. Segundo ele, as propostas não mexem no rendimento da aplicação, que hoje é a Taxa Referencial mais 6% ao ano.
O problema de mudanças na rentabilidade da poupança –já estudadas no passado e descartadas– é o descasamento que ocorreria na correção dos financiamentos habitacionais: 65% do dinheiro da poupança é destinado à habitação. O objetivo das mudanças é evitar perda de recursos.
A poupança perdeu quase R$ 10 bilhões em depósitos em 2003. Mas alguns bancos, como a Caixa, ganharam recursos. Ontem a Folha informou que depósitos em fundos de investimento, concorrentes da poupança, têm crescido e já superam R$ 500 bilhões.
De qualquer forma, Mattoso contestou as informações de que a rentabilidade dos fundos é muito maior que a da poupança. Segundo ele, o objetivo dos estudos sobre a caderneta é estimular as aplicações de longo prazo. “Queremos que as pessoas possam programar seus investimentos.”
As migrações ocorridas nos investimentos financeiros têm sido observadas com cuidado pela equipe econômica do governo porque há a intenção de criar uma conta bancária sem cobrança da CPMF, a conta investimento.
Nessa conta, o investidor poderá transferir seu dinheiro para qualquer aplicação e até mudar de banco sem pagar a CPMF. Ou seja, o pagamento da contribuição acontecerá apenas na saída definitiva do dinheiro do sistema. A idéia vem sendo trabalhada pelo secretário do Tesouro Nacional, Joaquim Levy. Ontem, Levy disse que a conta investimento deverá ser criada ainda neste trimestre.
A Folha apurou, porém, que o Banco Central quer avaliar melhor a mudança porque ela poderá provocar uma onda ainda maior de saques da poupança. Como a Caixa tem 31,2% do total dos depósitos em poupança ou R$ 43,7 bilhões, a própria instituição poderia ter dificuldades.
Mattoso não quis comentar essa informação, mas afirmou que a criação da conta investimento é realmente “preocupante”.
Ele criticou informações sobre a grande desvantagem da poupança em relação aos fundos. Em 2003, os fundos de renda fixa renderam 23% e a poupança,11,1%.
Mas, segundo os economistas da Caixa, é preciso levar em conta que os fundos pagam Imposto de Renda, CPMF e os bancos cobram uma taxa de administração de 2% a 4%. Os depósitos em poupança com mais de 90 dias não pagam CPMF. O retorno líquido dos fundos seria de 13,7% a 15,7%, dependendo das taxas.
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