A Campanha Salarial está nas ruas. Os bancários exigem dos bancos mais emprego, menos filas e melhor atendimento aos clientes, além de condições dignas de trabalho.
Os bancários de Curitiba e região realizaram, nesta manhã (25), um arrastão no Centro de Curitiba. Com faixas de protesto e nariz de palhaço, os bancários caminharam pelas ruas XV de Novembro, Marechal Deodoro e Marechal Floriano, fazendo pausas em todas as agências do percurso. Os trabalhadores estavam acompanhados de um palhaço e de uma banda. Afinal, como dizia uma das faixas “Com um lucro desses, índice zero é palhaçada”.
Os trabalhadores visitaram várias agências dos bancos Itaú, Caixa Econômica Federal, Banco Mercantil, HSBC, Unibanco, Banco Real, Banco do Brasil, Safra, Bradesco e Santander Banespa.
Na agência da Caixa da Travessa da Lapa, a banda entrou no saguão da agência tocando “Não posso ficar nem mais um minuto com você” (música Trem da Onze). As faixas foram dispostas no centro do saguão enquanto os clientes recebiam o Jornal do Cliente.
Os saguões de outras agências, como do Bradesco (Marechal Deodoro), Unibanco (Marechal Floriano), Caixa (Praça Carlos Gomes), HSBC (Marechal Deodoro e Palácio Avenida) também foram sede de manifestações bem-humoradas e pacíficas. Alguns clientes chegavam a dançar enquanto sacavam dinheiro nos caixas eletrônicos.
Respeito aos direitos de organização dos trabalhadores
Em todas as agências, as ações promovidas pelo movimento sindical permitiram a livre circulação de clientes e dos bancários. O final do arrastão foi em seu ponto de partida, o HSBC Palácio Avenida (local onde se concentra a alta direção do banco). Ao som de “Tá chegando a hora”, os bancários fizeram trenzinho, enfrentando com brincadeiras a arbitrariedade do banco que conseguiu, na data de ontem (24), um interdito proibitório coibindo paralisações em todas as suas agências, sedes e postos de atendimento.
A ação do Sindicato dos Bancários e Financiários de Curitiba e região e da Federação dos Trabalhadores em Empresas de Crédito do Estado do Paraná (FETEC-CUT-PR) teve como objetivo conscientizar os clientes de que os bancos, após terem alcançado um dos maiores lucros da história, negaram todas as reivindicações dos trabalhadores. Dentre elas, medidas para melhorar a segurança das agências, diminuir as filas e assegurar um melhor atendimento.
Clientes e bancários contra a ganância dos bancos
No trabalho, os bancários agradeceram a iniciativa do movimento sindical. “As recepções da população e dos trabalhadores bancários às ações desta Campanha têm sido muito boas. Ontem, durante as paralisações no Portão, fizemos uma reunião com bancários de todos os bancos daquela região da cidade para fechar o ato de maneira unida”, conta Sélio de Souza Germano, diretor da FETEC-CUT-PR e bancário do Itaú.
“Os bancários conhecem os lucros exorbitantes dos bancos”, complementa José Paulo Staub, presidente em exercício do Sindicato e funcionário do Banco do Brasil. “Os trabalhadores e a população estão solidários. Até a negativa da Fenaban no dia 21, os trabalhadores estavam mais calmos, com uma postura de aguardar o que vinha pela frente. O não e a intransigência dos banqueiros acirrou os ânimos, causou revolta nos bancários”.
Unidos, conquistamos mais
Para Staub, a proposta de índice zero de reajuste para este e para os dois próximos anos caiu como uma bomba para os bancários. “Nós, trabalhadores, relembramos os anos 1990, não aceitamos a repetição do aumento zero. A Fenaban está copiando a proposta indecente que era aplicada aos bancos públicos no passado”, concluiu.
“Os trabalhadores ficaram irritados e indignados”, ressaltou Antonio Luiz Fermino, secretário geral do Sindicato e bancário da Caixa Econômica Federal. “Eles dizem que se a Fenaban quer estender uma proposta dessas por dois anos, que eles farão uma greve de dois anos também”, ironiza. “Os bancários responderão aos banqueiros com mobilização. Eles estavam pensativos, a rejeição das propostas estimulou a campanha”.
Segundo Elias Jordão, trabalhador no Bradesco e secretário de administração e finanças da FETEC-CUT-PR, “os bancários têm compreendido cada vez mais a importância dos trabalhadores de todos os bancos estarem unidos, principalmente durante a campanha salarial”. Neste sentido, lembrou os momentos de agressão física patrocinados pelo banco durante a campanha passada. “Certamente um contingente maior de bancários unidos nas paralisações, evitaria os abusos de parte da polícia”.
Pelo fim do Assédio Moral
“No HSBC a situação é de muita pressão”, lamenta Deonisio Schimidt, secretário de Relações Sindicais e Sociais do Sindicato e trabalhador no HSBC. “Os trabalhadores temem aderir ao movimento, mas estão dispostos ao enfrentamento”, complementou Audrea Louback, diretora do Sindicato e trabalhadora no HSBC.
Relembrando a maneira como o banco desrespeitou a vontade dos trabalhadores durante a campanha salarial do ano passado, os diretores do Sindicato e trabalhadores no HSBC, Kanak e Marco Cuz, citaram os episódios de agressão a dirigentes na Kennedy e os lamentáveis casos de cárcere privado registrados pela Delegacia Regional do Trabalho, ocorridos nas instalações do HSBC na Vila Hauer.
O ato terminou por volta do meio-dia, mas a mensagem ficou “Bancário não é palhaço. Queremos aumento já”.
Interior do Paraná em plena atividade nesta campanha
O Sindicato de Londrina e região realizou manifestações nas agências do Santander no dia de hoje, para discutir a Campanha Nacional Unificada e a entrega da Minuta Específica.
Patrícia Meyer – FETEC-CUT-PR.
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