Os trabalhadores dos Correios, reunidos em assembléias realizadas esta semana em todo país, rejeitaram a proposta de reajuste salarial feita pela direção nacional da empresa. Conforme dados parciais recolhidos pela Fentect (federação nacional da categoria), pelo menos 21 sindicatos rejeitaram a proposta. Não houve registro de aprovação em nenhum dos 26 Estados brasileiros.
A categoria prepara uma greve nacional, que já tem data para começar: o próximo dia 13 de setembro. No Paraná, o Sindicato dos Trabalhadores nos Correios (Sintcom) realizou na noite da última quinta-feira (24/8) assembléias em seis cidades: Curitiba, Cascavel, Londrina, Ponta Grossa, Maringá e Guarapuava. No total, cerca de 700 trabalhadores estiveram presentes.
Em Curitiba, mais de 300 carteiros, operadores de triagem, atendentes e funcionários administrativos lotaram o salão da igreja Bom Jesus, localizado na praça Rui Barbosa, centro da capital [foto ao lado].
Além de rejeitar de forma unânime a proposta da empresa, os trabalhadores dos Correios no Paraná aprovaram estado de greve da categoria e agendaram a realização de uma vigília em frente à sede estadual dos Correios.
A vigília terá início na tarde da próxima quarta-feira (30/8), e irá durar 48 horas. Ao final da manifestação, na próxima sexta (1º/9), os trabalhadores dos Correios farão passeatas em todas as principais cidades do Estado.
A categoria também aprovou a realização de operações-tartaruga a partir da próxima semana, o que deve atrasar a entrega de correspondências.
Em todo o país, mais de 109 mil pessoas trabalham nos Correios —o maior empregador em regime celetista do país. No Paraná, são quase 6 mil trabalhadores. Em setembro do ano passado, a categoria permaneceu em greve durante nove dias.
Reivindicações – Além de não atender às reivindicações da categoria, a contra-proposta da direção dos Correios retira direitos já conquistados pelos trabalhadores. “A direção nacional dos Correios desconsiderou nossas reivindicações de aumento real e de reposição das nossas perdas históricas”, aponta o secretário-geral do Sintcom, Nilson Rodrigues dos Santos.
A ECT propõe reajuste de apenas 4% e um abono de R$ 500. Os trabalhadores exigem, além dos 4% referentes à inflação dos últimos 12 meses, 16% de aumento real e 44,64% relativos a perdas salariais acumuladas desde 1994. “Depois dessa contra-proposta ridícula da ECT, não resta alternativa: vamos começar a construir a greve, já”, reitera Sebastião Cruz, diretor de Finanças do Sindicato.
Direitos ameaçados – A direção nacional dos Correios quer simplesmente mais que dobrar o custo da assistência médica para os trabalhadores da empresa. Pela contra-proposta, quem recebe até R$ 1.357,91 teria o chamado “compartilhamento” reajustado de 10% do salário base para 20% da remuneração total.
A forma de compartilhamento do vale-refeição também seria alterada. Ao invés de ser calculada a partir do salário base, seria feita em cima da remuneração total. “Essas ameaças e a proposta de 4% de reajuste são um tremendo absurdo, uma vez que sabemos que os Correios concederam nos últimos meses aumentos de até 12% para os detentores de cargos de chefia”, revela Nilson Rodrigues dos Santos.
No total, o comando nacional de negociação dos trabalhadores identificou na proposta da empresa 33 pontos que significam “retrocesso” em relação ao atual acordo coletivo da categoria. O texto do acordo é composto por 62 cláusulas.
Por Fernando César Oliveira, assessor de imprensa do Sintcom-PR
Fonte: CUT/PR
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