Depois de diversas manifestações promovidas na semana passada (histórico abaixo), os trabalhadores bancários de Curitiba fecharam nesta manhã (26 de setembro) agências em toda a cidade, principalmente na região central da capital (Ruas Marechal Deodoro e XV de Novembro) e os prédios de administração central do Banco do Brasil, HSBC, Bradesco, Itaú e Caixa Econômica Federal. A paralisação é de 24 horas e deve abranger todo o país.
Amanhã (27) haverá reunião com a Fenaban. É a sexta rodada de negociação nesta Campanha Salarial. A minuta de reivindicações foi entregue no dia 10 de agosto. Ontem (25) mais de 700 bancários estiveram em assembléia em Curitiba, na qual aprovaram a realização da paralisação por 24 horas e reafirmaram sua postura de lutar por melhores condições de trabalho e contra a precarização das relações trabalhistas.
Durante a assembléia, José Paulo Staub, presidente em exercício do Sindicato, ressaltou que no início da campanha, diante da lucratividade apresentada pelos bancos, muitos trabalhadores acreditaram que a campanha seria rápida. Infelizmente, 25 dias após a data-base da categoria, ainda não foi apresentada uma proposta digna para os bancários. “Nós exigimos uma proposta que assegure a reposição salarial com ganho real. Não vamos aceitar abono e muito menos índice zero para os próximos dois anos. Nós exigimos uma proposta melhor do que a apresentada no ano passado, com uma melhor Participação nos Lucros e Resultados. Somos nós que asseguramos os lucros aos bancos e eles nos negam tudo na Campanha Salarial”, afirmou Staub. Os bancários enfatizaram que as despesas continuarão sendo reajustadas e aumentando anualmente, assim como as metas que lhes são impostas, portanto, nada mais injusto do que propor índice até 2008.
Empregos sim, filas não
Filas nos bancos e demora no atendimento. A própria Febraban aponta que quase metade dos clientes leva mais de 15 minutos na fila do banco até conseguir atendimento. A solução é simples, aumentar o número de contratações. Com mais bancários, o atendimento não apenas fica mais ágil, mas também com mais qualidade. Uma das reivindicações da categoria bancária que foi apresentada, no dia 10 de agosto, para a Fenaban é a ampliação do horário de atendimento bancário com dois turnos de trabalho e respeito à jornada de seis horas.
Segurança
Bancários exigem que os bancos evitem roubos
Os bancários solicitam que os bancos exijam em seus contratos com empresas de vigilância a realização de treinamento focados para a segurança das agências e que tomem todas as providências cabíveis para dotar suas instalações contra roubos. Os trabalhadores também pedem que a abertura e o fechamento das agências sejam realizados por empresas especializadas em segurança, e ainda, o banco deve emitir a Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT) até o dia útil seguinte ao da ocorrência, bem como, providenciar atendimento médico e psicológico ao trabalhador em caso de assaltos ou seqüestros.
Até o ministro da Fazenda concorda, os bancos estão lucrando demais
Os resultados dos principais bancos privados e públicos mostraram lucros exorbitantes e que não condizem com a realidade sócio-econômica do Brasil. Enquanto os bancos se esforçam para se fazer acreditar, afirmando de forma convicta que os balanços refletem a eficiência de suas organizações, a verdade está vindo à tona. Os lucros dos bancos são frutos do suor dos trabalhadores bancários e da exploração dos clientes proporcionada pelos empresários do sistema financeiro. O ministro da fazenda, Guido Mantega disse, no dia 22 de agosto, que os bancos têm que abrir um pouco a mão. O governo afirma que já fez a sua parte para reduzir o spread bancário e que agora é a Febraban que tem que lucrar um pouco menos e reduzir o spread.
A fala do ministro denota uma realidade do sistema financeiro brasileiro. No Brasil, os bancos falam e “quem tem juízo obedece”, ou seja, clientes e bancários se submetem. O sistema bancário é muito concentrado, poucos bancos concentram quase todo o capital. Com isso os bancos conseguem impor tarifas de serviços bancários imorais e praticar taxas elevadas de juros nos empréstimos. Segundo acompanhamento da Revista Pro Teste, entre abril de 2005 e fevereiro de 2006, as cestas de serviços dos bancos aumentaram, em média, 13%. Os serviços bancários deveriam, no máximo, ser reajustados de acordo com a inflação ou taxa Selic, porém o aumento dos serviços foi de, no mínimo, o dobro da inflação no período.
Atualmente quem corre atrás dos bancos são os clientes. Correm porque enfrentam, cobranças indevidas, movimentação de recursos sem aviso, alterações nas cestas de serviços e falta de segurança nas operações realizadas, além do aumento excessivo de tarifas bancárias.
Por outro lado, os bancários sofrem com metas abusivas impostas pelos banqueiros, têm a sua saúde afetada por doenças ocupacionais e pelo assédio moral praticado pelos bancos. Para medir o tamanho da pressão por resultados imposta aos trabalhadores, basta lembrar quantas vezes você já não se sentiu coagido a comprar um novo produto ou serviço do banco.
O Banco Central possui um ranking de reclamações de clientes dos bancos. As principais queixas dos clientes estão relacionadas ao atendimento, fornecimento de informações e documentos, transparência nas relações contratuais e prazos não estabelecidos ou não cumpridos. Outra situação grave se refere à falta de informações básicas aos clientes. Segundo o Procon/PR em 2005 o órgão realizou 15.879 atendimento em assuntos financeiros. É a terceira área em número de atendimentos. Destes atendimentos, 1.586 foram processos administrativos. Se considerarmos apenas o assunto bancos, é também o terceiro com o maior número de registros de atendimento (4.299) perdendo apenas para telefonia fixa e celular. A prepotência dos banqueiros é tanta que afirmavam que não poderiam se sujeitar ao Código de Defesa do Consumidor. No entendimento deles, eles não prestam aos consumidores um serviço mediante remuneração, apenas intermediam a circulação de moeda do país!
Reivindicações
Reposição salarial e aumento real nos salários – 7,05%
Participação nos Lucros e Resultados de 5% do lucro líquido linear para todos
Garantia de Emprego e Ratificação da Convenção 158 de OIT que proíbe dispensas imotivadas
Ampliação do horário de atendimento bancário, com dois turnos de trabalho. Respeito à jornada de trabalho.
Isonomia para todos
Mais segurança
Fim do Assédio Moral e das metas abusivas
Mais contratação de trabalhadores
Histórico
16/08 – O Sindicato dos Bancários de Curitiba e Região e a Federação dos Trabalhadores em Empresas de Crédito do Estado do Paraná , conhecida como Federação dos Bancários da CUT (FETEC-CUT-PR) promoveram manifestação no Centro de Serviços do banco HSBC no bairro Xaxim, em Curitiba. A manifestação foi parte de uma mobilização nacional contra as arbitrariedades do banco.
24/08 – Os bancários realizaram paralisações em toda a regional Portão. Agências dos bancos Itaú, Bradesco, Unibanco, Safra, Santander Banespa, Caixa Econômica Federal e o prédio do Banco do Brasil, permaneceram fechadas até às 11 horas.
25/08 – Arrastão no Centro de Curitiba. Com faixas de protesto e nariz de palhaço, os bancários caminharam pela rua XV de Novembro, Marechal Deodoro e Marechal Floriano, fazendo pausas em todas as agências do percurso. Os trabalhadores estavam acompanhados de um palhaço e de uma banda. Afinal, como dizia uma das faixas “Com um lucro desses, índice zero é palhaçada”.
28/08 – No dia dos bancários, o Sindicato e a Federação dos Bancários atrasaram o início de expediente dos trabalhadores do Centro Administrativo Kennedy do banco HSBC. Os portões só foram abertos às 11 horas, após a realização de uma assembléia.
04/09 – Os bancários de Curitiba realizaram paralisações no bairro Pinheirinho. Agências dos bancos Itaú, Caixa Econômica Federal, Bradesco, HSBC e ABN Amro Real , permaneceram fechadas até às 11 horas.
13/09 – Realização de arrastão em São José dos Pinhais, percorrendo as agências bancárias da cidade.
19/09 – Bancários de Curitiba fecharam até o meio-dia cinco agências da Rua XV de Novembro e uma agência da Marechal Deodoro. Foram afetados os bancos Itaú, Bradesco, ABN Amro Real e Santander.
20/09 – Não houve expediente até o meio-dia em sete agências da Rua Comendador Araújo, nos bancos Itaú, Bradesco, Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil, Unibanco, HSBC e Santander.
21/09 – Os bancários de Curitiba paralisaram o prédio da administração central da Caixa Econômica Federal no Paraná e a agência do Banco do Brasil da Praça Carlos Gomes. Nas duas unidades não houve expediente até o meio-dia.
22/09 – Paralisação no Centro Administrativo Vila Hauer do HSBC.
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