O direito à greve dos trabalhadores foi mais uma vez barrado pela ganância das instituições financeiras. Duas agências do banco Itaú foram abertas em Umuarama por meio de interdito proibitório e ação policial. Das nove agências fechadas na cidade, apenas sete permanecem fechadas. “E não sabemos por quanto tempo”, afirmou Paulino Alves de Almeida, diretor do Sindicato dos Bancários de Umuarama. Dois diretores do Sindicato, Wilson de Souza (bancário do HSBC) e Edilson José Gabriel (bancário do Itaú) foram detidos. Outros bancos da cidade já conseguiram interditos proibitórios.
“É lamentável que os bancos, o setor mais lucrativo do país, recorram a instrumentos jurídicos para prender e coagir, ao invés de reconhecer o trabalho dos bancários e conceder aumento real”, desabafa Adilsom Stuzata, presidente da Federação dos Bancários da CUT/PR. “Cabem aos Sindicatos se manterem organizados e denunciar estes abusos que estão sendo cometidos na campanha salarial dos bancários. Devem ser promovidas reuniões com os departamentos jurídicos para driblar estas intervenções”, completou.
A greve não é indevida, é um direito. O artigo primeiro da Lei 7.783/89 afirma que “é assegurado o direito de greve, competindo aos trabalhadores decidir sobre a oportunidade de exercê-lo e sobre os interesses que devam por meio dele defender”.
“A greve é a única arma que os trabalhadores dispõem para arrancar dos patrões maior coerência na negociação. Esta é uma luta justa, por melhores condições de trabalho e de vida, por mais contratações e contra as filas, por mais segurança nos bancos, por metas justas e contra a pressão sofrida pelos clientes para aquisição de novos produtos e serviços, por dois turnos de trabalho e respeito à jornada e por uma melhor prestação de serviços”, afirmou José Altair Monteiro Sampaio, diretor da FETEC-CUT-PR.
Patrícia Meyer
FETEC-CUT-PR
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Itaú manda prender sindicalistas em Umuarama
O segundo dia de greve nas agências bancárias de Umuarama foi marcado pela repressão policial nas duas agências do Itaú e no Bradesco. O Itaú tenta dificultar a greve dos bancários usando meios nada democráticos. Foi o que fez a direção do banco através das suas agências bancárias em Umuarama, com liminar da justiça obrigando abrir as agências e com isso intimando seus funcionários para trabalhar.
A primeira ordem judicial foi cumprida por volta das 11h30, quando um oficial da justiça chegou ao Itaú escoltado por forte aparato policial. O bancário do HSBC e diretor de imprensa do Sindicato dos Bancários de Umuarama, Wilson de Souza, que fazia parte de uma Comissão de Esclarecimentos naquele local, insistiu em deixar a faixa de greve para com a adesão dos empregados. Wilson alegava que o Sindicato havia cumprido todas as obrigações legais para deflagração da greve e entendia que o Sindicato não estava de posse do prédio do Itaú, uma vez que já havia autorizado a entrada de três gerentes, além do que não havia depredação do patrimônio e a greve era ordeira. Mesmo assim, Wilson acabou detido pela Polícia Militar e encaminhado à delegacia, onde permaneceu por mais de duas horas. O Sindicato encaminhou o seu dirigente Wilson para exames de prevenção, uma vez que o mesmo queixava-se de dificuldade para engolir, dores na garganta e escoriações nos punhos.
A segunda prisão ocorreu por volta das 12h20, na outra agência do Itaú (próximo ao Banco do Brasil), quando o bancário do Itaú e diretor do Sindicato, Edílson José Gabriel, foi detido por entender também que estava dentro da lei para, através da greve, reivindicar melhorias salariais e condições de trabalho aos bancários.
BRADESCO – Também foi um dia tenso em frente a agência do Bradesco. O gerente local, Gualter Gonçalves de Pádua, mesmo sem mandado judicial chamou a polícia por duas vezes, querendo abrir, à força, as portas do banco. Um trabalho intenso de conversação entre diretores do Sindicato, a polícia e os gerentes impediu a ação e manteve a agência fechada o dia todo.
O Sindicato dos Bancários de Umuarama, Assis Chateaubriand e Região manterá a greve na próxima segunda-feira (09) caso não haja acordo com os banqueiros.
Texto e fotos: Joel Guedes
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