Funcionários do Itaú têm que fazer curso de manuseio de desfibrilador e comandar aulas de ginástica laboral
São Paulo – O Sindicato recebeu denúncias de funcionários do banco Itaú de que estão sendo “convidados” a participar de um treinamento para aprender a manusear um desfibrilador.
O decreto municipal nº 46.914, de janeiro de 2006, obriga os locais com mais de 1.500 pessoas a ter o aparelho, que emite uma descarga elétrica que, em caso de parada cardíaca, faz o coração bater novamente no ritmo adequado para bombear o sangue.
Segundo o decreto, o empregador pode contratar uma empresa prestadora de serviços ou capacitar pessoas que trabalham no local. Mas os funcionários reclamam que não estão sendo convidados, mas sim obrigados a participar desta capacitação. “Muitos funcionários não estão emocionalmente preparados para lidar com esse tipo de situação, em que terão que tentar salvar a vida de um colega de trabalho”, diz a diretora do Sindicato Maria Cristina Castro.
O Sindicato procurou a direção do banco, que alegou que fica cara demais a contratação de uma empresa ou um profissional para estar de prontidão caso precise manusear o equipamento. “A orientação é que o bancário que se sentir constrangido ou não quiser participar do curso de capacitação deva procurar o Sindicato e fazer sua denúncia”, diz a diretora.
Ginástica Laboral – O lucro do Itaú chegou a R$ 4,016 bi no primeiro semestre deste ano, mesmo assim o banco se recusa a contratar um profissional para oferecer ginástica laboral aos funcionários.
O que deveria ser um investimento em seu quadro funcional, para evitar doenças como a LER/Dort, passou a ser um tormento para os bancários, que agora estão sendo obrigados a ministrar as aulas. “Os bancários estão sendo obrigados a realizar tarefas que simplesmente não fazem parte de sua função”, diz a diretora.
A médica do trabalho Maria Maeno, alerta sobre os riscos dos exercícios serem comandados por uma pessoa que não é gabaritada para isso: “A realização do alongamento deve ser direcionada por um profissional e não por um bancário. Podem ocorrer lesões que prejudicarão esses funcionários, é uma situação séria, de risco”, alerta a médica.
Gisele Coutinho – 12/09/2007.
NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.spbancarios.com.br.