Brasília – Representantes das centrais sindicais pediram hoje (3) ao governo que conceda empréstimos públicos a empresas, desde que elas garantam a manutenção dos postos de trabalho. O pedido foi feito durante reunião com o ministro Luiz Dulci, secretário-geral da Presidência da República no Palácio do Planalto.
Temendo demissões por causa da crise financeira mundial, a manutenção do emprego foi o principal tema da 5ª Marcha da Classe Trabalhadora, promovida hoje em Brasília por seis centrais sindicais, entre as quais a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e a Força Sindical.
De acordo com o presidente da CUT, Artur Henrique da Silva Santos, será marcada uma reunião entre os sindicalistas e os presidentes do Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Outras demandas das centrais são a redução da taxa de juros e um encontro com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, para discutir a tabela do Imposto de Renda.
Por Carolina Pimentel – Repórter da Agência Brasil.
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Marcha de trabalhadores pede garantia de empregos e de renda
Brasília – Centrais sindicais realizaram hoje (3) marcha na Esplanada dos Ministérios em defesa dos empregos e da garantia de renda e contra os efeitos da crise financeira internacional. Os trabalhadores temem que a crise provoque demissões em vários setores. Participaram da 5ª Marcha da Classe Trabalhadora representantes de seis centrais sindicais, entre as quais a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e a Força Sindical. O tema deste ano foi Desenvolvimento e Valorização do Trabalho.
Segundo o deputado e presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), a principal preocupação dos trabalhadores é a manutenção do emprego. “A crise internacional afetou profundamente a questão do emprego e começam a ocorrer demissões”, disse ele.
Também está na pauta de reivindicações das centrais sindicais a redução dos juros, a diminuição do superavit primário, a correção da tabela do Imposto de Renda e o aumento de seis para dez das parcelas do seguro-desemprego.
O presidente da CUT, Artur Henrique da Silva Santos, ressaltou que existe também uma pauta de revindicações específica para o Congresso Nacional, pois há projetos de interesse dos trabalhadores tramitando nas duas Casas (Câmara dos Deputados e Senado). Um dos projetos é o que reduz a jornada de trabalho de 40 para 35 horas semanais.
Além de manifestações como a marcha pela Esplanada, a mobilização dos trabalhadores inclui reuniões entre os dirigentes das centrais e os presidentes da Câmara dos Deputados, Arlindo Chinaglia (PT-SP), e do Senado, Garibaldo Alves Filho (PMDB-RN), e com os ministros Carlos Lupi, do Trabalho; José Pimentel, da Previdência Social; Luiz Dulci, secretário-geral da Presidência da República; e Dilma Rousseff, chefe da Casa Civil.
Por Roberta Lopes – Repórter da Agência Brasil.
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Multinacionais embolsam R$ 8 bilhões do crédito destinados às vendas de veículos
Montadoras reduzem produção e dão férias a 66% dos trabalhadores
Volvo iniciou a demissão com 532 funcionários
As montadoras tiveram liberados em outubro R$ 8 bilhões em crédito estatal. Ao invés de aumento da produção, 200 mil veículos deixarão de ser produzidos; no lugar de geração de empregos, a contrapartida foi férias coletivas, ante-sala das demissões, para cerca de 66% dos trabalhadores do setor. Tudo de acordo com o figurino dos cartéis, de busca do lucro máximo, seja sugando os cofres públicos, seja explorando o trabalhador.
E assim aconteceu que no dia 5 de novembro o governo federal anunciou a liberação de uma linha de crédito de R$ 4 bilhões do Banco do Brasil para ao setor automotivo, possibilitando a compra de carteiras de crédito dos bancos das montadoras. “Nós fizemos uma reunião com a Anfavea [Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores] e todo o setor e vamos liberar cerca de R$ 4 bilhões também para as montadoras a partir do Banco do Brasil principalmente. Dessa maneira, esses R$ 4 bilhões são suficientes para dar o crédito necessário que o setor precisa em novembro e dezembro para manter as vendas num nível elevado e que possibilite o funcionamento da indústria até o final do ano”, afirmou o ministro da Fazenda, Guido Mantega, em entrevista televisiva.
Seis dias depois, o governo de São Paulo também informou que faria um repasse de R$ 4 bilhões, através da Nossa Caixa. Essa operação foi feita antes de o banco estadual paulista ser comprado pelo Banco do Brasil no dia 20 de novembro, o que significa que este ficará responsável pelo montante de R$ 8 bilhões destinado aos bancos e financeiras das montadoras.
Entretanto, mesmo com o acréscimo de mais R$ 8 bilhões aos seus cofres, a resposta das montadoras foi seguir com as férias coletivas que haviam sido iniciadas no mês anterior – com 8,6 mil metalúrgicos da GM -, até chegar às demissões no último final de semana, como aconteceu na Volvo, no interior de São Paulo. Até o fim deste mês, segundo as montadoras, o número de trabalhadores em férias coletivas chegará a 75 mil em todo o território nacional, para um total de 113 mil, isto é, cerca de 66,3% da força de trabalho do setor automotivo. Além da GM – que deverá totalizar 14.100 trabalhadores em férias -, outras transnacionais já anunciaram férias coletivas: Volkswagen, Fiat, Ford, Mercedes-Benz, Peugeot/Citroën, Renault/Nissan, Honda e Volvo. Na Volkswagen, em São Bernardo, ocorrerão paradas entre os dias 8 de dezembro e 5 janeiro para 10,5 mil dos cerca de 11,5 mil funcionários.
A montadora sueca Volvo foi a primeira a demitir: mandou embora 102 dos 700 empregados, de sua fábrica de Pederneiras, no interior de São Paulo e 430 em sua unidade em Curitiba (250 temporários e 180 efetivos).
As férias nas montadoras se refletiram nas fábricas de autopeças, que também já anunciaram férias coletivas: aproximadamente 25 mil trabalhadores somente na região de Campinas. Na região de Piracicaba, mais 10 mil.
De acordo com a Anfavea, de janeiro a outubro deste ano foram produzidos 2,92 milhões de veículos, o que representa um crescimento de 17,6% em relação ao mesmo período do ano passado. Foram licenciados 2,45 milhões de unidades, o que significa um aumento de 23,4% no mesmo período de comparação, que também registrou uma variação de 45,8% nas vendas internas no atacado de máquinas agrícolas automotrizes e de 7,4% nas exportações em valores (de US$ 11,2 bilhões para US$ 12 bilhões) de autoveículos e máquinas agrícolas automotrizes.
Apesar da liberação dos R$ 8 bilhões de crédito para financiamento, as vendas de veículos caíram 25,9% em novembro, em relação a outubro (25,7%) e 25% em comparação a novembro do ano passado, segundo a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave).
LUCROS
Controlado pelas transnacionais, o setor automotivo é o responsável pelo maior envio de remessas de lucros para o exterior, um dos fatores que levou ao déficit nas transações correntes, superado até mesmo os bancos. Somente nos sete primeiros meses do ano, as filiais das transnacionais enviaram para suas matrizes US$ 4,8 bilhões.
Segundo o presidente da Anfavea, Jackson Schneider, as férias coletivas são apenas um “instrumento antigo” para se adequar às leis do mercado. Contudo, com uma linha de crédito estatal de R$ 8 bilhões, o caminho das montadoras transnacionais para “adequar” oferta e procura foi o das férias coletivas, o primeiro passo dado pelos cartéis para efetuarem as demissões, conforme já a experiência já demonstrou por diversas vezes no país.
Nos últimos anos, era um dos setores que vinha apresentando as maiores lucratividades do país. No frigir dos ovos, para continuar faturando os tubos, embolsaram R$ 8 bilhões do crédito e deixaram o desemprego batendo na porta do trabalhador.
Por VALDO ALBUQUERQUE.
NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.horadopovo.com.br.