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Por 18:53 Sem categoria

Dois de dezembro é o Dia Nacional do Samba

O rei dos terreiros: sambistas festejam o alcance do ritmo. Inicialmente declarado Dia do Samba no antigo Estado da Guanabara e em Salvador (BA), a data passou a ser considerada nacional ao ganhar expressão em grandes cidades nos anos 60

Brasília, 02/12/2008 – Enquanto Zé Kéti diz em Voz do Morro que “Eu sou o samba, sou natural aqui do Rio de Janeiro”, Vinicius de Moraes declara em Samba da benção que “o samba nasceu lá na Bahia”. E assim como o nascimento do samba é contado de diferentes maneiras, também é diversa a história da criação do Dia Nacional do Samba, comemorado em 2 de dezembro. Inicialmente declarado Dia do Samba no antigo Estado da Guanabara e no município de Salvador (BA), a data passou a ser considerada nacional ao ganhar expressão em grandes cidades do país em meados dos anos 60.

Segundo registros cariocas, a data foi criada no estado da Guanabara em 2 de dezembro de 1962, após a leitura da Carta do Samba, escrita pelo folclorista Edison Carneiro, no encerramento do 1º Congresso Nacional do Samba. Contudo, o Dia do Samba só foi oficializado no Estado da Guanabara em 1964, por aprovação de Projeto de Lei do então deputado Estadual Anésio Frota Aguiar. O dia escolhido seria uma alusão à data anual de início dos ensaios das escolas de samba para o Carnaval, então definida pela Confederação Brasileira das Escolas de Samba.

Em Salvador a história é contada de maneira diferente. Por lá o Dia do Samba foi comemorado pela primeira vez em 2 de dezembro de 1963, já com decreto oficial, proposto pelo vereador soteropolitano Luís Monteiro da Costa. Segundo contam os baianos, a escolha da data é uma homenagem ao dia da primeira visita de Ary Barroso à Bahia, que teria ocorrido em algum dia 2 de dezembro que a vida do compositor tratou de reservar e a história tratou de esconder. A chegada de Ary a Salvador teria ocorrido após suas composições sobre a Bahia já serem sucesso. Sendo assim, o mineiro de Ubá teria escrito músicas sobre a terra de Caymmi sem mesmo conhecê-la.

Citando verso de Desde que o samba é samba, de Caetano Veloso, o regente, compositor e produtor musical Ruy Quaresma diz que “o samba é filho da dor” e explica que o ritmo vem do lamento. “Mesmo antes de Caetano popularizar isso, o samba já era filho da dor, porque vem dos negros escravizados. Os sambistas alcançaram o reconhecimento de ser uma classe que faz música de qualidade, legitimamente brasileira. O verdadeiro samba continua legítimo filho da dor, cada vez mais pai do prazer, com grande poder transformador”, ensina Quaresma.

O compositor, escritor e pesquisador Nei Lopes define o samba como “o pai da alegria”, em contraponto a Quaresma, seu parceiro de composições e produção musical. Mas as divergências terminam quando Nei Lopes fala das conquistas e missões dos sambistas brasileiros. “O samba conquistou a condição de símbolo musical nacional”, diz Nei Lopes.

Representante da nata do samba paulistano, o compositor, instrumentista e produtor musical Eduardo Gudin considera o samba uma vertente da Música Popular Brasileira. “Estudei música ouvindo vitrola. Agora a internet está levando música a todos por meio de ferramentas como o My Space, que segmenta a música. As pessoas podem ouvir exatamente o que querem. É só procurar”, diz o compositor. E conclui: “O samba está na veia, e ser reconhecido como um sambista autêntico é um grande orgulho”.

Rais – Há poucos profissionais ligados ao samba e ao carnaval contratados com carteira assinada no país. De acordo com a Relação Anual de Informações Socias (Rais) de 2007, entre cenógrafos de carnaval e dançarinos, eram 397 no país. A maioria no Rio de Janeiro (112).

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