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Despesa com pessoal nos Estados aumenta só 0,34 porcento em 10 anos

Novo estudo do Ipea mostra que as despesas de pessoal do Poder Executivo dos estados apresentaram um aumento de apenas 0,34% como porcentagens do PIB, a entre 1998 e 2008. As despesas de custeio, entretanto, quintuplicaram e passaram de 1,1% para 6,09% do PIB, ao passo que as despesas de investimentos encolheram de 2,2% para 0,94% do PIB. As despesas de custeio envolvem tudo o que toca o dia-a-dia do Estado: desde a gasolina dos carros oficiais até as reformas e manutenção dos prédios.

O Texto para Discussão 1.366, “Divída dos Estados Dez Anos Depois”, dos pesquisadores da Dirur (Diretoria de Estudos Regionais e Urbanos) do Ipea Marcelo Piancastelli e Rogério Boueri avalia a evolução da situação financeira dos estados após 10 anos da renegociação da dívida financeira com o governo federal em 1998. Os dados disponíveis para todos os estados compreendem o período de 1995 a 2006.

Foi uma das maiores renegociações de dívida do governo brasileiro, equivalente a US$ 106 bilhões. Mas o trabalho alerta que é preciso evitar a criação de novas modalidades de dívidas sem a devida capacidade de pagamento, o que certamente prejudica as gerações futuras.

“A despeito das dificuldades e dos desafios que ainda persistem, a gestão das finanças públicas dos estados brasileiros evoluiu de maneira significativa. Foi um grande avanço!”, informa autor do estudo, o pesquisador do Ipea Marcelo Piancastelli.

A relevância macroeconômica das finanças dos estados brasileiros aumentou nos dez anos após a renegociação da dívida. As receitas tributárias se expandiram em torno de 1,2% do produto interno bruto (PIB).

“A análise das relações dívida/receita líquida real e dívida/receita corrente líquida mostra que houve êxito. Ambas as relações foram reduzidas lenta e gradualmente ao longo dos 10 anos, mas de maneira consistente”, avalia Piancastelli.

E mais: as despesas de pessoal do Poder Executivo dos estados se mantiveram de acordo com os limites da LRF. A média de crescimento real, para o conjunto dos estados, foi de 2,76% no período, contra um Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) médio de 7,94%.

Só que permanecem dificuldades com relação às despesas de pessoal dos poderes Legislativo e Judiciário dos estados. “As informações, quando fornecidas, não estão em padrão de transparência aceitável. A atuação dos tribunais de contas dos estados também carece de maior uniformização metodológica de modo a permitir a comparabilidade. Isto, de certa forma, não favorece a implementação plena da LRF”, lamenta Piancastelli.

A evolução da receita tributária dos estados é uma das metas do programa que tem sido atingida com sucesso. O crescimento real médio anual, para o conjunto dos estados, foi de 8%.

Por outro lado, as despesas de investimentos dos estados são declinantes. A média do conjunto dos estados, como proporção dos gastos totais, é de 17%. “O desempenho dos gastos de investimentos dos estados, ano a ano, passou de 16,6% em 1995, para 9,75% em 2006”, afirma Piancastelli.

O texto mostra ainda que as despesas de custeio são a causa da elevação dos gastos dos estados. Tal categoria de gastos passou de 15% da Receita Corrente Líquida, em 2001, para 40% em 2006. Contudo, os estados brasileiros atingiram, em dois anos consecutivos, 2004 e 2005, resultados consolidados positivos.

GLOSSÁRIO:

Renegociação da dívida dos estados

Em 28 de junho de 1998, autoridades do Estado de Alagoas e do Ministério da Fazenda assinaram e concluíram, no último dia do prazo legal estabelecido, o longo e trabalhoso processo de renegociação da dívida financeira dos estados brasileiros.

A situação financeira dos estados, que já era delicada havia algum tempo, agravara-se de maneira acentuada com a implantação do Plano Real em julho de 1994. Quando da posse dos novos governadores em 1995, alguns estados enfrentavam situação de insolvência financeira com a interrupção dos fluxos de pagamentos e ameaças de paralisação do suprimento de serviços básicos à população.

A renegociação da dívida financeira tornou-se assim uma imperiosa necessidade, imposta não só pelas circunstâncias políticas, mas também pelo risco de contaminar e comprometer o funcionamento da economia como um todo.

O processo de renegociação teve início com aprovação de medidas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que autorizou a abertura de linhas de crédito para dar suporte a medidas de saneamento das finanças estaduais, tais como redução da folha de pagamentos por meio de Programas de Demissão Voluntária (PDVs), extinção e incorporação, pela Caixa Econômica Federal (CEF), dos sistemas estaduais de habitação, entre outras medidas.

Simultaneamente foi implantado vigoroso esforço de privatização dos bancos estaduais, que constituíam, à época, uma das mais importantes causas das dificuldades financeiras dos estados. Em apoio às medidas iniciais adotadas pelo CMN, foi publicada a Medida Provisória no 1.560-8/1997, convertida na Lei no 9. 496/1997 pelo Congresso Nacional, que disciplinou e aprofundou os fundamentos legais do processo de renegociação das dívidas financeiras, e instituiu o Programa de Apoio à Reestruturação e ao Ajuste Fiscal dos Estados.

Leia na íntegra o TD 1366, de Marcelo Marcelo Piancastelli e Rogério Boueri, para tanto, acesse o endereço eletrônico http://www.ipea.gov.br/sites/000/2/publicacoes/tds/TD_1366.pdf.

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Criação de novos Estados aumenta gastos públicos

Gasto por habitante no DF é o maior do país; Acre compromete maior percentual do PIB

A divisão de estados para criação de novas unidades da federação acarretaria o aumento de gastos públicos, mostra estudo do Ipea.

O Distrito Federal tinha, em 2005 (ano da consolidação dos dados nacionais mais recentes), o maior gasto por habitante. Paradoxalmente, por ser a União o ente federativo que mantém, por exemplo, o Poder Judiciário, o Ministério Público e a Defensoria Pública, a unidade com menor gasto em relação ao PIB é justamente o Distrito Federal, que compromete apenas 8,51% do seu PIB.

“Os casos extremos são o Acre, que compromete 37,27% do seu PIB com o funcionamento da máquina pública estadual, e, na posição oposta, São Paulo, Santa Catarina e Paraná, cujos gastos não atingem 14% do PIB”, afirma Rogério Boueri, autor do Texto para Discussão “Custos de funcionamento das unidades federativas brasileiras e suas implicações sobre a criação de novos estados”.

A partir das contas de cada unidade da federação, o trabalho calculou os gastos públicos estaduais na formação de novos estados. E o resultado é mais peso no bolso do cidadão. Um novo estado teria em média custos fixos de R$ 832 milhões anuais.

Boueri analisou cada uma das propostas no Congresso Nacional entre 1998 e 2008, em termos de população, área, produto interno bruto (PIB) e gastos estaduais. “Em alguns casos, o gasto público estimado superaria o total da produção local, demonstrando flagrante inviabilidade econômica para a criação da unidade”, afirma o pesquisador.

Das propostas de criação de 16 novos estados desde 1998, dois Projetos de Decreto Legislativo (PDCs) – o DC nº 570/2008 e o PDC nº 631/1998 – continuam em tramitação.

O PDC no 570/2008 trata da criação do Estado do Triângulo, a partir de 66 municípios do oeste mineiro. O mapa 3 abaixo apresenta a configuração deste estado proposto.

“Quando se considera o aumento de gastos decorrentes da divisão de Minas Gerais, observa-se que tal cisão elevaria em 3,44% os gastos públicos estaduais nos dois estados, comparados aos gastos unificados”, observa Boueri.

Já o PDC no 631/1998 propõe a criação do Estado do Rio São Francisco a partir de 34 municípios da Bahia. O mapa 2 abaixo mostra como seria a configuração territorial deste novo estado, que, por algum motivo, não inclui o município de Wanderley, embora esteja no seu interior.

Segundo o pesquisador, “os gastos estaduais conjuntos dos estados do Rio São Francisco e da Bahia seriam 5,77% maiores do que aqueles oriundos de uma Bahia única”.

“Novas proposições desta natureza devem ser formuladas de maneira mais consistente no tocante ao conteúdo geográfico, econômico e financeiro, de forma a não onerar o já sobrecarregado parlamento brasileiro com propostas claramente inviáveis”, alerta o trabalho.

Leia na íntegra o TD 1367, de Rogério Boueri, para tanto, acesse o endereço eletrônico http://www.ipea.gov.br/sites/000/2/tds/TD_1367.pdf.

NOTÍCIAS COLHIDAS NO SÍTIO www.ipea.gov.br.

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