Rio de Janeiro – Bancos Centrais regidos por normas únicas, estabelecendo regras globais, com transparência, poderia ser uma forma de prevenir crises como a atual, originada no sistema imobiliário norte-americano.
Foi o que afirmou hoje (05/12) o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, Luciano Coutinho, em conferência promovida pela Associação Mundial das Agências de Promoção de Investimentos (Waipa), no Rio de Janeiro.
Para ele, se a regulação financeira tiver regras globais, poderá ser mais abrangente. “Mas ela [a regulação financeira] deve ter uma preocupação de ser contracíclica, para evitar agravar a contração do crédito agora. E quando houver euforias, conter essas euforias. Nós não podemos fechar os olhos diante de bolhas”, disse.
Segundo Coutinho, nos últimos 30 anos, os Bancos Centrais permitiram que se formassem, e até incentivaram, as bolhas. “E os reguladores cruzaram os braços.” Para o presidente do BNDES, é preciso haver um mecanismo de balanceamento desse movimento.
“Deveria ser uma obrigação dos bancos centrais evitar processos insustentáveis. Esse é, evidentemente, um processo insustentável”, avaliou Coutinho, ao classificar a crise financeira mundial.
Segundo ele, a regulação anticíclica deveria fazer parte dos estatutos e das leis que regem a regulação financeira. “Esse é o passo que precisa ser dado. É preciso existir supervisão bancária muito mais preventiva, de prudência estrita. E ter uma lente de aumento poderosa sobre todas as instituições financeiras não bancárias, não depositárias.”
Para Coutinho, é preciso ter um conjunto de instrumentos, a que chamou de regulação de condições de crédito e taxa de juros, dentro das práticas de política monetária. Ele também defende que haja políticas de gestão de risco nas instituições bancárias, com comitês de gestão de risco reportando-se diretamente às respectivas diretorias.
Coutinho defendeu, ainda, uma mudança de regras para as agências de classificação de risco (rating) que “não podem ser capturadas porque são remuneradas pelas próprias instituições financeiras a quem elas servem”.
Por Alana Gandra – Repórter da Agência Brasil.
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Coutinho defende criação de fundo global de desenvolvimento para reduzir efeitos da crise
Rio de Janeiro – O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, defendeu hoje (5) a criação de um fundo global de desenvolvimento para minorar os efeitos da crise de crédito internacional, principalmente nos países em desenvolvimento.
Coutinho participou de painel sobre a nova realidade econômica mundial, em conferência promovida pela Associação Mundial das Agências de Promoção de Investimento (Waipa), no Rio de Janeiro.
Ele registrou que essa é uma das idéias que se acham em discussão no âmbito do G20, grupo de países desenvolvidos e emergentes criado em 2003. “É como se fosse um super FAT [Fundo de Amparo ao Trabalhador] mundial, capaz de oferecer funding (recursos) de longo prazo para as instituições de desenvolvimento e para o sistema bancário ser um repassador.”
A proposta conta com o apoio de vários economistas, como Joseph Stiglitz, Prêmio Nobel de Economia de 2001. A utilização desse fundo como uma base de empréstimos aos países “é uma idéia que deve ser considerada”, avaliou.
O fundo seria constituído de contribuições dos países com grande acúmulo de reservas. O fundo alcançaria de US$ 400 bilhões a U$ 500 bilhões.
Ele citou como exemplo o Plano Marshall, criado pelos Estados Unidos após a Segunda Guerra Mundial, diante da constatação de que a crise européia colocava em risco o futuro do capitalismo e poderia prejudicar a própria economia americana, abrindo espaço para a expansão do comunismo. Com o Plano Marshall, os Estados Unidos investiram cerca de US$ 13 bilhões na recuperação dos países europeus. Coutinho afirmou que o mundo necessita hoje de um tipo de Plano Marshal, adaptado para as economias em desenvolvimento e na escala adequada.
Coutinho explicou que a criação desse fundo global viria suprir uma lacuna existente hoje nos mercados por conta da crise externa. “É a constatação de que você não tem, na grande parte das economias em desenvolvimento, sistemas de crédito de longo prazo, com funding estável, com taxas de juros baixas.
O presidente do BNDES destacou que poucos países emergentes têm a capacidade que a China e o Brasil apresentam atualmente de atuar para ativar o investimento público e privado em infra-estrutura. Uma das idéias, revelou, é aumentar a escala do crédito de longo prazo para esse tipo de investimento, além de criar linhas de suporte à pequena empresa, que “tem sido duramente castigada pela retração global de crédito”. Outra possibilidade seria apoiar o crédito à exportação para os países emergentes.
O fundo deverá ser estruturado de forma profissional, com mecanismos de garantia para reduzir o risco da concessão de crédito, e utilizar as instituições existentes como o Banco Mundial (BIRD) e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), para “poder ser eficaz e rápido”. Coutinho enfatizou, contudo, que a criação desse fundo global é somente uma parte das propostas que o Brasil levou para ser discutida pelo G20.
Por Alana Gandra – Repórter da Agência Brasil.
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