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Bancários protestam contra a extinção do Real

Dirigentes sindicais apresentam protesto oficial a assembléia de acionistas

São Paulo – Os acionistas minoritários da Associação dos Funcionários do Grupo Santander Banespa, Banesprev e Cabesp (Afubesp), representada pelo presidente Paulo Roberto Salvador, e Ademir José Wiederkehr, secretário de imprensa da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) apresentaram um voto oficial à assembléia de acionistas do Santander, realizada na quinta, dia 30.

Os dirigentes sindicais manifestaram-se contrários à incorporação do banco, às demissões e ao desrespeito a que estão expostos os bancários brasileiros frente à atuação do banco espanhol no Brasil. Leia abaixo os documentos.

São Paulo, 30 de abril de 2009.

À
Assembléia Geral Extraordinária do Banco Santander S.A.

Prezados Senhores:

Os acionistas minoritários da Associação dos Funcionários do Grupo Santander Banespa, Banesprev e Cabesp (Afubesp), representada pelo presidente Paulo Roberto Salvador, e Ademir José Wiederkehr, secretário de imprensa da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), votam contra a incorporação do Banco Real pelo Banco Santander, com a conseqüente extinção do Banco Real, na forma proposta.

Também votam contra a autorização ao Banco Santander para praticar todos os atos complementares à referida incorporação, pelos motivos abaixo:

1. Apesar de todo processo de negociação com as entidades sindicais para construir alternativas às demissões, que durou mais de sete meses, o Grupo Santander extinguiu mais de 3.300 postos em 12 meses, encerrados em março de 2009. De acordo com o balanço no primeiro trimestre de 2008, o banco que empregava 55.395 bancários, terminou o primeiro trimestre deste ano com 52.088 trabalhadores. Só nos primeiros três meses de 2009, foram fechados cerca de mil postos de trabalho.

2. Em março deste ano, já estava em pleno vigor o plano de incentivo à aposentadoria e de licença remunerada, que tem como objetivo estimular a criação de vagas com a saída dos aposentados e evitar demissões. Além disso, desde o ano passado está em funcionamento o centro de recolocação profissional.

3. Consideramos que o banco espanhol precisa fazer a sua parte, preservando os empregos e direitos. Queremos que o Santander respeite o Brasil e os trabalhadores e aposentados brasileiros. Não é possível seguir essa política de ficar com o lucro gerado pelos brasileiros e demiti-los.

4. Diante da presente incorporação do Banco Real pelo Banco Santander, com a conseqüente extinção do Banco Real, tornam-se necessárias e urgentes a negociação de garantias de empregos e direitos para os trabalhadores e as trabalhadoras do banco, bem como para os aposentados e pensionistas do banco, como fator de responsabilidade social e compromisso com o Brasil e os brasileiros.
Associação dos Funcionários do Grupo Santander Banespa, Banesprev e Cabesp (Afubesp) – pp. Paulo Roberto Salvador
Ademir José Wiederkehr

VOTO DA ACIONISTA AFUBESP – ASSOCIAÇÃO DOS FUNCIONÁRIOS DO GRUPO SANTANDER BANESPA, BANESPREV E CABESP
A acionista AFUBESP – Associação dos Funcionários do Grupo Santander Banespa, Banesprev e Cabesp, por seu representante legal, requere que se consigne na ata dos trabalhos, as seguintes considerações:

1- DEMISSÕES: Inobstante todos os esforços para a manutenção/criação de empregos no Grupo (Centro de Realocação, Licença Remunerada Pré-aposentadoria e incentivo à aposentadoria), a empresa vem demitindo funcionários em proporções superiores às suas congêneres, inclusive, Unibanco e Itaú, que também passam por processo de fusão.

Essas demissões, majoritariamente, atingem trabalhadores com grande tempo de serviço, muitos próximos a atingir a aposentadoria. Todos, profissionais com grande competência, experiência e capacidade.

Como é sabido, a reposição desses talentos será muito custosa, o que além dos danos sociais, causará prejuízos à Instituição.

2- PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS – PLR: A empresa superdimencionou várias provisões em seus balanços, o que impactou negativamente os resultados, trazendo como conseqüência, redução no valor distribuído aos funcionários a título de PLR.

Além das provisões, vale a pena ressaltar pronunciamentos dos Presidentes (mundial e Brasil) relativos aos resultados da organização. Um afirmou que os resultados obtidos no Brasil eram correspondentes a 20% (vinte por cento) do lucro mundial do Banco, que ficou em torno de 8,8 bilhões de euros, outro garantiu, antes da divulgação dos balanços que o lucro seria da ordem de R$ 4,8 bilhôes.

A própria empresa reconhece que houve alguns problemas nos demonstrativo, tanto é que, para efeito de pagamento de dividendos, manteve o valor do ano próximo passado, para que não houvesse prejuízo aos acionistas.

Ainda, o pagamento de bônus aos executivos da Companhia foi em patamar bastante elevado, como de praxe no sistema financeiro, enquanto para os trabalhadores, a PLR foi paga pela regra básica, ou seja, o mínimo.

Diante disso, requeremos que seja revista a política de distribuição de Participação dos Lucros e Resultados, pagando aos trabalhadores o valor integral da PLR adicional, para que eles possam acreditar e divulgar com confiança, toda e qualquer manifestação de suas lideranças empresariais, e mais, como forma de valorização e reconhecimento ao belo trabalho desses profissionais.

3- FUNCIONÁRIOS INATIVOS ALBERGADOS NO PLANO V DO BANESPREV: É notório que o Banco, por determinação da legislação pátria, foi instado a criar um plano específico para seus inativos admitidos anteriormente à 26.05.1975.

Ocorre que na legislação da previdência complementar existe uma regra que prevê reajuste mínimo pelo INPC para todos os planos de Benefício Definido.

Como o Plano V do Banesprev, que abriga tais funcionários foi criado somente em janeiro de 2007, existe um período em que tal regra não foi seguida, ou seja, do ano de 2001 até o ano de 2007.

Isso está gerando um passivo trabalhista que deverá impactar os resultados da empresa num futuro bastante próximo. Assim requeremos que seja feito aporte de recursos ao Fundo de pensão, no montante suficiente para garantir os reajustes daqueles participantes, de acordo com as regras supra mencionadas, ou seja, reajuste anual pelo INPC, desde o ano de 2001, até a criação do Plano, em 2007.
Finamente, reitera o requerimento de que essas considerações façam parte integrante da ata da presente Assembléia.

PAULO ROBERTO SALVADOR
Diretor Presidente

Fonte: Matéria colhida no Sitio do Seeb SP

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