O bancário Marco Aurélio Cruz, dirigente sindical e trabalhador no HSBC, representa o Sindicato de Curitiba e região nas questões relacionadas a segurança bancária. Marco Aurélio participou durante esta sexta (17) das discussões sobre o tema na 11ª Conferência Nacional. Na ocasião foram apresentados os dados relativos ao primeiro semestre de 2009 de trabalho da Comissão Consultiva para Assuntos da Segurança Privada (CCASP), da Polícia Federal. Para o dirigente, as multas aplicadas pela CCASP são muito brandas se comparadas com a lucratividade dos bancos.
Só nos primeiros seis meses deste ano, os bancos já foram punidos com multas que totalizam R$ 4,462 milhões. O Banco do Brasil foi o que mais infringiu as normas de segurança determinadas pela Lei 7.102/1983, sendo multado em R$ 1,285 milhão, seguido por Bradesco (R$ 923 mil) e Itaú (R$ 564 mil). Entretanto, se comparado a lucratividade dos bancos, a punição “não faz nem cócegas”. Apenas no primeiro trimestre de 2009, o Banco do Brasil lucrou R$ 1,7 bilhão, enquanto Bradesco e Itaú lucraram, respectivamente, R$ 1,723 bilhão e R$ 2,014 bilhões . Isto em um cenário “alardeado” como de crise pelos bancos.
“Quanto vale a vida de um cliente, de um bancário, de uma pessoa que está passando na rua e é pega de surpresa por um assalto em uma agência bancária?”, questiona Marco Aurélio Cruz. “Não é o patrimônio do banco que precisa ser protegido e sim a vida das pessoas. Quando um banco permite que sua agência funcione sem o número de vigilantes necessários, com equipamentos inoperantes ou sem plano de segurança, a instituição financeira está brincando com a integridade física da população”. O dirigente é enfático em dizer que atitudes irresponsáveis dos bancos não podem ser toleradas pelos sindicatos, que precisam se organizar para denunciar e dar ampla divulgação a qualquer irregularidade. “Além disso, as mesmas exigências em relação às agências e postos de atendimento precisam ser estendidas aos correspondentes bancários”, complementa.
Número de multas poderia ser maior – O número de processos contra os bancos por descumprimento da legislação sobre segurança privada poderia ser muito maior se a Polícia Federal tivesse mais rigor nos procedimentos e registro das fiscalizações. Muitos processos que denunciam agências que negligenciam a segurança acabam sendo arquivados por falhas técnicas.
Dentre as infrações mais cometidas pelos bancos está a ausência de plano de segurança (52%), alarme inoperante (22%) e falta de vigilante (16%). Outro problema ainda muito comum em cidades do interior do país é o transporte de valores realizado por bancários. Segundo estatísticas do CCASP, o Bradesco é o campeão neste quesito, expondo os trabalhadores ao risco de assaltos, sequestros e demais crimes.
NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.bancariosdecuritiba.org.br.