Representantes dos trabalhadores do Paraná estiveram na 11ª Conferência Nacional
Os jornalões podem até não gostar de falar sobre o Estado das Araucárias, se limitando a Rio, São Paulo e, quando muito, Minas, em suas notícias. Caso pior é o do Nordeste, que costuma ser tratado como um único estado, mais distante da realidade, impossível. Por outro lado, um leitor mais atento pode verificar como o Paraná é muito importante para todo o Brasil. Exemplo claro foi, justamente, a 11ª Conferencia Nacional.
E era gente de tudo o que é jeito e lugar do estado. Por exemplo, tem o Ademir, da secretaria jurídica do Sindicato de Curitiba e Região, que já está em sua terceira conferência nacional. Para ele, uma das coisas mais importantes é poder atualizar o que vem sendo reivindicado. Afinal, os tempos mudam e o banco de hoje, não é como o de bem pouco tempo atrás.
Alguns percebem a mudança do tempo na própria conferência. Luiz Carlos, diretor de esportes do Sindicato de Guarapuava e Região, é um desses. Antes, o encontro era separado por bancos. Muito mais complicado de reunir as opiniões. Agora, havendo a separação por tema, ele, que participou da mesa de saúde, se sente com muito mais informações para trabalhar em sua base. Nas palavras dele: “muito melhor”.
Outros, não viram nisso tanta mudança assim. O presidente do Sindicato de Londrina e Região, Vanderley Crivellari, pensa que não houve uma mudança tão grande em ser por tema. Ele, que participa pela sexta vez, acredita que está, justamente, na hora de mudar algumas coisas. Mas que o mais importante é que a conferência é um lugar onde todo o Brasil acorda uma meta única a ser perseguida. Que é desse esforço de união que a campanha ganha força.
Envolvimento
Se fosse apenas presença e voto, a participação dos ilustres paranaenses já estaria de bom tamanho. Estavam, eles, ali para representar o que os trabalhadores bancários de sua região queriam e pronto. Mas isso tudo é muito pouco para eles. O secretário de imprensa e comunicação da FETEC-CUT-PR, José Altair, por exemplo. Coordenou a mesa de previdência e, ainda, deu suas palhinhas para melhorar a minuta. Foram, no caso dele, duas sugestões apresentadas e aprovadas na Conferência Estadual, e respaldadas na Conferência Nacional.
O presidente do Sindicato de Curitiba e Região, Otávio Dias, também ajudou em uma mesa. Estava lá, firme e forte para colocar ordem durante a apresentação da pesquisa nacional. Esforço homérico, diga-se de passagem. É que sindicalista gosta de dar uma opinião sobre qualquer assunto. E haja controle de tempo para repetir, para praticamente todas as falas: “resta um minuto”.
O velho conhecido do movimento sindical, Roberto Von der Osten, que está agora na CONTRAF-CUT, encarou duas mesas. Uma, bem complicada, Emprego e Remuneração. Quanta coisa teve que ser votada na plenária por falta de acordo. Depois, como que para descansar um pouco, ajudou na votação geral sobre Segurança Bancária. Só uns três ou quatro probleminhas. Nada de mais.
Não liberados
O pessoal do Paraná se preocupou ainda com outra questão. Preparar mais gente para dar prosseguimento nas discussões e, logicamente, na luta. José Carlos Vieira de Jesus e Thaisa Botogoski. Ambos não liberados pelo banco HSBC, dirigentes de base em Curitiba e Região. Para o movimento sindical, foi muito importante a participação dos dois, porque é uma forma de fazer com que as informações e decisões fossem levadas diretamente para os trabalhadores bancários.
Ele veio para a sua segunda conferência quase por acaso. Era suplente e surgiu uma vaga. Ela estava mesmo na sua primeira conferência. Sentados sempre nas primeiras fileiras, os dois não desgrudavam o olho do que era apresentado. Exceto por um eventual cafezinho, ida ao banheiro ou um raro cigarro. Mas isso não é por serem novos no movimento. É porque ninguém é de ferro mesmo.
Thaisa era uma felicidade só. Ela fala que é porque se identifica muito com o movimento. O mais importante para ela foi apreender como as reivindicações são construídas. De como acontece a transformação da elucubração teórica em um artigo novo na minuta. De como as diferenças são resolvidas da forma mais democrática possível. “Se gostei? Não vejo o a hora de voltar!”.
José Carlos é um dos que vê mudanças positivas na Conferência. Pelo menos do último ano para este. Sentiu que o debate por eixos tornou a discussão muito mais produtiva. Ele, que participou da mesa de Previdência Complementar, achou extremamente importante para poder levar suas reivindicações para o HSBC que, em sua opinião, não possui um programa eficiente.
Esses dois enfrentam um grande desafio todos os dias. Conciliar o trabalho no dia a dia do banco com a vocação sindical. Curiosamente, os dois definiram como: “correria”. E é na hora do almoço, fim do expediente, entre um cafezinho e outro, no papo de corredor que fazem o trabalho sindical. Qualquer um pode pensar que é loucura. Afinal, não se ganha nada a mais para isso. Mas o sorriso no rosto dos dois não mente: lutar pelo trabalhador é, sim, uma grande recompensa.
Luiz Gustavo Vilela – Jornalista
FETEC-CUT-PR
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Trabalhadores bancários paranaenses dispostos a examinar a minuta e prosseguir a Campanha Salarial Nacional 2009
Mais um passo da Campanha Salarial Nacional 2009: todos os sindicatos já definiram a data de assembleia, todas acontecem no dia 29 de julho de 2009.
Como parte da democratização do processo sindical, depois das opiniões dos trabalhadores bancários serem levadas para as conferências, regionais, estaduais e nacional, agora é hora de fazer o caminho inverso.
Por isso, estão sendo definidas as datas das assembleias para que a minuta aprovada na 11ª Conferência Nacional dos Bancários, documento que reúne as reivindicações da categoria bancária, seja examinada e aprovada em cada uma das bases sindicais.
A seguir, as datas e locais de realização das assembleias dos sindicatos de trabalhadores bancários cutistas no Paraná:
APUCARANA E REGIÃO:
– 29 de Julho de 2009 – 18h30min, na sede do Sindicato em Apucarana.
ARAPOTI E REGIÃO:
– 29 de Julho de 2009 – 18h30min, na sede do Sindicato em Arapoti.
CAMPO MOURÃO E REGIÃO:
– 29 de Julho de 2009 – 18h00, na sede do Sindicato em Campo Mourão.
CORNÉLIO PROCÓPIO E REGIÃO:
– 29 de Julho de 2009 – 19h00, na sede do Sindicato em Cornélio Procópio.
CURITIBA E REGIÃO:
– 29 de Julho de 2009 – 18h30min, no Espaço Cultural e Esportivo dos Bancários em Curitiba.
GUARAPUAVA E REGIÃO:
– 29 de Julho de 2009 – 18h00, na sede do Sindicato em Guarapuava.
LONDRINA E REGIÃO:
– 29 de Julho de 2009 – 18h30min, na sede do Sindicato em Londrina.
PARANAVAÍ E REGIÃO:
– 29 de Julho de 2009 – 20h00, na sede do Sindicato em Paranavaí.
TOLEDO E REGIÃO:
– 29 de Julho de 2009 – 18h30min, na sede do Sindicato em Toledo.
UMUARAMA E REGIÃO:
– 29 de Julho de 2009 – 18h30min, na sede do Sindicato em Umuarama.
Acompanhe aqui no sítio da FETEC-CUT-PR (www.fetecpr.org.br) as atualizações dos horários e locais, bem como a definição de cada um destes eventos.
Luiz Gustavo Vilela – Jornalista
FETEC-CUT-PR
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Conferência Nacional dos Bancários define pauta de reivindicações e estratégia da Campanha 2009
O próximo passo da Campanha Salarial Nacional 2009 é o envio da minuta de reivindicações aos patrões banqueiros, antes, porém, acontecem as assembleias de aprovação da minuta pelas bases sindicais.
Trabalhadores bancários de todo o país participaram da 11ª Conferência Nacional da categoria que definiu a pauta de reivindicações para a campanha salarial 2009. Índice de reajuste de 10%, PLR, valorização dos pisos salariais, combate às metas abusivas e ao assédio moral, plano de carreira e previdência complementar foram algumas das deliberações dos 640 delegados participantes.
A Confederação Nacional dos Trabalhadores no Ramo Financeiro (Contraf/CUT) realizou a 11ª Conferência Nacional dos Bancários, de 17 a 19 de julho, em São Paulo, onde reuniu 640 delegados de todo o país para definir as reivindicações e estratégias para a campanha da categoria em 2009.
O plenário definiu como pauta de reivindicações: índice de reajuste de 10%, PLR de três salários mais R$ 3.850, contratação de toda remuneração dos trabalhadores (inclusive a parte variável), valorização dos pisos salariais, combate às metas abusivas e ao assédio moral, plano de carreira, cargos e salários para todos, mais segurança nas agências e regulamentação do Sistema Financeiro Nacional, que incentive o crédito e reduza os juros.
Os delegados também decidiram manter a campanha nacional unificada entre bancos públicos e privados, com negociações das questões de cada banco sendo realizadas simultaneamente em mesas específicas. A pauta de reivindicações será entregue à Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) no início de agosto.
Carlos Cordeiro, presidente da Contraf-CUT e coordenador do Comando Nacional, avalia que “o resultado da Conferência é extremamente positivo, coroando um amplo processo democrático de discussões com os bancários, que passou por assembleias, consultas em todas as bases sindicais e conferências regionais”.
Marcel Barros, secretário-geral da confederação explica que “a Conferência Nacional é a conclusão de uma parte do processo de construção de nossa campanha salarial. Definidos os rumos, agora é hora de juntarmos nossas forças e irmos à luta em busca daquilo que os trabalhadores apontaram como objetivo a ser alcançado. Além da parte econômica, temos a busca por melhores condições de trabalho, segurança, saúde e um amplo debate junto à sociedade sobre o papel que o sistema financeiro deve cumprir na construção de um País mais justo com crescimento e distribuição de renda”.
Aumento real de salário
O índice de reajuste de 10%, definido pelos participantes da Conferência, vai representar aumento real de mais de 5%. Já para a cesta alimentação será reivindicado um salário mínimo (R$ 465,00).
PLR maior e contratação da remuneração total
Os debates resultaram na definição, que será levada aos banqueiros, de pagamento de três salários mais R$ 3.850 a título de Participação nos Lucros e Resultados (PLR) e contratação total da remuneração da categoria, incluída a parte variável.
Valorização dos pisos
Os bancários querem a valorização dos salários de ingresso na categoria, com o piso salarial de escriturário baseado no salário mínimo do Dieese, de R$ 2.047. O piso de portaria seria de R$ 1.432,90 e o de caixa R$2.763,45. Para o primeiro comissionado, a reivindicação é de R$ 3.477,88 e para o primeiro gerente R$ 4.605,73.
Plano de Carreira
A Conferência manteve a proposta de criação de um Plano de Carreira, Cargos e Salários (PCCS) para todos os bancos, com o acompanhamento dos sindicatos.
A proposta prevê 1% de reajuste a cada ano de trabalho. A cada cinco anos, esse reajuste será de 2%. O banco é obrigado a promover o bancário pelo menos um nível a cada cinco anos. A proposta de PCCS determina, ainda, que os bancos são obrigados a treinar o trabalhador para a nova função por no mínimo 60 dias. E quando houver uma nova vaga, o banco é obrigado a fazer um processo de seleção interna para preenchê-la. Para cada cargo e função, o banco deve apresentar a grade curricular necessária e oferecer o curso aos trabalhadores dentro do expediente. Em caso de descomissionamento do bancário, a comissão será incorporada ao salário integralmente.
Garantia de emprego
Novas contratações, fim das terceirizações, garantia de emprego inclusive durante os processos de fusão, luta pela ratificação da Convenção 158 da OIT que proíbe dispensas imotivadas, acabar com as demissões por justa causa em função de endividamento, respeito à jornada de trabalho. Essas foram algumas das prioridades definidas pelos trabalhadores para garantir o emprego dos bancários.
Os delegados bancários também definiram reivindicar a ampliação do auxílio-educação para todos e a licença-maternidade de seis meses.
Saúde e Condições de Trabalho
O plenário aprovou o texto elaborado pelo grupo temático de saúde e condições de trabalho, que prevê a adoção de mecanismos mais abrangentes para coibir a prática de assédio moral e de violência organizacional dentro dos bancos, bem como aprimoramento das regras para eliminação de riscos no local de trabalho.
No que diz respeito às garantias, a minuta 2009 prevê a manutenção salarial e de todos os benefícios aos trabalhadores afastados por motivo de doença/acidente de trabalho e em licença maternidade; custeio por parte dos bancos de todas as despesas com tratamentos médicos relativos a doenças do trabalho, inclusive com autorização para que exames e consultas médicas sejam feitas durante o expediente; além de aperfeiçoamento nos procedimentos para registros no INSS, dentre outras medidas.
Os delegados também aprovaram que, dentre as cláusulas da minuta relativas à remuneração, deverá constar reivindicação para que os bancos antecipem o 13º salário para todos os trabalhadores licenciados por motivo de agravo à saúde e licença maternidade.
“As propostas aprovadas visam aprimorar o combate ao assédio moral, à violência organizacional e às metas abusivas. Além disso, buscamos resgatar a dignidade dos bancários adoecidos, por meio de maior responsabilização dos bancos, que são os verdadeiros responsáveis pelos agravos aos trabalhadores”, afirma Plínio Pavão, secretário de Saúde da Contraf-CUT.
Previdência complementar para todos
O plenário geral aprovou as reivindicações da categoria referentes à previdência complementar, com o objetivo de assegurar nas negociações sua implantação em todos os bancos, com gestão compartilhada e representantes eleitos pelos participantes na direção e conselhos dos fundos de pensão. A maioria das instituições financeiras privadas não propicia essa oportunidade aos seus funcionários.
Além de lutar pela universalização do direito a fundo de pensão entre os bancários, a plenária da Conferência respaldou a proposta de criação de três fundos específicos, patrocinados pelas instituições financeiras, para custear o auxílio-alimentação, a Participação nos Lucros e Resultados e o plano de saúde dos funcionários durante a aposentadoria.
Entre várias ações políticas aprovadas, a categoria decidiu também exigir o fim do fator previdenciário, mecanismo de redução das aposentadorias adotado na Reforma Previdenciária de 1998.
Com informações da Contraf-CUT.
Por: Suzana Vier. Publicado em 20/07/2009. ADAPTADA PELA FETEC-CUT-PR.
NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.redebrasilatual.com.br.