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Crise afetou de forma desigual as regiões brasileiras

Comunicado da Presidência analisa a propagação da crise nas cinco regiões do Brasil

Comércio Exterior, Difusão Inter-Regional da Crise Internacional no Brasil e as Perspectivas foi o tema do 26º Comunicado da Presidência do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), divulgado na quinta-feira, dia 13, em Brasília. No documento, a crise mundial foi analisada segundo os seus diferentes impactos nas regiões do Brasil. Liana Carleial, diretora de Estudos Regionais Urbanos (Dirur) do Instituto, iniciou a apresentação dizendo que “a crise se instalou inicialmente na região Sudeste e foi se disseminando pelas outras regiões do país”.

No período de janeiro a julho de 2009 foi observada a diminuição das exportações brasileiras, sobretudo as de produtos industrializados, devido à crise que se iniciou nos Estados Unidos. Isso impactou, num primeiro momento, a região Sudeste do Brasil, afetando em cadeia as demais localidades. Rodrigo Pereira, coordenador de Estudos sobre a Crise, observou, no entanto, que regiões do país foram atingidas de forma diferenciada pela crise. “O nosso objetivo é investigar o padrão espacial da propagação da crise”.

A queda na produção industrial do estado de São Paulo, por exemplo, foi maior do que a média nacional. Isso se deve à maior integração da região Sudeste com o resto do mundo. Segundo Pereira, “o impacto da crise que atingiu a região Sudeste afetou indiretamente as outras regiões”. Isso explica as maiores taxas de queda na produção industrial em estados como Minas Gerais, Espírito Santo e São Paulo. O Nordeste foi a região que menos sofreu com a queda na produção na região Sudeste, o que seria um sinal de menor integração.

Recuperação

Os dados de maio de 2009, última observação até a elaboração do estudo, apontam para uma recuperação da produção industrial no Brasil em todas as regiões. Para Marcelo Piancastelli, técnico de Planejamento e Pesquisa do Ipea, nessa crise, o Brasil apresenta a maior resistência às diversidades vindas do exterior. “Iniciada a crise, tivemos redução no emprego e na renda, porém, o impacto sobre as classes menos favorecidas ou na renda foi menor, até porque a inflação continuou baixa”, enfatizou. Para o técnico, o fato de as reservas internacionais não terem sido abaladas, a inflação estar sobre controle e a relação dívida/PIB manter-se estável são fatores extremamente favoráveis em relação às crises anteriores enfrentadas pelo Brasil.

Piancastelli disse ainda que o mercado interno aquecido, por meio de medidas anticíclicas e políticas sociais do governo, e a exportação de commodities, com o aumento das exportações para a China, foram responsáveis pelo menor impacto da crise internacional no país.

O Comunicado da Presidência nº 26 teve transmissão on-line pelo site www.ipea.gov.br, sendo acompanhado por jornalistas de todo o país.

Leia a íntegra do Comunicado da Presidência nº 26, acessando o endereço eletrônico http://www.ipea.gov.br/sites/000/2/comunicado_presidencia/09_08_13_ComunicaPresi_26_ComercioExterior.pdf.

NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.ipea.gov.br.

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Processo de recuperação da economia não terá longa duração, diz Ipea

Brasília – A economia tem dado sinais de reação após o impacto da crise mundial sobre o Brasil e, de acordo com o economista Rodrigo Pereira, técnico do Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea), a aposta é de que o processo de recuperação demore de oito a 16 meses. Pereira participou do estudo A Difusão Inter-regional da Crise no Brasil e Perspectivas, desenvolvido pelo Ipea e divulgado hoje (13).

“O nosso trabalho mostra que é um processo que vai demorar alguns meses. Nós não temos um número exato. Não será uma coisa de dois ou três meses, mas também não será uma coisa de anos. A gente acredita que é um processo que demore em torno de oito a 16 meses mais ou menos”, disse o economista.

O estudo revela ainda que o Sudeste foi a primeira e a mais afetada região a sofrer as consequências da retração do mercado internacional. No entanto, de acordo com Rodrigo Pereira, a Região Sudeste, pela sua relação intensa com o mercado externo, é a que apresenta também melhores condições de recuperação.

“A crise impactou fortemente a Região Sudeste. Isso se deve, sobretudo, a um maior grau de abertura do sudeste ao mundo em comparação com outras regiões. A magnitude dos impactos são proporcionais ao grau de integração comercial de cada uma das regiões com o sudeste. Regiões mais integradas com o sudeste tendem a ter um impacto inicial maior da crise, mas, ao mesmo tempo, tendem a se recuperar mais rapidamente”, afirmou.

De acordo com o estudo, o Nordeste foi a região que menos sentiu os efeitos da crise. “A indústria da Região Nordeste aparenta sofrer mais flutuações sazonais do que o resto do país. A crise assim não afetou esse padrão”, diz o documento.

O trabalho também mostra que a crise internacional afetou duramente o comércio exterior brasileiro. Nos primeiros sete meses do ano, as exportações alcançaram US$ 84,1 bilhões. O valor representa uma queda de 24,3% em relação ao mesmo período do ano passado, quando o Brasil exportou US$ 111,1 bilhões, de acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.

As importações tiveram uma queda ainda maior: 30,4%. De janeiro a julho de 2009, o Brasil comprou lá fora US$ 67,2 bilhões. No mesmo período do ano passado, o país importou US$ 96.465 bilhões. A balança comercial apresentou superavit de US$ 16,9 bilhões no acumulado do ano, contra um saldo positivo de US$ 14,6 bilhões no ano passado.

Para o economista Marcelo Piancastelli, também do Ipea, a recuperação do comércio exterior do Brasil está muito ligado ao ritmo de recuperação da China. “É o nosso principal parceiro comercial”, disse.

De acordo com o Ipea, a adoção de políticas anticíclicas tiveram uma importância fundamental para reduzir o impacto da crise no Brasil, e devem continuar nas ações do governo. “O prazo de recuperação vai depender de como o mundo se recupera. Vai depender também da adoção de políticas anticíclicas, que têm sido feita de forma muito eficiente”, afirmou.

O estudo revelou ainda que, diferentemente das crises anteriores, a economia brasileira está mais consistente e tem dado demonstrações de maior resistência às adversidades oriundas do exterior. “A presente crise não gerou crise cambial, não gerou crise fiscal, não gerou desorganização no funcionamento das finanças públicas e não abalou o sistema financeiro”, disse o economista do Ipea.

Por Luciana Lima – Repórter da Agência Brasil. Edição: Aécio Amado.

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Brasil já vive momento de recuperação pós-crise internacional, avalia diretor do Ipea

Rio de Janeiro – A crise financeira internacional tirou o Brasil da trajetória de crescimento e desenvolvimento que havia sido traçada desde 2006. Mas, embora o país ainda não tenha superado a crise de forma completa, já está vivendo um momento de certa recuperação, na avaliação do diretor do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), João Sicsú.

Para o economista todos os dados referentes à taxa de desemprego, número de trabalhadores contratados no mercado formal, produção da indústria indicam que “estamos numa fase de superação da crise e vamos retomar a nossa trajetória de crescimento e desenvolvimento já a partir do segundo semestre”. Sicsú disse que a partir de 2010, o Brasil estará numa rota “bastante aceitável” de crescimento e desenvolvimento.

“Precisamos de arrecadação de impostos e contribuições por parte do governo. Mas, desenvolvimento é o crescimento com inclusão social e com sustentabilidade ambiental”, disse Sicsú ao participar do debate que o Conselho Regional de Economia do Estado do Rio de Janeiro (Corecon/RJ) promove hoje (13) em sua sede, nesta capital, para comemorar o Dia do Economista.

Na avaliação do economista do Ipea, o Brasil está avançando nessa direção ao ampliar a cobertura e o valor do Bolsa Família, do salário mínimo e da cobertura e valor dos programas da Previdência Social.

Por isso, afirmou que 2009 será um ano de recuperação e, em 2010, o Brasil retomará a rota projetada a partir de 2006. Ponderou, porém, que é preciso acelerar essa volta à trajetória de crescimento e desenvolvimento. Medidas recentes adotadas pelo governo federal vão nessa direção.

Entre elas, citou o programa de construção de moradias populares “Minha Casa, Minha Vida”, a redução de impostos em operações de crédito e em segmentos industriais, e a ampliação de crédito por meio da diminuição da taxa de juros dos bancos públicos.

João Sicsú disse que a crise é sempre negativa, mas ela mostrou como a economia brasileira está mais fortalecida, uma vez que atingiu outros países de forma dura e aguda, enquanto, no Brasil, a “trombada” foi muito mais leve.

Por Alana Gandra – Repórter da Agência Brasil. Edição:Ivanir José Bortot.

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Brasil deve superar fase neoliberal para retomar o caminho do crescimento com desenvolvimento

Rio de Janeiro – O presidente do Conselho Regional de Economia do Estado do Rio de Janeiro (Corecon/RJ), Paulo Passarinho, defendeu hoje (13) a superação pelo Brasil da experiência neoliberal, para retomar o caminho do crescimento com desenvolvimento. “Um país em vias de desenvolvimento não pode apostar meramente nos mecanismos de mercado para buscar posições semelhantes às que os países já desenvolvidos obtiveram”, afirmou ele.

Paulo Passarinho quer uma atuação protecionista do Estado brasileiro, a exemplo do que ocorreu na Inglaterra, na Revolução Industrial, para poder se defender de condições que, nem sempre, são as mais adequadas para o desenvolvimento de cada país.

Lembrou, também, a importância do papel do estado nas experiências recentes da China e da Índia, que vão apresentar, mesmo após a crise internacional, resultados significativos em termos de crescimento econômico. “E tudo porque o papel do controle do Estado e da proteção dada pelo Estado sobre essas economias atenuou os efeitos da crise global em seus respectivos países. São lições importantes que o Brasil deve ter”.

Segundo Passarinho, o conjunto de reformas “liberais” adotadas pelo Brasil a partir de 1990 acabou fragilizando as instituições nacionais. “A dinâmica do desenvolvimento hoje está muito ditada de fora para dentro porque é, principalmente, fruto das decisões das transacionais. E predominantemente, o nosso parque produtivo é controlado por transnacionais estrangeiras”.

O economista recomendou uma mudança de posição, com o Estado assumindo um papel de proteção maior à indústria nacional. Analisou que, com o modelo em vigor , o país é mais um montador de peças importadas do que um grande produtor industrial.

A reversão desse quadro exige uma estratégias adequadas para organizar a indústria e à área agrícola. “O Brasil precisa de verdadeiras transformações estruturais na sua política industrial, no seu modelo agrícola que, hoje, é baseado fundamentalmente no interesse do agronegócio, monoculturas na verdade”, disse Passarinho.

Por Alana Gandra – Repórter da Agência Brasil. Edição: Ivanir José Bortot.

NOTÍCIAS COLHIDAS NO SÍTIO www.agenciabrasil.gov.br.

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