O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) registrou lucro líquido de R$ 702 milhões no primeiro semestre de 2009. Entre os efeitos que influenciaram o desempenho está o aumento de R$ 2,7 bilhões da receita bruta de intermediação financeira no período, superior aos R$ 2,1 bilhões obtidos nos seis primeiros meses do ano anterior.
Apesar da redução de juros adotada pelo BNDES, a receita no primeiro semestre do ano cresceu em função da expansão da carteira de crédito, o que contribuiu para a realização de novos investimentos na economia.
Os efeitos negativos sobre o lucro do Banco, que foi 83% inferior ao obtido no primeiro semestre do ano passado, vieram principalmente da diminuição dos resultados de participações acionárias, de R$ 4,8 bilhões nos seis primeiros meses de 2008 para R$ 1,3 bilhão no mesmo período de 2009.
A queda foi conseqüência da interrupção do processo de venda de ações, em função de um mercado desfavorável. As operações de desinvestimentos geraram um lucro bruto de R$ 72 milhões, ante os R$ 4 bilhões do primeiro semestre do ano passado.
O segundo fator que influenciou o resultado do semestre foi o aumento da despesa com provisão para risco de crédito, que atingiu R$ 1,1 bilhão em junho de 2009, em comparação com a receita de provisão para risco de crédito de R$ 400 milhões no mesmo período do ano passado.
O BNDES adota postura conservadora no provisionamento para risco de crédito, ainda que a taxa de inadimplência esteja bem abaixo da média do sistema financeiro brasileiro. O índice de inadimplência no primeiro semestre ficou em 0,18%.
A crise financeira internacional não afetou a qualidade da carteira do sistema BNDES. Em junho de 2009, 97% das empresas financiadas pelo Banco estavam classificadas com risco de crédito entre AA a C. Nas instituições financeiras privadas, tal proporção é de 90% e nas instituições financeiras públicas, de 91,1%.
Balanço – O patrimônio líquido totalizou R$ 24,7 bilhões em junho de 2009, correspondendo a um patrimônio de referência de R$ 40,1 bilhões, resultado inferior aos R$ 42,5 bilhões obtidos em 31 de dezembro de 2008. Isso ocorreu, principalmente, em virtude da distribuição de dividendos complementares.
O patrimônio de referência é a base utilizada pelo Banco Central para estabelecer limites prudenciais que devem ser seguidos por todas as instituições financeiras. Quanto maior for o patrimônio de referência do BNDES, maior sua capacidade de conceder crédito.
O índice de exposição ao setor público fechou em 23,2%, bem inferior ao limite de 45% estabelecido pelo Banco Central.
Os ativos totais do sistema BNDES somaram R$ 309 bilhões no fim de junho de 2009, apresentando crescimento de 11,4% em relação ao exercício de 2008. Desse total, 72,7% estão representados pela carteira líquida de financiamentos e repasses.
A captação de recursos do Tesouro Nacional, no valor de R$ 44 bilhões, complementou o funding do Banco para fazer frente à forte demanda por financiamento em 2009. Deste total, R$ 39 bilhões fazem parte do limite estabelecido pela Medida Provisória 453/2009 (convertida na lei 11.948 de 2009) de R$ 100 bilhões.
NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.bndes.gov.br.
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BNDES será empresa âncora do sistema nacional de financiamento público
Rio de Janeiro – Fortalecer o sistema nacional de financiamento público é a principal meta do presidente eleito da Associação Brasileira das Instituições Financeiras de Desenvolvimento (ABDE), Maurício Chacur, cujo mandato vai até julho de 2011. Ele será empossado no próximo dia 26 pelo presidente do Conselho de Administração da entidade, Luciano Coutinho, que preside rambém o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Em entrevista à Agência Brasil, Maurício Chacur disse que o sistema nacional de fomento terá o BNDES como empresa âncora e as agências de desenvolvimento como parceiras estratégicas. “A gente vai dar capilaridade a esse sistema de financiamento público”.
Conversas nesse sentido já vinham sendo mantidas pela diretoria anterior da ABDE. Segundo o presidente eleito da entidade, o sistema nacional de financiamento público deverá ter qualidade, governança, critérios técnicos e profissionalismo.
“A ideia é que, com isso, a gente consiga prover recursos para os pontos mais longínquos do país. A gente entende que é muito importante esse acesso ao crédito, que fica muito restrito às grandes praças. Tem que chegar no interior, na pequena empresa, no microempreendedor. Aí é onde as agências de fomento atuam muito bem.”
Na opinião de Chacur, o BNDES “já comprou a idéia”. Ele disse que agora as duas entidades vão começar a trabalhar para implementar o projeto.
Na prática, as agências e bancos de desenvolvimento darão capilaridade ao BNDES que, embora tenha mais de R$ 100 bilhões em recursos para emprestar, “não consegue, muitas vezes, chegar na ponta, no tomador final”. O BNDES não tem agências em todo o país que possam repassar seus recursos. Ele atua por meio de uma rede de agentes credenciados.
“Nós vamos ser um braço operacional do BNDES”, disse Maurício Chacur. As agências e bancos de desenvolvimento atuarão prioritariamente em micro, pequenas e médias empresas, embora isso não exclua trabalhar com as grandes.
O presidente da ABDE vai pedir também ao BNDES a transferência de experiência e tecnologia para os associados, “que ajudem principalmente aqueles que estão começando, para que possam trabalhar de forma mais rápida, mais técnica e com mais qualidade”.
Para Chacur, a crise financeira internacional demonstrou que os bancos públicos são importantes e gerou oportunidades para os bancos e agências de fomento. “A gente quer aproveitar essa oportunidade e efetivamente crescer e se consolidar e, no fundo, ajudar a desenvolver o país”.
Por Alana Gandra – Repórter da Agência Brasil. Edição: Graça Adjuto.
NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.agenciabrasil.gov.br.