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Crise afeta desempregados pobres, revela o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada

Comunicado da Presidência do IPEA mostra ainda que a desigualdade no desemprego nas regiões metropolitanas brasileiras caiu nos últimos meses

O ingresso tardio do Brasil na crise internacional que acometeu o planeta há um ano impactou o mercado de trabalho, principalmente no início de 2009, mas o País reagiu de forma positiva. Voltou a gerar empregos de forma significativa, embalado pela maior ocupação da capacidade ociosa existente no setor produtivo.

A afirmação foi feita pelo presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Marcio Pochmann, ao apresentar na manhã desta terça-feira, dia 22, na sede do Instituto em Brasília, o Comunicado da Presidência nº 29, intitulado A Desigualdade no Desemprego no Brasil Metropolitano.

Segundo Pochmann, dados mais recentes mostram uma ampliação de investimentos que fazem com que o ritmo de criação de empregos possa durar mais tempo. Mas as dificuldades dos que perderam o posto e continuam desempregados prevalecem. “Especialmente entre os desempregados pobres, porque esses tendem a ter dificuldades maiores, mesmo com a escolaridade ampliada, até encontrar um emprego permanente”, ressaltou.

Pobre é definido como o indivíduo cuja renda per capita familiar não supera meio salário mínimo. Entre setembro de 2008 e julho de 2009, o desemprego entre os indivíduos não-pobres aumentou 7,3%. No mesmo período, entre os pobres o aumento foi de 6%. Com isso, a desigualdade entre as duas taxas decresceu levemente.

O estudo mostra, no entanto, que a população menos favorecida financeiramente ainda é a maior prejudicada quando vai procurar emprego. “Os pobres melhoram a escolaridade, mas não conseguem se inserir no mercado de trabalho. O mercado de trabalho, nos empregos de maior escolaridade, é um funil. Temos um problema de oportunidade com as pessoas com escolaridade originárias de famílias pobres”, enfatizou o presidente do Ipea, lembrando ainda a diferença entre escolaridade e qualificação profissional.

A situação do emprego no Brasil, na visão de Pochmann, necessita de uma política de longo prazo que busque inserir o País internacionalmente em mercados que não demandem apenas produtos primários. “O ritmo de ampliação da escolaridade no Brasil, que vem ganhando força nos últimos anos, é maior do que o ritmo de criação de empregos”, observou.

O presidente do Ipea ressaltou ainda que a questão do desemprego e da qualificação no Brasil é de ordem macroeconômica. “Se o País se concentra em exportar bens primários, gera empregos de pouca qualificação. Ao exportar produtos de valor agregado cria empregos de maior qualidade e remuneração, sendo, portanto, um problema macroeconômico”, resumiu Pochmann.

O estudo considerou os dados da Pesquisa Mensal de Emprego do IBGE e apresentou comparações entre desempregados segundo gênero, faixa etária, escolaridade e renda. O Comunicado da Presidência nº 29 teve transmissão on-line e foi seguido de entrevista coletiva com a imprensa, no auditório do Ipea em Brasília.

Leia a íntegra do Comunicado da Presidência nº 29, para tanto, acesse o endereço eletrônico http://www.ipea.gov.br/sites/000/2/comunicado_presidencia/09_09_22_ComunicaPresi_29_DesigualnoDesemprego.pdf

NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.ipea.gov.br.

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Desemprego atinge os mais pobres mesmo com mais escolaridade, mostra estudo do Ipea

Brasília – Mulher, pobre, com mais de 11 anos de escolaridade e idade entre 21 e 40 anos. Este é o perfil do desemprego nas principais metrópoles brasileiras. A conclusão consta do estudo A Desigualdade no Desemprego no Brasil Metropolitano, divulgado hoje (22) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

O presidente do Ipea, Marcio Pochmann explicou que o estudo abrange o conjunto das seis principais regiões metropolitanas que, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), representam 25% da população brasileira: Porto Alegre, São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador e Recife. “E ele mostra as principais tendências da evolução da desigualdade no interior do mercado de trabalho para as seis principais regiões metropolitanas brasileiras, desde março de 2002”, afirmou.

Segundo o Ipea, em julho deste ano, a taxa de desemprego entre os pobres foi de 23,1%. “É 5,2 vezes maior do que a daqueles que não se encontravam em situação de pobreza”, disse o presidente do Ipea. No mesmo período, a taxa de desemprego para os trabalhadores não pobres foi de 4,4%. O Ipea considera pobre o indivíduo cuja renda mensal per capita da família, ou seja, por pessoa, é de, no máximo, meio salário mínimo.

“Quanto à distribuição pessoal de renda, em julho deste ano, registramos que os 20% mais pobres respondiam por 40,4% do desemprego, enquanto os 20% mais ricos correspondiam a 5,2%”, informou Pochmann. “Além disso, mais de 80% da composição absoluta do desemprego estão concentrados entre as pessoas de até 40 anos de idade.” Segundo o estudo, nesse período, 59,9% dos desempregados tinham idade entre 21 e 40 anos, e 23% com até 20 anos.

Os homens representavam 44,8% dos desempregados em julho deste ano. Em março de 2002, eles representavam 47,7%. “Isso nos mostra que as mulheres são o contingente mais elevado de desempregados nas regiões metropolitanas analisadas, mesmo tendo elas aumentado sua participação no mercado de trabalho. E se ela for pobre então, tem 38% a mais de chances de estar desempregada”, afirmou o presidente do Ipea.

Segundo o estudo, 27,1% das mulheres pobres estão desempregadas. O índice de desemprego cai para 5,4% quando o perfil é o de mulher não pobre. Já em relação aos homens, 19,6% dos pobres estão desempregados, índice que cai para 3,6% quando se trata de homens não pobres.

Pochmann explica que a taxa de desemprego entre os pobres subiu porque o número de desempregados pobres foi reduzido. “E, graças às políticas de garantia de renda, o país conseguiu evitar que, mesmo ficando desempregado, o indivíduo passe a figurar imediatamente como pobre”, completou.

Um ponto que chamou a atenção dos técnicos foi a questão da escolaridade: os desempregados pobres tendem a ter maior dificuldade de conseguirem uma vaga no mercado de trabalho, mesmo tendo mais escolaridade.

“Isso nos leva a crer que a educação é condição necessária para o acesso a um melhor posto de trabalho, mas não é necessariamente suficiente para isso”, disse o pesquisador.

A maior parte dos desempregados registrados em julho (56,1%) frequentaram a escola durante 11 ou mais anos. No mesmo mês de 2002, eram 35,6% o número de desempregados com a mesmo tempo de escolaridade. Em julho de 2005, o índice aumentou para 45,8% e, em 2007, para 49,8%.

“Muitas conclusões podem ser extraídas dessa informação. Em primeiro lugar, mostra que existe, sim, um preconceito que acaba por valorizar as pessoas de origem não pobre. Há também a questão do racismo, uma vez que há, entre os pobres, um maior número de negros. Além disso, a competição é mais acirrada quando o que há em vista são os melhores postos de trabalho”, analisou Pochmann.

O ritmo de expansão da escolaridade, segundo ele, tem sido maior do que o ritmo de criação de empregos para este grupo. “Bens primários não geram empregos de qualidade e o Brasil precisa ter mais qualidade nas vagas geradas, na busca por produtos com maior valor agregado”, afirmou o presidente do Ipea.

“É bom lembrar que escolaridade é diferente de qualificação, que significa adaptação específica a um determinado posto de trabalho”, completou.

Por Pedro Peduzzi – Repórter da Agência Brasil. Edição: Lana Cristina.

NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.agenciabrasil.gov.br.

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